Categoria: Africa

Africa Togo Viagens

Obrigada Togo

08 de agosto de 2017

Este é um post que eu particularmente tinha pensado em não escrever. Mas seria injusto não falar sobre o país onde moramos e principalmente sobre um país que pouquíssimo se encontra na internet a respeito.

A principal avenida do país

Quando descobri que íamos morar no oeste da África, mais precisamente no Togo, minha primeira reação ao nome do país foi… ONDE? Confesso… eu nunca tinha ouvido falar na minha vida sobre este local e tive que recorrer ao Google para ver onde ele estava localizado no mundo. Desde quando fomos informados sobre a mudança até chegar lá efetivamente, foram 21 meses de preparação e pesquisas que não deram praticamente em lugar nenhum. Eu não conseguia encontrar praticamente nada a respeito. Tinha uma foto ou outra no Instagram mas nada que pudesse me dar uma idéia do que estava por vir na nossa vida.

O Togo é um pequeno país localizado entre Ghana, Benin, Burkina Faso e o Oceano Atlântico. Quente praticamente 365 dias do ano, com 60% da população cristã e 40% muçulmana. Um país onde a poligamia é aceita e praticada por alguns e onde a mulher ainda é vista com algum nível de submissão apesar de ser a força de trabalho mais vista nas ruas.

Se não for uma avenida, não tem asfalto

Quando cheguei ao Togo meu noivo já estava lá por duas semanas. Minha saída do Brasil onde eu estava de férias e aproveitava as Olímpiadas com os amigos foi estressante. Ao fazer o check in no balcão da Ethiopian Airlines em Guarulhos fui chamada de lado pelos agentes da companhia. Primeiro eles nunca tinham visto nenhuma mulher viajar para o Togo (o vôo na verdade é SP – Addis Abeba com uma pausa de 40 minutos em Lomé… mas ninguém desce lá nem muito menos uma mulher sozinha!). Além de tudo eu estava com um ticket de ida apenas e com um visto para o país emitido na embaixada do Togo em Washington DC. Tive de contar toda a minha vida e mostrar fotos do meu Instagram para comprovar a minha história. Depois que tudo foi esclarecido fui informada que o Togo é a porta de entrada para o tráfico internacional de mulheres principalmente em rota para o Oriente Médio, então eles queriam ter certeza de que eu sabia para onde estava indo e tinha uma história plausível… do contrário voltaria pra casa. Confesso que fiquei assustada… mas depois tudo fez sentido, e fico feliz que exista essa preocupação com a viajante do sexo feminino desacompanhada.

Ao chegar ao Togo fui a ÚNICA mulher a descer da aeronave… eu e mais uns 6 togoleses descemos e claro todos eles ficaram me encarando curiosos. Por sorte havia uma pessoa me esperando e fez todos os trâmites para mim (contratada pelo Ezio) e não tive de me preocupar com nada. Só apresentava para ela o que ela pedia e ela traduzia para o idioma local. Foi rápido e indolor na imigração e no check point de vacinação (a vacina de febre amarela é obrigatória para a maioria dos países da África). O Togo exige visto para entrar mas o mesmo pode ser obtido no aeroporto na chegada.

O trânsito caótico sem leis da África

Para sair do aeroporto havia uma fila ENORME. Os togoleses abrem TODAS as malas e tiram todos os itens para procurar por drogas. Eu jurava que estavam de olho em itens de importação… não! A preocupação por lá é o tráfico.

Ao sair do aeroporto pude finalmente abraçar o meu amor. No Togo não é possível esperar seu ente querido que chega de viagem dentro do aeroporto, você tem que ficar no calor togolês de 50c lá fora esperando. O bafo era tão quente que eu pensei que não fosse aguentar morar lá.

O sol escaldante do Togo

O caminho entre o aeroporto e a nossa casa foi longo… parece ter demorado uma eternidade… mas depois aprendi que nossa casa estava apenas a 10 minutos do aeroporto. Enfim… foi o suficiente para eu me questionar por várias vezes: “Que diabos eu vim fazer aqui?????”. Quem nunca visitou a África não tem idéia do que é realmente pisar na África. Existem na minha cabeça pré Togo 3 Áfricas: A super desenvolvida que se resume a África do Sul, a África dos safáris onde os animais correm lindamente pelo cerrado com câmeras escondidas da National Geographic (a louca) e a África paupérrima onde crianças desnutridas estão esperando a morte ou a ajuda de alguém chegar. Nunca pensei num meio termo onde as outras pessoas vivem. E foi neste meio termo que eu cai de paraquedas. Numa capital onde eles têm um aeroporto de primeiro mundo, onde soldados com armas guardam a entrada mas na rua do lado de fora do aeroporto pessoas fazem suas necessidades ao ar livre como se fosse a coisa mais natural do mundo. Ao ver uma senhora agachar na rua para fazer xixi olhando para a minha cara como se ela fizesse isso todos os dias me assustou. Temos a mania absurda de falar mal do Brasil, do governo, do trânsito, mas dar de cara com uma realidade que mesmo nós que viemos de um país com favelas, não estamos acostumados, é para dar tilt em qualquer cabeça. Confesso que fiquei feliz quando o carro virou á direita e entrou num bairro com ruas asfaltadas e com casas lindas que não pareciam estar na África. É feio falar isso? Acredito que sim… mas só estando lá passando por tudo isso simultâneamente para saber como realmente é. Fiquei praticamente uma semana dentro de casa com medo de sair na rua. Mas eu sabia que não podia deixar este medo do desconhecido me ganhar pois eu tinha muito tempo pela frente por lá.

70% da população vive em condições precárias

Claro que estar num país como expatriada, fazendo parte da elite de 1% de pessoas que são consideradas milionárias é surreal. Mesmo sabendo que aqui nos EUA somos classe média e não podemos comprar uma Ferrari, lá éramos vistos como magnatas. E isso muito me incomodava pois eu tenho familiares que lutam todos os dias por uma vida melhor no Brasil, ou seja, eu estava vivendo numa bolha surreal por lá. Nunca na minha vida imaginei ter 4 funcionários em casa e ser chamada de madame. Isso muito me incomodou durante todo o tempo que vivi por lá. Eu nunca usei a piscina de casa nos dias que a Berenice ia trabalhar (segunda, quarta e sexta). Pode parecer ridículo mas eu não tinha coragem de vestir um biquínis e pedir para ela me levar um suco na piscina. Eu também tinha muita vergonha de fazer compras na rua e chegar com as sacolas em casa. Só de saber que nossa compra no mercado por semana era o dobro do valor do salário dos guardas na nossa casa me matava por dentro. Este sentimento de culpa e vergonha me acompanhou durante todo o meu tempo vivendo lá. Saber que minha gaveta de maquiagens tinha o valor do salário da Bernice de 3 anos me enojava. Não comprei nada por quase um ano, não usava maquiagens, não me permitia me arrumar por pura vergonha. Até ouvir de uma amiga psicóloga que como chefe deles uma postura era esperada da minha parte, e eu tinha que agir como a madame (senhora). Isso foi um tapa enorme na minha cara.

O viajante (ocasional ou frequente) tem de ter a mente aberta ao novo. E ir para outro continente traz o choque cultural para a sua realidade diária. É fácil viajar para o Uruguai, Argentina ou até mesmo os Estados Unidos e se sentir confortável. Por mais que sejam outros países, dividimos o mesmo continente e muitas vezes a comida é muito semelhante, como no caso da Costa Rica, México e Cuba. Quando você atravessa o oceano tudo muda de figura. Eu que passei a vida pensando que eu era negra, me vi ser taxada de branca pela primeira vez na vida. Aprendi a dar valor a coisas simples como uma sacola plástica. Ou a caixa de papelão que é utilizada para fazer paredes!

Infância roubada

Claro que existe o togolês classe média, aquele que tem a sorte de ter acesso a educação e a um emprego no governo local ou estrangeiro. E estes tem uma vida consideravelmente confortável. Mas mesmo estes, ainda têm o sonho de imigrar para o Canadá ou para a Alemanha. Essa foi uma das maiores diferenças entre o Brasil e o Togo. Enquanto o Brasil estava numa onde econômica boa, pouco se ouvia falar de pessoas imigrando. Mas quando tudo começa a piorar, o número de pessoas saindo do país aumenta exponencialmente.

Grand Marche, onde sua cor de pele dita o preço

Na cidade a energia elétrica é bem instável e tínhamos geradores em casa. Houveram alguns dias que a energia piscou mais de 10 vezes e o gerador simplesmente trabalhava non stop. A internet também caía com muita frequência, então tínhamos que ter outras formas de lazer como revistas, livros, jogos de tabuleiros ou DVDs (foi assim que começamos a assistir Game of Thrones). Muitas pessoas não tem geladeira ou televisor em casa, então consequentemente muitas não sabem o que está acontecendo no mundo lá fora. Lembro quando mostrei a Bernice a escola de samba do Rio que foi campeã este ano cantando sobre a África, os olhos dela brilharam maravilhados de emoção por ver o continente dela sendo retratado de maneira tão rica.

Minha fiel ajudante Bernice

Por falar na Bernice o dia que jamais vou esquecer foi o dia que perguntei a ela o que ela queria de presente do Brasil. Pensei que ela fosse me pedir uma comida típica ou um par de Havaianas (como eu sou idiota, acho que o mundo inteiro sabe o que são Havaianas) e ela me pediu desodorante!!!!! Como era muito caro na cidade comprar desodorantes, se ela comprasse um ela não poderia comprar comida. Isso porque o salário que ela fazia lá em casa ela era considerada classe média. Quando contei isso pra minha mãe, choramos juntas. Ao voltar do Brasil minha mãe tinha feito um kit de presente para a Bere com vários desodorantes, creme hidratante, batons e outros itens femininos. Jamais esquecerei como ela ficou agradecida.

Crianças sendo crianças

Enfim após 10 meses de Togo estamos de volta á Washington. Eu poderia ficar horas e horas falando sobre o Togo e todas as lições que aprendi neste quase um ano por lá. Eu poderia ter passado dez longos meses reclamando de tudo a minha volta, como era horrível não ter um shopping, um cinema ou qualquer outra coisa para fazer (e não tinha mesmo). Mas preferi optar por ser feliz e absorver a cultura daquele local. E uma lição que vou levar para a minha vida é a de que não importa o tamanho do seu problema, Deus está sempre olhando por você, mesmo que você não veja isso. Agradeça sempre por ter um copo de água limpa ou um travesseiro para descansar a sua cabeça. Nunca vi/conheci gente mais feliz do que a africana, mesmo aqueles que não tem nada. Se um dia tiver a oportunidade de conhecer a África, não pense duas vezes. Mas não a África que vendem nas agências de viagem, mas a verdadeira África, aquela que você vai pensando que vai ajudar, mas sai de lá é presenteado de aprendizado pra vida. Sim o Togo não foi um local fácil para morar, mas foi sem dúvida um divisor de águas na história da minha vida.

Voluntariado com os missionários brasileiros

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Por Érica Brasilino

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Ilhas Maurício – O lado oeste (que realmente vale a pena) da ilha

27 de julho de 2017

E o último post sobre Mauritius demorou quase dois meses para ser publicado, será longo mas terá fotos incríveis (desde que comecei a trabalhar no rascunho dele mil e uma coisas aconteceram na minha vida). Claro que eu deixei para contar sobre a melhor parte da ilha, o lado com as praias e vistas mais estupendas por último. O lado oeste é o mais concorrido pelos turistas, é onde há a maior concentração de hotéis, pousadas e casas de veraneio. Tudo o que lia a respeito quando estava pesquisando sobre o país, indicava que tínhamos que focar especificamente daquele lado, e os guias de turismo e blogs não estavam mentindo.

Nos hospedamos na Pousada Marlin Creek, além de não sermos adeptos de resorts, o valor de vários dias na pousada pagava 1 diária e meia num dos grandes monstros hoteleiros por lá. Mauritius pode ser uma viagem extremamente cara se você optar pelas delícias do all inclusive. Este é um dos segredos das nossas viagens, sempre procuramos locais aconchegantes, intimistas e menores. Além de ter uma ótima classificação no Booking, o casal dono da pousada são uns amores. Amaury e sua esposa são extremamente atenciosos e preocupados com o bem estar dos hóspedes. O café da manhã era bem variado e eles deram ótimas dicas de onde comer e o que fazer (claro que eu já tinha feito o meu dever de casa, mas dicas sempre são bem vindas).

Começamos o tour do lado oeste visitando a Martelo Tower, muito próxima da capital Port Louis. Tivemos um contratempo ao chegar lá… Haviam pessoas muito estranhas na região e não tivemos coragem de descer do carro para ver a torre. Mesmo estando em casal em plena luz do dia, não achamos o local seguro. Vimos a torre pelo vidro do carro e fomos embora. De lá partimos para a Phare d’Albion, já era final do dia e queríamos ver o por do sol deste local. Não nos decepcionou, foi sem sombra de dúvidas um dos locais mais lindos que vimos em Mauritius.

O dia seguinte reservamos ele inteiramente ao Casela Nature Park. Este é um passeio imperdível caso você curta esportes radicais. Casela é um parque onde você pode passar o dia entre animais e a natureza. Há tirolesas, trilhas, hanging bridges e safáris. Pagamos R$73 reais cada um de entrada (MRU 775 – Mauritian Rupies) e R$260 (MRU 2730) pelo tour safari de duas horas num quadriciclo duplo (dois adultos). Ainda pagamos um extra de R$100 (MRU 1000) para a interação com os leões. O Casela é um parque dentro de um parque nacional, então os animais estão soltos no habitat natural. Os animais que estão na área de interação com o público não estão sedados como os animais do Zoo de Lujan na Argentina. Eles estavam ativos numa área cercada com segurança. Os guias são enfáticos ao escolher quem pode entrar na área de interação, dão treinamento antes explicando o que pode e não pode fazer, como se comportar na presença dos felinos, e deixam claro que não seguir a risca as instruções pode ocasionar um ataque por parte dos animais ao grupo. Confesso que fiquei com medo, mas a possibilidade de poder tocar um animal como estes falou mais alto. Fui sem medo.

 

No terceiro dia, dirigimos pelo maior parque da ilha o Black River Gorges National Park. Dirigir por dentro do parque é uma aventura e tanto, uma vez que as curvas são extremamente acentuadas. Como eu já tinha colocado pins no Google Maps, nós já sabíamos o que íamos visitar. Nossa primeira parada foi no parque La Terre de 7 Couleurs. Este é um passeio anunciado por toda a ilha e inclusive você encontra posts a respeito no Tripadvisor. Honestamente… não gostamos. Eles anunciam essa terra que tem 7 cores diferentes e que é o resultado de um vulcão que entrou em erupção a anos atrás… Achamos de uma chatice sem fim. A única coisa que vale a pena lá é a vista espetacular da cachoeira de Chamarel. De 0 a 10, demos nota 3.

Do outro lado da rua tem o Curious Corner of Chamarel, que é uma espécie de Ripley’s Believe it or Not. Seria um local onde você vê experimentos e curiosidades. Achamos o valor bem salgado comparado a outras atrações locais, então decidimos não fazer o passeio. Porém indico veementemente a lanchonete deles. Comemos um peixe com salada e batata frita sensacional (sem pimenta assassina muito comum na culinária local).

Ainda passeando por dentro do parque nacional, chegamos até a Rhumerie de Chamarel, uma fábrica de produção de rum. Há pessoas que amam fazer degustação de vinhos, nós nos apaixonamos por fazer degustação de rum. Como a cana é o produto mais produzido na ilha, a produção de rum de Mauritius é uma das maiores do mundo. La na Rhumerie é possível fazer um tour guiado com explicação sobre o processo de destilação de rum, com degustação de diferentes tipos de rum e geléias produzidas localmente. Foi um passeio bem interessante, sem contar que a rumaria está localizada numa das partes mais altas do parque, a vista é simplesmente exuberante. Ao final do tour você pode fazer uma refeição no restaurante local ou pode gastar seus euros/rupias de Maurício na lojinha da rumaria. Como tudo custava um rim compramos apenas uma geléia local de maracujá divina.

Pra finalizar o dia dirigimos até o Gorges Viewpoint e fomos agraciados com a vista mais maravilhosa que já pudemos encontrar no que diz respeito a floresta/área verde em nossas viagens até hoje. Tirei tantas fotos do mesmo ponto de observação pois era muito difícil acreditar em tanta beleza em um único local. P.S: Só tome muito cuidado ao dirigir nesta sessão do parque, a quantidade de locais que param o carro no acostamento para colher berries no meio do caminho é enorme. É como um esporte local e é muito perigoso.

Já no quarto dia fizemos a tão esperada scenic drive do nosso hotel descendo até a região de Baie du Cap e Bel Ombre. Tombada pela Unesco, é considerada uma das rotas mais bonitas do mundo. Ficamos simplesmente extasiados por dirigir numa rodovia junta ao mar turquesa do oceano índico. Foi sem dúvida o ponto alto da viagem (e o mais esperado também). Macondé é o nome da pedra onde os escravos se jogavam ao mar para não serem transportados para outros países. A mesma pedra foi cortada para dar passagem a rodovia que interliga a ilha. Palavras não são o suficiente para descrever o quão maravilhosa é essa parte da ilha.

De lá fomos para  La Vallee des Couleurs Nature Park. Este parque oferece o mesmo passeio que o Casela, quadriciclo para duas pessoas ou individual. A diferença é que neste o tour de quad passa por cascatas e vistas maravilhosas. O parque é sensacional e o tour de duas horas de quadriciclo foi incrível. Como fizemos um tour em grupo mais um privado de 1 hora com um guia só para nós, ele nos levou no topo da montanha mais alta do parque onde pudemos ver a ilha do pico mais alto e tivemos uma visão de 360 graus. Foi simplesmente animal, valeu cada centavo. O restaurante principal tem uma vista magnifica mas aconselho a tomar cuidado com a pimenta na comida. Quase morremos. Como o parque é de indianos, o tempero é muito forte e não vende cerveja (a agua é grátis!!!). Não me lembro os valores deste parque e eles também não disponibilizam na internet…

No quinto dia pegamos uma praia (finalmente). Mas não foi qualquer praia… foi simplesmente uma das praias mais linda do mundo segundo o Tripadvisor. Passamos o dia na estonteante Le Morne. A agua era de um azul que não dava para acreditar que fosse real, totalmente sem ondas. Uma verdadeira piscina natural a céu aberto. Água morna e vista espetacular. Você pode curtir Le Morne tanto de um resort como na parte pública. Pensamos em pagar um day use num dos resorts locais… até descobrirmos que há um restaurante ótimo chamado Emba Filao que você pode usar a cadeira e mesa deles (desde que você consuma, claro). Como o marido morre de medo de sol, pra ele foi ótimo pois ele pôde curtir a sombra e água fresca enquanto eu me esbaldava no sol maravilhoso de Mauritius. Foi uma maneira maravilhosa de encerrar a nossa viagem cinematográfica por um dos lugares mais lindos do mundo.

Nós somos muito adeptos de viagens de praia, gostamos de destinos quentes e paradisíacos. Já tivemos a oportunidade de conhecer lugares sensacionais no Brasil e no exterior, mas Mauritius é sem sombra de dúvidas um dos lugares mais fenomenais que tivemos a oportunidade de visitar. Não costumamos repetir destinos, mas se tivesse que voltar a algum lugar que já conheço, Mauritius seria a escolha sem pestanejar.

Se você tiver perguntas sobre a ilha, deixa nos comentários que respondo pra você,

Um abraço e até o próximo post  =0)

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Por Érica Brasilino

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Ilhas Maurício – O lado norte da ilha

26 de maio de 2017

Quando estávamos planejando nossa viagem a Mauritius, decidimos dividir a ilha em três partes e nos hospedarmos em três pontos distintos para podermos conhecer essa ilha ao máximo. Não somos viajantes que ficam apenas 4 dias na capital e dizemos que conhecemos tal país, gostamos de nos aprofundar na história, cultura local e entender onde estamos pisando. Confesso que a primeira parte da viagem me deixou extasiada quanto a beleza exuberante de muitas praias, mas achei Mahebourg a cidade onde nos hospedamos velha e sem muitos atrativos turísticos. Por ser um dos primeiros pontos de entrada na ilha na época das grandes navegações, Mahebourg não é muito bem cuidada.

Seguimos para o norte e no caminho paramos para conhecer o Chateau Labourdonnais. Uma das casas mais bonitas da ilha, construída pela família mais importante da região na época das grandes navegações, hoje funciona como museu e rumaria. Além da visita guiada à mansão e aos jardins (sensacionais), também é possível fazer degustação de rum, uma das bebidas mais produzidas no país. No local também tem um restaurante muito chique (e caríssimo) onde os locais vão para eventos e reuniões.

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Chateau Labourdonnais

Após conhecer o chateau fizemos check in na nossa morada no norte, um apartamento sensacional do grupo Element Bay 2. Ficamos surpresos com a limpeza, decoração, velocidade da internet e atenção dos locatários. Por ser um apartamento convencional, nós pudemos ir ao mercado e fazer o nosso próprio café da manhã. Também tínhamos acesso a internet e uma Smart TV com Netflix. O serviço de recepção do grupo locatário foi sensacional, eles deslocaram uma funcionária para nos falar das comodidades do apartamento fora todas as oportunidades de passeio da ilha.

No dia seguinte escolhemos a praia de Mont Choisy para passar umas horinhas. A praia é pública e conta com alguns food trucks de comida e bebida. A água de um azul lindíssimo e mar calmo são uma linda combinação. Depois dirigimos até a ponta mais norte da ilha, Cap Malheureux (Cabo da Má Sorte em francês) e ficamos extasiados com a vista do local.

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Cap Malheureux

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Entardecer em Pereybere/Grand Baie (sem filtro)

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Pegando uma cor em Mont Choisy

Reservamos um dia inteiro para ir na exclusiva Ilê Aux Cerfs. Dirigimos até a praia de Trou d’Eau Douce e de lá pegamos a embarcação para a ilha. Ilê Aux Cerfs é uma ilha privada onde você pode passar o dia em águas cristalinas ou pode aproveitar para experimentar os três restaurantes e bares, há também várias atividades aquáticas que podem ser contratadas por lá. Bem visitada por turistas e locais, você pode tanto optar por passar o dia inteiro ou metade do dia. Passamos meio dia por lá, pois fomos justamente no único dia chuvoso das nossas férias. Ao sair da ilha dirigimos para o Hindu Temple na região de Poste de Flacq. A entrada do templo é por uma rua medonha… tivemos a sensação de que íamos para um abatedouro… mas felizmente não desistimos e visitamos o local. O templo fica situado numa área verde lindíssima e tem uma vista privilegiada do rio e do mar. Fizemos uma visita guiada onde o neto do fundador do templo nos explicou sobre a origem da religião hindu, a crença no Ganesha, Shiva e outros deuses. Foi uma aula de religião e cultura. Fizemos nossas preces e fomos abençoados. Não há taxa de entrada mas eles pedem uma doação ao final do tour.

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Ponto de Embarcação em Trou d’Eau Douce

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É possível ver a água azul turquesa na exclusiva Ilê Aux Cerfs mesmo com um temporal a caminho

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No caminho entre Trou d’Eau Douce e Ilê Aux Cerfs é possível se hospedar no exclusivo Shangri-lá Resort onde só se chega de barco. Diárias à partir de EUR 283

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Hindu Temple

No nosso último dia no lado norte fomos conhecer um dos mais famosos pontos turísticos de Mauritius, o jardim botânico Sir Seewoosagur Ramgoolam Botanic Garden. Uma bonita área verde no meio de uma das maiores cidades da ilha, o ponto alto da nossa visita foi sem dúvida o maravilhoso lago onde há vitória régias gigantes trazidas do meu amado Brasil. De tirar o fôlego. Depois fomos almoçar no único shopping da ilha o Le Caudan Waterfront, por ser um sábado estava apinhado de gente, o que não foi uma experiência agradável. Indicamos o Arabia Gourmet Café onde provamos wraps árabes sensacionais. Como já visitamos outras marinas na Espanha, Brasil e EUA, essa não nos impressionou tanto.

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Sir Seewoosagur Ramgoolam Botanic Garden

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Le Caudan Waterfront

Deste lado da ilha indicamos o restaurante italiano Luigi’s. A pizza deles é divina e o restaurante é bem frequentado. Por estar no Lonely Planet e no Tripadvisor, vá sabendo que pode haver espera para sentar. Fomos atendidos em português (de Portugal) por um garçom (uma adorável surpresa).

Escrever sobre Mauritius me deixa com vontade de voltar para lá…

Até o próximo post  =0)

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Por Érica Brasilino

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Ilhas Maurício – O lado leste da ilha

16 de maio de 2017

Após dois intensos meses onde viajamos de férias + recebemos minha melhor amiga em casa aqui no Togo + provas finais de semestre na faculdade… volto a postar sobre as Ilhas Maurício.

Ao chegarmos ao aeroporto Sir Seewoosagur Ramgoolam, os agentes de imigração pediram para apresentarmos passagens de volta e o endereço onde nos hospedaríamos completo com telefone e pessoa de contato. Pelo o que nos foi explicado por um dos locais, como Mauritius é o país mais rico do continente africano, eles querem evitar imigração ilegal a todo custo. Mesmo com reservas efetuadas em três locais diferentes, apresentamos apenas o contato do primeiro hotel e não houve maiores problemas. A vacina contra febre amarela também é obrigatória para poder entrar no país.

 

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Aeroporto SSR – Sir Seewoosagur Ramgoolam

O primeiro hotel que nos hospedamos na ilha foi o ChillPill Guest House. A dona, uma senhora francesa muito simpática foi de uma atenção absurda durante a reserva quando nos explicou sobre o processo de imigração na chegada à ilha, e também nos orientou com informações sobre onde ir e o que fazer. Dividimos a ilha em três partes para poder dirigir e conhecer melhor. O primeiro hotel ficava a apenas 10 minutos de carro do aeroporto, e foi muito fácil localizar utilizando o Google Maps.

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Vista do nosso quarto no Chill Pill Guest House

A vista do hotel foi sem dúvida um dos motivos pelo qual escolhemos o Chill Pill. Após oito meses seguidos no Togo, estávamos necessitados de ver algo bonito. Nosso quarto tinha o balcão de frente pro mar e acordávamos todos os dias com o barulho do oceano. Reservamos o hotel pelo Booking, mas após bater um papo com eles, optamos por fazer a reserva diretamente com o hotel, além de economizarmos com uma taxa mais em conta, eles também evitaram pagar a taxa intermediária pro site. O café da manhã era simples com pães, geléia, sucos, café, iogurte, chá e ovos.

Neste lado da ilha optamos por comer em alguns restaurantes que estavam no guia da Lonely Planet. Visitamos o indiano La Vielle Rouge e comemos um frango apimentado dos deuses; o restaurante com comida crioula local Le Bougainville – adendo: não tivemos coragem de comer comida local, pois eles adoram pimenta e eu já tinha passado muito mal com queda de pressão na noite anterior quando visitamos o restaurante indiano – acabamos optando por uma pizza mesmo. Pedimos drinks mas achamos o teor alcoólico muito alto; no dia seguinte comemos no McDonald’s (eu precisava de junk food). Uma das coisas mais interessantes do McDonald’s local é que há apenas 5 opções de lanches com carne e mais de 10 com lanches de frango. Como a população é predominantemente descendente de indianos, quase não se come carne por lá. Existem McChickens de tudo quanto é jeito que você imaginar: duplo, triplo, picante, extra picante, sem pimenta, grelhado, frito. É insana a quantidade de frango consumida por lá.

Deste lado da ilha visitamos as praias de Blue Bay, Pointe D’Esny, La Cambuse, Trou D’Eau Douce, Palmar, Belle Mare e Gris Gris. Uma mais deslumbrante que a outra. A mais bonita de todas é sem dúvida Blue Bay e Palmar. Blue Bay é utilizada pelos locais para aulas de natação para as crianças. Por ser uma piscina natural, a praia, totalmente sem ondas só é utilizada pelos turistas para fotos. O azul infinito chega a ser surreal. Pegamos uma corzinha em Palmar que estava praticamente deserta. Uma das coisas mais interessantes a se notar sobre Mauritius, é a divisão entre praias de locais e para turistas. Há praias públicas por toda a ilha, e você pode com certeza visitar qualquer uma delas. Porém nós optamos por não usarmos as praias onde os locais frequentam. Era muito comum ver mulheres vestidas completamente nas praias dos locais, ou grupos fazendo oferendas ao Lorde Ganesha por exemplo… eu não me senti confortável em tirar a roupa e mostrar meu corpo tatuado por lá. Já as praias frequentadas por turistas você vê todos os tipos de pessoas (além de alguns poucos locais). Mas fica a seu critério e como você se sente mais confortável.

 

E nesta parte da ilha visitamos alguns pontos turísticos que não são propriamente na praia mas com vistas espetaculares. Entre eles a cascata Rochester Falls que eu veementemente não aconselho a visitar sozinho. Nós somos turistas que fazem tudo sozinhos com guia de viagem, gps e coragem. Achamos a localização péssima para se chegar se não for num 4×4 e achamos as pessoas que estavam por lá muito estranhas. Talvez se tivéssemos ido até lá com um grupo + guia teríamos nos sentido mais seguros. Quando chegamos haviam dois casais alemães que estavam indo embora e mais três locais que estavam lá de bobeira sentados olhando pro nada. Quem fica de bobeira no meio do mato olhando pro nada? Não pensamos duas vezes e saímos correndo de lá.  Visitamos também a formação rochosa “que chora” La Roche Qui Pleure na região de Souilac e a vista espetacular do Le Souffleur. Ambos super fáceis de se encontrar pelo GPS mas aconselho a prestar atenção caso chova. Se chover um dia antes e você tiver alugado um carro pequeno, evite. O caminho é entre buracos e lama. A vista compensa e se for o caso, contrate uma agência. E pra finalizar este lado da ilha visitamos a Pointe du Diable e vimos a deslumbrante Lion Mountain.

Este lado da ilha não tem tanto entretenimento. É menos visitado por turistas. A grande maioria evita essa região para dormir e passa rapidamente por lá. Claro que na alta temporada se as outras regiões já estiverem lotadas e sem vagas de hotel, é uma boa opção se hospedar por lá. Se voltarmos um dia a Mauritius, passaremos pelo lado leste rapidamente só para olhar para a Blue Bay e nada mais.

Nos próximos posts falarei sobre as outras regiões da ilha.

Até lá  =0)

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Por Érica Brasilino

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Africa Documentação de Viagem Mauritius Quando Viajar Viagens

Ilhas Maurício

18 de abril de 2017

“Maurício foi criada primeiro, depois o paraíso.” Mark Twain

Após uma pausa merecida de duas semanas fora do Togo, depois de 7 longos meses por aqui, volto a blogar hoje justamente sobre o nosso destino de férias: As Ilhas Maurício. No post de hoje vou comentar porque escolhemos o destino e mais curiosidades sobre este país encantador no meio do Oceano Índico.

Abre

Crédito: O Globo

Ao pesquisar destinos para nossa petit pause, sabíamos que iríamos viajar pela África. Por já morar neste continente, queríamos conhecer um país diferente por aqui mesmo.  Temos uma lista de locais para viajar e Maurício estava no top 3. Mesmo morando num país onde o verão nos presenteia com a sua presença praticamente 365 dias do ano, queríamos um local onde pudéssemos unir praias deslumbrantes com turismo de aventura. Estávamos em dúvida entre quais das ilhas focar uma vez que Mauritius, Reunion, Rodrigues e Seychelles estão relativamente na mesma região, queríamos ter a certeza de que nossa escolha seria uma ilha que oferecesse eco turismo, turismo de aventura, história e praias de tirar o fôlego. Curiosidade: Seychelles foi o destino de lua de mel dos príncipes William e Kate. Após muito pesquisar, batemos o martelo por Mauritius e não nos decepcionamos.

Chegar em Mauritius saindo do Togo não foi nada fácil. As conexões para as ilhas saem todas de Joanesburgo na África do Sul e não temos vôo direto para lá… não tínhamos, porque lógico que após comprar nossas passagens fomos informados de que a South African vai começar a operar este destino à partir de junho. Ohh well… dirigimos por 5 horas para Accra a capital do país vizinho, Ghana. Vou postar depois única e exclusivamente sobre o perrengue ridículo que foi esta jornada. De Accra, voamos para Joanesburgo e de Joburg voamos para Mauritius. Quando o avião começou a se aproximar da ilha, confesso que todo o perrengue do deslocamento foi superado, o espetáculo começa antes mesmo de você colocar os pés na ilha.

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Crédito: Érica Brasilino

Localizada a 800km da costa da ilha de Madagáscar, a ilha tem como vizinho mais próximo a ilha Reunion que seria um departamento (estado) da França. Há 14 vôos diários entre as duas ilhas com duração de 30 minutos. Pensamos que teríamos tempo para ver Reunion mas vai ficar para a próxima viagem. Maurício foi descoberta pelos portugueses (claro) em 1505. O país se tornou independente em 1968. É um país democrático com eleições diretas e é considerado o país mais rico da África. A ilha inteira tem uma população aproximada de 1.2 milhões de pessoas e o seu produto principal é o açúcar. Ele é plantado por 90% da área de cultivo. O idioma oficial é o francês e o crioulo. Você encontrará pessoas que falam um pouco de inglês mas com o sotaque extremamente carregado. É muito difícil visitar o país falando apenas português ou espanhol. A população de Maurício é predominantemente de origem indiana. Conversando com locais soubemos que chegam a 70% dos habitantes. Isso se reflete tanto na culinária local como no número incontável de templos hindus espalhados em cada esquina. O restante da populaçao é de origem africana, chinesa e expatriados europeus.

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Pointe d’Esny – Crédito: Érica Brasilino

Após essa mini introdução te pergunto: porque ir? Porque é um dos locais mais lindos do planeta Terra. Os tons de azul se misturam de uma maneira no horizonte que não dá pra saber onde termina o mar e começa o céu. O verde das montanhas no lado oposto ao mar são um plus. Para quem é brasileiro como eu, muito me recorda as praias do litoral norte, só que com o azul infinito no horizonte. A ilha é cercada por uma enorme barreira de corais que faz com que 90% das praias sejam uma enorme piscina de água morna e areia branca. A alta temporada na ilha é entre dezembro e março, quando o preço dos resorts estão nas alturas e a ilha está lotada de gente por todos os lados. Optamos por abril pois sabíamos que a temperatura estaria mais amena e os preços estavam mais em conta. Para chegar às ilhas Maurício saindo de São Paulo fiz uma simulação no Kayak para setembro e vi passagens de ida e volta pela South African por U$1650 aproximadamente R$5250 reais na cotação de hoje. Este vôo com escala em Joanesburgo seria longo no retorno, com uma espera de 15 horas entre os vôos. Neste caso eu aconselharia pegar uma escala maior de 48 horas e passar pelo menos 2 dias por lá. O máximo que já fiquei num aeroporto foram 7 horas e confesso que é um porre.

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Pereybere – Crédito: Érica Brasilino

Brasileiros não precisam solicitar visto antecipadamente. O visto é emitido no aeroporto na chegada, e você precisa apresentar o bilhete de volta para poder ser admitido no país. No guichê da imigração, eles pediram para apresentarmos o voucher de retorno, as reservas de hotéis e o mais importante a caderneta de vacinação internacional com a comprovação da vacina de febre amarela.

No quesito acomodações a ilha oferece 3 tipos: residências, bed and breakfasts (pousadas) e resorts. Os preços variam muito e tudo aqui vai depender de quanto você está disposto a pagar. Nós não somos fãs de resorts, uma vez que não ficamos dentro do hotel. Só precisamos mesmo de uma cama confortável, chuveiro quente e ar condicionado. Nessa viagem porém, diversificamos a nossa estadia pois dirigimos por toda a ilha e pudemos nos hospedar em 4 hotéis diferentes. Nos próximos posts vou dividir a ilha por regiões e falarei sobre os locais onde ficamos e o que fazer em cada região. Mas só para ter uma idéia na média temporada (shoulder season) uma residência que loca no mínimo quatro noites fica em torno de U$653, um bed and breakfast que loca no mínimo três noites, você pode encontrar quartos por U$336 o período e os resorts… well… eles começam a conversar com você, se você estiver disposto a pagar U$350 por noite. E claro tudo depende da localização do resort e do quarto que você escolher. Vimos resorts que a noite custa facilmente U$1400.

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Resort Tessarouk na exclusiva ilha Aux Cerfs – Crédito: Érica Brasilino

No que diz respeito a transporte nós optamos por alugar um carro. Após muito pesquisar descobri que existe uma diferença bem grande entre alugar nas empresas que estão dentro do aeroporto e com as menores, locais. Optamos por uma locadora pequena familiar e pagamos cerca de 30% mais barato no valor total do carro para os 15 dias. A ilha utiliza a mão inglesa, então meu marido ficou responsável por dirigir. Achei muito confuso. Eu teria matado a gente facilmente pois tudo é feito pelo lado esquerdo. Até o câmbio do carro é do lado esquerdo. No way. Ter um carro disponível foi uma mão na roda. Percebemos ao longo das duas semanas que haviam dois tipos de turistas por lá: os que faziam tudo sozinhos com mapas e gps (a.k.a: nós) e os que tinham motorista particular. Honestamente eu não me sentiria confortável com um motorista por lá, uma vez que as estradas são muito estreitas e muito sinuosas. Não apenas tínhamos mais liberdade para fazer o que quiséssemos a hora que bem entendessemos, como também me senti mais segura com o marido na direção e não um local. Mas ai vai de cada pessoa, como já mencionei em posts anteriores, há vários tipos de turistas. A locação do carro começa a partir de U$56 a diária para um carro compacto.

E por fim o dinheiro em Mauritius é a Rúpia de Maurício. 1 dolar é equivalente a 35 rupias. Cartões são aceitos por praticamente toda a ilha, mas é importante ter rúpias trocadas caso você decida viajar pelo interior da ilha e queira parar para comprar uma coca cola por exemplo. E também para dar gorjetas ou comer na praia em alguns raros quiosques que não aceitam cartões de crédito. Por 200 rúpias em média você come um prato de arroz, salada e filé de peixe na maioria dos restaurantes. Por 60 rúpias uma porção de batata frita, 198 rúpias um número 1 completo no McDonald’s.

Nós próximos posts vou comentar sobre os passeios que fizemos, onde nos hospedamos, o que comemos e as melhores praias. Confesso que já estou com saudades de Mauritius.

Até o próximo post  =0)

 

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Por Érica Brasilino

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Africa Benin

Ouidah – Benin

14 de março de 2017

Este é um daqueles posts que eu quero muito escrever mas não sei por onde começar… Antes de vir para a África eu achava que sabia sobre a história do meu país e nossos antepassados, achava que as aulas de História na escola tinham me ajudado a moldar a minha personalidade e a entender quem eu sou ou de onde vim. Ledo engano… Vir para este lado do oceano não apenas está me transformando como pessoa mas tem me ensinado muito sobre valorizar as minhas origens e ter orgulho disso.

Ouidah é uma das cidades mais famosas do Benin, país localizado no Oeste da África. Colonizado por portugueses em 1580 a cidade é famosa por ter sido a terceira maior exportadora de escravos para o Brasil e as Américas e o maior porto escravocrata do Oeste da África.

Passamos apenas 3 dias no Benin mas já sabíamos que Ouidah seria parada obrigatória. Saímos de Cotonou a capital e ao invés de seguir a rodovia principal decidimos seguir uma avenida secundária chamada Route des Pêches que era visível no Google Maps e aparentemente teríamos a companhia do mar até lá. A estradinha era uma das mais esburacadas que já pegamos mas o visual foi sensacional. O trajeto levou aproximadamente 1 hora.

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No caminho a primeira parada que fizemos foi ao avistar um grupo de pescadores recolhendo a rede do mar. É uma das atividades mais bonitas em grupo que eu já presenciei na vida. As redes tem mais de 3 quilômetros de extensão e eles fazem um ritual onde um dos pescadores toca um tambor em agradecimento aos orixás/deuses pelo alimento e pelo trabalho concedido. Essas redes ficam na água durante toda a noite e são retiradas de manhã. Geralmente todos os homens da vila ajudam. Enquanto o tambor é tocado ele dá o ritmo para que todos puxem a rede simultaneamente. É triste mas muito me lembrou os filmes sobre escravidão onde eles também remavam no porão dos navios negreiros no mesmo ritmo…

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Crédito: Stefan Heunis for GettyImages

Quando tentei tirar fotos uma das esposas dos pescadores foi bem agressiva comigo e disse que se eu quisesse fotos teria que pagar 25000CFA (aproximadamente R$130) para a associação de pescadores, ou então ela iria me bater. Sim… ela foi extremamente enfática e me mandou abaixar a câmera. Eu disse a ela que pagaria porém não aquele valor uma vez que o salário mínimo local mensal é este valor. Não entramos em um acordo e eu disse a ela que veria as imagens de graça pelo Google. Foi bem estressante e num francês macarrônico tanto da parte dela como da minha parte. Consegui uma foto de longe e de dentro do carro, mas conseguimos assistir parte do trabalho deles. Nós não nos sentimos seguros por lá uma vez que os olhares (de raiva, rancor, ódio, inveja…não sei distinguir) estavam muito intensos pro nosso lado e decidimos ir embora. Uma pena.

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Voltamos para a nossa linda estrada esburacada e avistamos um dos templos mais importantes do Voodoo no Benin, o Temple Vaudoum Adahouto Houta. Como já tínhamos passado um perrengue com os pescadores decidimos por não sair do carro nessa parte do país. Somos dois estrangeiros com um carro enorme numa parte não visitada frequentemente por turistas. Não dá pra saber quem vai nos receber com animosidade ou não. Porém vi um altar para uma entidade na porta do templo e pelo pouco conhecimento que tenho do Candomblé no Brasil acredito eu que se tratava de um exu Tranca Rua. Sendo ele ou não eu pedi licença por ter tirado uma foto e seguimos viagem.

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Chegamos finalmente a Ouidah e eu já estava numa ansiedade absurda. Ao me dar conta de que estava pisando onde milhões de pessoas pisaram pela última vez antes de entrarem em embarcações rumo ao meu amado Brasil me abateu de uma maneira sem igual. Fui acometida de uma tristeza muito grande e uma vontade enorme de chorar.


Como tudo na África, a cidade é bem pobre, e apesar de ser tombada como Patrimônio Mundial da Unesco, isso não significa que ela tenha uma estrutura turística adequada. Seguindo a indicação do Google Maps encontramos a Floresta Sagrada, onde os escravos passavam por um ritual de esquecimento antes de embarcarem rumo ao trágico destino desconhecido.


Confesso que não entramos. Eu não me senti pronta para entrar lá. Disse ao marido que se ele quisesse ir por mim não teria problema, eu o esperaria no carro. Me bateu uma angústia, aflição, desespero, opressão no peito. Um dos guias que aguardavam trabalho do lado de fora da floresta nos abordou e tentou me persuadir a entrar. Eu expliquei para ele que era brasileira e que sabia o que era o voodoo. Conversamos sobre o Candomblé, Umbanda e a herança africana na cultura brasileira e ele entendeu que não conseguiria me fazer entrar lá. Como uma pessoa que já leu muito sobre religião eu acredito que exista o bem e o mal e acredito que ainda hajam poderes naquela floresta que vagam por lá. E eu não estava preparada psicologicamente e espiritualmente para entrar. Quem sabe eu volte? Afinal estamos a apenas duas horas de carro de lá.

Depois da floresta visitamos o Temple des Pythons. Na entrada haviam dois senhores que logo eu reconheci suas vestimentas. Expliquei ao Ezio que eles eram considerados “pais de santo”como chamamos no Brasil. Eles perguntaram de onde éramos e quando eu falei Brasil pra minha surpresa ele me soltou um “Oi como vai você?”. Na cidade existe um número enorme de descendentes de escravos que após a abolição no Brasil, voltaram para Ouidah e seguiram suas vidas. Os De Souza, De Almeida, Oliveira estão espalhados pela cidade. Foi como conversar com um velho amigo e ouvir histórias que nossos professores não nos contaram no colegial.
Dentro do Templo conhecemos a árvore sagrada, local onde todas as tarde um animal é sacrificado para a grande Python. As cobras são veneradas nessa cidade como fonte de poder para os sacerdotes do voodoo. Pessoas do mundo inteiro praticantes da religião visitam o templo uma vez na vida para poder se energizar. Na segunda semana de janeiro é quando acontece o festival anual do fetiche e o templo tem o pico de turistas por dia. Lá tem uma oca com as 50 cobras sagradas do fetiche e o guia queria muito que eu entrasse lá. Claro que eu educadamente recusei (algo que o ofendeu tremendamente), mas antes ele se sentir ofendido e eu sair de lá viva do que ele ficar feliz que eu entrei e ser atacada por cobras. Por mais que ele tenha falado que elas não atacam por serem sagradas a única coisa que passava pela minha cabeça era a que eu morreria sem atendimento médico adequado caso uma delas decidisse me dar uma mordidinha. No… thanks.


O máximo que fiz foi tirar uma foto com ela perto… mais que isso, no way.

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De lá seguimos a Route des Esclaves que é a avenida principal da cidade que leva do centrinho de Ouidah para a praia. Os escravos após passarem pelo ritual do esquecimento na Floresta Sagrada desciam essa avenida acorrentados e ficavam ali esperando o momento de embarcar.


E fechamos nossa visita a Ouidah na Porte du Non Retour, monumento erguido onde aproximadamente 222 mil escravos embarcaram rumo ao Brasil e as Américas. O interessante foi presenciar um número sem fim de ônibus de turismo chegando abarrotado de pessoas por todos os lados com africanos de todas as idades aprendendo sobre suas origens. Fiquei muito emocionada.

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Confesso que não imaginei que ficaria tão abalada ao visitar Ouidah, aprendi muito e finalmente fiquei com vontade de ir a Salvador conhecer o Pelourinho e a Casa do Benin na capital da Bahia. Estar aqui deste lado e ver sobre outra perspectiva como foi a ida dessas pessoas que se misturaram aos indígenas e aos portugueses e deram origem ao nosso povo é muito gratificante. Ver a questão do negro na sociedade africana/brasileira/portuguesa e entender como temos uma dívida histórica com eles é algo que levarei comigo para sempre. Sou tremendamente grata da oportunidade de presenciar com os meus olhos tudo o que tenho aprendido ate agora.

Até o próximo post  =0)

 

 

 

 

 

 

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Por Érica Brasilino

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Africa Benin Onde comer

Benin

07 de março de 2017

Hoje falo sobre minha visita de 4 dias ao Benin o pais que mais exportou escravos no Oeste da África.

Como chegar ao Benin?

Saindo de São Paulo há um voo entre Guarulhos e Lomé (capital do Togo) e daqui há uma conexão para Cotonou (capital do Benin). Na cotação de hoje vi estes dois trechos por U$1100 Trumps na Decolar.com. Viajamos de carro entre o Togo e o Benin e o processo na fronteira foi bem diferente de tudo o que já passei. Saindo do Togo você passa pelo guichê para carimbarem a saída do pais. Na entrada no Benin você estaciona o carro novamente e passa no guichê onde o oficial pergunta o motivo da sua viagem e quanto tempo ira ficar por lá. O interessante aqui e que você sai do carro nos dois lados da fronteira. Para cidadãos brasileiros o visto pode ser emitido na própria fronteira e você paga as taxas alfandegarias por lá. Como eu sou da turma que acha que o precavido não se molha… eu já tinha solicitado meu visto no Consulado Honorário do Benin no Togo então foi mais rápido. Por $10 000CFA (aproximadamente 50 reais) eu solicitei um visto de uma semana (acabei de ver no site da Embaixada do Benin no Brasil que o visto de dois meses múltiplas entradas custa R$100). O máximo que eles concedem são três meses. A foto abaixo foi retirada de um site local do Togo, uma vez que fotografias são proibidas na fronteira.

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Credito: http://news.icilome.com

Logo após cruzar a fronteira ficamos na cidade de Grand Popo no primeiro dia. A praia e espetacular porem eu não recomendo de maneira nenhuma o hotel em que ficamos Bel Azur. Em Grand Popo visitei a casa de um senhor que sozinho faz o que o Projeto Tamar faz no Brasil. Ele recolhe os ovos de tartaruga na praia em frente a sua casa e enterra na areia ate elas nascerem. Alimenta os filhotes por dez dias e depois as lança ao mar. Ele nos explicou que o governo ate ajudava no inicio (há 22 anos atrás) mas a verba a muitos anos foi cortada por falta de dinheiro. Hoje ele vive com contribuições que recebe de turistas (que não são muitos por motivos óbvios) e de moradores. Eu que já visitei o Projeto Tamar em Ubatuba e em Fernando de Noronha fiquei bem comovida com o trabalho dele. Uma pessoa quase sem instrução ter essa visão de proteger um animalzinho indefeso. Ganhou meu coração.

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O que sao aqueles tres pontinhos na areia? Tartaruguinhas bebes.

Almoçamos no Alberge de Grand Popo que foi uma grata surpresa. Localizado num casarão antigo da época da ocupação portuguesa, a comida e excelente e a vista primorosa. Como tenho muito receio de comer fora da minha casa por medo de intoxicação alimentar por má higiene eu pedi uma salada de tomates com abacate e de sobremesa pedi uma banana flambada. Uma delicia.

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Credito: Erica Brasilino

A tarde seguimos viagem para Cotonou… aí foi um grande choque. Eu sempre ouvia nossa ajudante Berenice falar que as motos por lá são como enxames de abelha… e ela não estava brincando.

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Credito: Pius Utomi Ekpei/AFP

 

Vir de Washington/São Paulo pra Lomé já foi um susto muito grande…, mas Cotonou se superou. A quantidade de motos por habitante e absurda. Os zemidjans (moto taxistas) usam uma camiseta amarela para identificar a categoria (o que facilita e muito a vida de quem tem que pegar um taxi uma vez que você sabe para quem acenar… diferente de Lomé que você acena para qualquer um e não sabe quem é taxi e quem é pessoa normal). Fiz vários vídeos porque eu fiquei impressionada com a desorganização no transito. Ate comentei que eu não dirigiria nunca por lá…, mas eu também falava isso de Lomé e hoje vou para todos os lados.

Em Cotonou ficamos hospedados no Urban Suites. Foi uma adorável surpresa após o susto que levamos no hotel em Grand Popo. A localização do hotel nao e das melhores… longe da area dos melhores restaurantes, mas o hotel não deixou a desejar. O café da manha deles e nota 10 com iogurtes, pães, sucos, chás, café, chocolate, omelete e frutas. Fiquei bem satisfeita com o serviço.  Tem também wifi (velocidade africana… bem inferior a São Paulo/EUA), piscina e guarda na porta 24 horas.

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Urban Suites Cotonou

Por la visitamos a Obama Beach (of course). Nessa região ficam os melhores hotéis e as embaixadas. Vimos a americana, a cubana, a chinesa, mas não vi a do Brasil. E nessa área também ficam os melhores restaurantes. Confesso que fiquei com invejinha de quem mora lá… comemos muito bem durante nossa estadia. Após 6 meses sem quase nada de opção para comer fora aqui no Togo, foi maravilhoso poder comer algo diferente. Por lá indico:

Bangkok Terrasse – Comida Tailandesa

Tudo lá nos agradou. Desde a decoração, ao serviço (não é padrão africano que demora 1 hora para chegar o prato a sua mesa). Pedimos de entrada dois tipos diferentes de dumplings (como se fossem guiozas fritos) um de camarão (sensacional) e um de frango (não tão bom quanto o outro). E de prato principal pedimos um pad thai de camarão com frango (misto). Comemos ate nos fartar

Bistrot Japonais Daruma – Comida Japonesa

Quase chorei de emoção ao comer lá. Comida japonesa de qualidade e tão difícil de encontrar… e no Daruma e de comer de joelhos. Pedimos vários itens do cardápio para petiscar e tudo estava maravilhosamente delicioso. Pedimos guioza, rolinho primavera, sunomono, frango picante frito, camarão gigante empanado e sashimis. E para melhorar o que já estava fantástico o suco de manga deles natural e divino. Vai ganhar um review no Tripadvisor com certeza.

Festival des Glaces – Lanchonete/Pizzaria/Sorveteria

Outro motivo para me fazer voltar a Cotonou foi este achado. Paramos por lá somente porque o local estava bombando e seguindo a lógica paulistana lugar que bomba e porque é bom. E não decepcionou. Como aqui no Togo, locais que são de libaneses geralmente são os melhores em atendimento e qualidade la segue a mesma linha. Pedi um sorvete de duas bolas sendo uma de Kinder Ovo e Coco. Era tão maravilhoso que o marido deixou o dele de Pistacho e quis comer o meu. Enquanto estávamos por la vimos outras mesas serem servidas pratos que pareciam ser muito bons como pizza, ou frango com cuscuz e batata frita (cuscuz aqui e servido como arroz e não e este que você esta pensando não).

Enfim deixei os links ao longo do post caso você vá para o Benin ficar mais fácil a pesquisa. No próximo post falarei apenas sobre a nossa visita a Ouidah, a cidade onde o Voodoo foi concebido.

E você ficou curioso sobre o Benin? Deixe seus comentários pra mim.

Ate o próximo post  =0)

 

 

 

 

 

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Por Érica Brasilino

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