Outros Saindo do Brasil

Mudança no despacho de bagagens aéreas no Brasil

09 de dezembro de 2016

Está em todos os jornais desde março que a ANAC – Agência Nacional de Aviação Civil iria mudar as regras de bagagem aérea no país. Semana que vem finalmente será a decisão final sobre o tema. Claro que o assunto voltou a ser notícia uma vez que tudo poderá mudar a partir do ano que vem. Mas o que realmente vai mudar?

Hoje caso você viaje dentro do Brasil (vôo doméstico), para a América Central ou para a América do Sul pode levar sem pagar nada mais por isso uma mala de 23 quilos. Entende-se que isso já está incluso no valor da sua passagem. Viagens internacionais na grande maioria das vezes se você parte do/para o Brasil pode levar até duas malas de 32 quilos sem pagar nada extra. Com a nova regra que a ANAC votará na semana que vem, várias mudanças estão em pauta:

  • Os vôos domésticos continuam até outubro de 2018 com o limite de uma mala de até 23 kg.
  • Vôos para América do Sul e Central terão direito a uma mala de 23 kg.
  • Demais destinos internacionais mantêm a permissão de duas malas, mas com peso máximo de 23 kg em vez dos 32 kg atuais.
  • Entre 1º de outubro de 2017 e 30 de setembro de 2018, os passageiros de todos os vôos, nacionais e internacionais, terão direito a apenas uma mala de 23 kg.
  • Um ano depois, a partir de 1º de outubro de 2018, as franquias de bagagem despachada passam a ser livremente estabelecidas pelas companhias aéreas.

De acordo com a ABEAR – Associação que representa as grandes do setor no Brasil: Avianca, Azul, Gol e TAM, a mudança seria benéfica principalmente para 2/3 dos passageiros que segundo eles viajam sem malas porém pagam o custo do transporte de malas daqueles que viajam com a casa inteira nas costas, uma vez que o custo operacional seria diluído entre todos os passageiros do mesmo vôo. Caso a mudança seja aprovada a bagagem de mão que hoje é de 5 quilos aumentaria para 10 quilos.

Na prática o que isso quer dizer?

Viajo de avião pelo menos 4 vezes por ano em vôos domésticos e internacionais. Os únicos vôos que vi pessoas viajando apenas com mala de mão foram São Paulo/Rio, São Paulo/Brasília, Toronto/Nova Iorque, Nova Iorque/Reagan National (DC), Toronto/Los Angeles, ou seja, os trechos considerados ponte aérea. Todos os outros vôos que peguei, os passageiros despacharam malas. Por milhares de motivos… presentes de familiares, mudanças entre estados/países, ir de um local quente para um local frio e vice e versa. Uma mudança agora nas regras de bagagem pode ser um tiro no pé das companhias aéreas. Primeiro porque cada uma será livre para fazer o que bem entende… e esperta será a que não mudar as regras e se o fizer oferecer para seus clientes alternativas ou facilidades para poder continuar levando suas malas de 32 quilos.

Em agosto quando começamos nossa mudança de Washington D.C para Lomé passando por Miami e São Paulo foi uma mega operação logística e de planejamento justamente por conta das malas. Por mais que 90% das nossas coisas tenham vindo para a África pela empresa de mudança internacional, tivemos que lidar com a dor de cabeça de como chegar até aqui passando por outras cidades sem pagar absurdamente mais caro por isso. Para o trajeto DC-Fort Lauderdale tivemos de pagar bilhetes de primeira classe para poder num vôo doméstico despachar duas malas de 23 quilos cada um. Poderíamos levar até 32 quilos o que seria perfeito, porém nosso trajeto depois até o Togo não permitia malas de 32 quilos. Enquanto a passagem custava $110 dólares para cada um de nós, se quiséssemos levar malas, deveríamos pagar U$200 por cada mala por ser uma tarifa promocional. Porém por U$320 cada bilhete, viajaríamos de primeira classe e poderíamos levar as malas “de graça”. Depois quando fiz Miami/São Paulo eu estava sossegada pois estava dentro da minha franquia de 2 malas de 32 quilos para o Brasil. Porém na última parte da viagem São Paulo/Lomé, foi um inferno. Primeiro fui informada em Washington quando compramos as passagens pela Ethiopian Airlines de que eu teria direito á apenas 2 malas de 23 quilos. Até aí tudo bem, pois essa é a norma no mundo inteiro. Pelo o que pesquisei, o Brasil é um dos únicos países que permitem franquias de 32 quilos e funcionários de cias aéreas mundo afora odeiam os brasileiros pois carregamos de tudo e mais um pouco… Me segurei no Brasil para não enfiar o mercado inteiro na mala e quando cheguei ao aeroporto descobri que eu tinha direito a duas malas de 32 quilos uma vez que eu estava saindo do Brasil (mesmo o bilhete tendo sido comprado nos EUA). Nem a própria cia aérea sabia qual informação dar. Resultado: poderia ter trazido mais 18 quilos de bagagem e não trouxe para Lomé.

Enfim… fiquem de olho quando comprarem suas passagens daqui pra frente, de acordo com a ANAC em abril e maio deste ano os passageiros puderam enviar para a agência soluções para serem consideradas na votação da semana que vem. Você enviou essas sugestões? Eu confesso que nem prestei atenção em nada disso até o perrengue que passamos em agosto… enfim… é sempre assim, só damos atenção a determinado assunto quando dói no nosso bolso, fica a dica para os meus amigos viajantes. Muito provavelmente aquela história do: “Você pode trazer um perfumezinho pra mim do outlet?” vai acabar… porque uma vez que você ou paga pela sua mala ou viaja leve começar a valer… ninguém mais fará favores para outrem quando viajar ao exterior. É importante que a população e o Ministério Público fiquem em cima das cias aéreas para verificarem se elas realmente vão repassar os valores promocionais para aqueles que viajarem sem malas.

E aí quem perde com as novas regras? Eu humildemente acho que todos nós perdemos. E você o que acha disso? Deixe sua opinião na caixa abaixo.

Até o próximo post  =0)

 

 

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Por Érica Brasilino

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1 Comentário

  • Documento de Viagem
    09 dez 2016

    Vamos ficar ligados no nosso próximo vôo! Acho que realmente falta um pouco de orientações mais claras das aéreas ao público em geral .