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Documentação de Viagem Estilo de Vida Outros Saindo do Brasil

Green Card através do Casamento

14 de maio de 2019

***Antes de continuar a leitura deste post, esclareço que não tenho conhecimento jurídico sobre imigração para os Estados Unidos da América. Este blog é de cunho pessoal e relata a minha experiência com essa situação descrita no post. Caso você tenha dúvidas mais detalhadas sobre a sua situação pessoal, aconselho a procurar um advogado de imigração aqui nos EUA e/ou a Embaixada dos EUA no BrasilEmbaixada do Brasil aqui nos EUA ou o USCIS que é o departamento responsável em aprovar ou não as petições e solicitações de  imigração de estrangeiros para cá. Eu não tenho nenhum vínculo com órgãos governamentais e não tenho autoridade para instruir ninguém quanto a este assunto.*** 

Este é um post que eu me neguei a escrever por muito tempo… meu blog não é sobre imigração e o único artigo que eu tenho neste espaço sobre casar com americano é o número um de acessos no Google Brasil sobre o assunto. O mais louco é que eu nem paguei para impulsionar o post, falantes de português no mundo inteiro acessam o meu humilde blog para ler sobre este assunto porque tem dúvidas sobre o tema e há muita informação desencontrada na blogosfera.

Decidi finalmente falar sobre isso por aqui única e exclusivamente para direcionar três amigas que estão passando pelo mesmo processo que eu enfrentei. Como eu tenho que explicar para elas o passo a passo, porque não transformar este assunto em um post? Já deixo avisado de antemão que não sou advogada, não trabalho com processo de imigração e este artigo é um relato único e exclusivo sobre o processo para a situação que eu passei. Caso você tenha perguntas mais específicas ou sua situação esteja irregular nos EUA, eu o/a aconselho veementemente a procurar um escritório/advogado de imigração.

Por conta do trabalho do meu noivo (hoje marido), nós íamos morar no Togo até julho de 2019, então tínhamos tempo de sobra para aplicar para o meu Green Card e nem estávamos preocupados sobre este assunto; tanto é que na ocasião eu estava no final do processo para receber a residência togolesa!!! Porém a vida nos pregou uma peça e tivemos de mudar para os EUA 2 anos antes do planejado. Chegamos aqui em junho de 2017 e casamos em setembro, enquanto eu estava no visto de turismo. Na minha entrada no país deixei claro ao oficial de imigração que estávamos assignados no Togo e que nossa vinda repentina para cá não tinha sido arquitetada, não sabíamos quanto tempo iríamos ficar, se iríamos voltar para a África ou se iam nos mandar para outro país. Mostrei a ele que tinha duas malas de 23 quilos e minha gata Isabella a tira colo e não tínhamos ideia do que ia acontecer nas nossas vidas. Após me sabatinarem com perguntas especificas sobre visto e sobre a vida no Togo, eles autorizaram a minha entrada no país e me deram 180 dias (6 meses) para ficar sob o visto de turismo B2. Durante este tempo eu não podia trabalhar, podia estudar apenas curso de idiomas com duração de 17 horas e 59 minutos (a partir de 18 horas semanais eu já deveria aplicar para mudar meu visto para estudante F ou J). Eu sabia que estava refém de um visto que me podaria de muita coisa.

Um mês após nossa volta, fomos informados de que ficaríamos oficialmente nos EUA por um período de 24 meses. Como o E ia assumir uma função nova por aqui nosso casamento teve de ser antecipado. O que para nós não foi nada absurdo pois já estávamos juntos por 4 anos e 8 meses. Casar era o próximo passo natural no nosso relacionamento. Não foi do jeito que eu queria… no Brasil cercada da minha família e das minhas melhores amigas. Acabou sendo um elope intimista (já falei sobre ele brevemente neste post aqui). Nessa nossa vida cigana diplomática aprendi que quanto mais você planeja, mais tudo dá tremendamente errado.

Como o casamento aconteceu nos EUA, decidimos já ajustar o status e por consequência não pude sair do país por vários meses. Aconteceram inúmeros problemas durante o processo com o USCIS que tornaram minha espera lenta e dolorosa onde perdi dois tios para o câncer com uma diferença de dois meses apenas entre cada perda sem contar problemas com a faculdade que eu cursava no Brasil online que tinha sido iniciada enquanto estávamos no Togo. Se você vai casar com um americano nos Estados Unidos, saiba que ao aplicar para o ajuste em solo americano, você ficará preso/a no país sem poder ir para nenhum outro lugar além da fronteira americana durante o processo até você receber a Parole (documento que autoriza viagens para fora dos EUA enquanto aguarda a entrevista final para o Green Card) ou receber o próprio GC (cada caso é um caso). Nós não tínhamos planejado vir para os Estados Unidos casar, simplesmente aconteceu de o trabalho dele na África encerrar antes do tempo previsto (deveríamos sair de Lomé em julho deste ano). Se lá atrás tivessem nos falado de que ficaríamos apenas 10 meses em Lomé, teríamos evitado várias dores de cabeça. Mas acredito piamente que a vida nos manda os limões de acordo com o tamanho da cachaça que a gente aguenta tomar.

Casamos em setembro e um mês depois enviei os documentos para o USCIS para ajustar o status (nome dado para solicitantes que estão sob um visto legalmente nos EUA e desejam mudar a categoria deste visto). No meu caso eu estava sob um visto de não imigrante e estávamos solicitando a mudança para o visto de imigrante LPR (legal permanent resident algo como Residente Permanente Legal). Existem várias outras opções para imigrar para os EUA por conta do casamento, este é o caminho se você já se encontra em solo americano e foi admitido no país legalmente.

Como eu fazia faculdade online na Anhembi Morumbi em São Paulo eu era esperada na faculdade em dezembro daquele ano para realizar as provas de final do semestre. Por conta disso juntamente com os meus formulários para o ajuste eu fiz a solicitação do Travel Document para que eu pudesse sair dos EUA enquanto o processo do GC estava em curso. Minha solicitação foi deferida e fui informada pelo site de que receberia o documento juntamente com a Work Permit (conhecido como EAD Combo Card ou Parole). Meu documento foi produzido em dezembro, apenas dois meses após eu enviar toda a documentação para o USCIS.

Em meados de junho quando estava de férias no Brasil recebi a informação de que minha entrevista para o GC seria em agosto. E também enquanto estava fora dos EUA fiz algumas entrevistas de emprego e inclusive assinei o contrato com o meu primeiro e atual empregador nos EUA. Uma semana após a entrevista recebi meu GC de dois anos em casa e graças a Deus a vida entrou nos eixos. Entre o momento que eu enviei os documentos para o ajuste de status até receber de fato o Green Card foram exatamente 10 meses. Vendo hoje até que não foi um tempo muito grande se comparado com outras pessoas que conheço, mas quando você está efetivamente esperando pelo documento sem poder fazer nada, cada dia parece uma eternidade.

Eu fiz tudo sem advogados, contei com a ajuda de uma amiga que trabalha na área de imigração e tem experiência com formulários oficiais da mesma maneira que eu, por conta do nosso antigo empregador. Claro que nossa experiência ajudou muito e fez com que eu e o meu esposo economizássemos. Apenas para preencher os forms há advogados que cobram a partir de U$2000 podendo chegar a U$25000 se a pessoa tiver problemas com a justiça por exemplo.

Lembrando mais uma vez que CADA CASO É UM CASO.

Resta você e a sua melhor metade analisarem se vale a pena você passar por este processo no seu país de residência ou em solo americano. Se você decidir aplicar e esperar em outro país, neste caso o processo é diferente e depende se você peticionar para casar aqui ou peticionar após o casamento para mudar e residir aqui. Você também não terá nenhum controle sobre o tempo de processamento desta petição juntamente ao DHS – Department of Homeland Security. É muito importante você ter todos os prós e os contras em mente ao decidir como ajustar o seu status. Sempre explico para as pessoas e peço para elas analisarem se vale mais a pena esperar o processo no Brasil por exemplo sem poder entrar aqui ou se vale a pena esperar o processo aqui sem poder sair para lugar nenhum. Confesso que eu odiei esperar o processo aqui, eu me sentia refém do sistema e ter a sensação de que não podia simplesmente entrar num avião e ir ao Brasil em uma emergência de última hora mexeram muito com o meu emocional. Tive momentos de fúria onde eu falava para o meu marido que eu ia abandonar tudo e voltar para São Paulo. Participo de várias comunidades na internet para pessoas nessa situação e vejo que os sentimentos de angústia e não poder fazer nada são compartilhados por todos. Hoje estou feliz que isso tudo passou e agora não preciso me preocupar, mas não vou mentir e dizer que o processo foi um mar de rosas, porque não foi.

O bacana é que durante este tempo conheci muita gente legal, brasileiros que como eu se apaixonaram por um americano/a e navegaram este mar burocrático da imigração da mesma maneira que eu e afirmo, todos nos desesperamos quando precisamos trabalhar e não podemos, todos achamos que o dia tem 50 horas enquanto seu esposo/a sai para trabalhar e você fica em casa de mãos atadas. Mas a boa notícia é que você vai sobreviver a esse turbilhão de emoções e burocracia.

Se você decidir ajustar o status em solo americano, no próximo post vou explicar o passo a passo de como eu preenchi os formulários, como enviei eles para o USCIS, quais documentos de suporte enviei e o tempo entre cada etapa do processo.

Fiqueligado =0)

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Por Érica Brasilino

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Estilo de Vida Outros Viagens

O que é Sala Vip no aeroporto?

08 de maio de 2019

Quem acompanhou meus stories em abril viu que utilizamos vários lounges na nossa última viagem para a Tailândia e fizeram várias perguntas do que é e como funciona. Desfrutamos dos serviços oferecidos nas salas VIP Turkish Airlines Lounge no aeroporto de Dulles International em Washington DC, Al Maha Lounge no Doha International Airport no Qatar e Coral Premium Departure Lounge no Phuket International na Tailândia.

Primeiro… o que seria uma sala Vip?

É uma área dentro do aeroporto que pode ser administrada por uma companhia aérea, uma empresa de cartões de crédito ou até mesmo um lounge particular associado a essas empresas. Nessa área você pode descansar, efetuar refeições, assistir TV, usar o wi-fi, tomar banho, ler jornais, receber massagens, orar… A grande maioria das pessoas que utilizam essas salas são viajantes frequentes de negócios ou pessoas com maior poder aquisitivo que tem cartões de crédito com limites altíssimos (as vezes até sem limites) que oferecem este serviço como mimo, porém qualquer mortal pode usar essas salas.

Como acessar as salas VIP?

Talvez o seu cartão de credito ofereça este serviço e você nem sabe. De uma pesquisada no site do seu cartão, já pensou se você pode usar e não tá sabendo? Se você faz parte de algum cadastro como viajante frequente de alguma cia aérea como Gol ou Latam, verifique se tem direito. Se viajar de business class ou primeira classe, muitas vezes esse bilhete dá o direito a acessar a sala VIP. Caso não possua nenhuma das opções citadas, algumas salas oferecem a opção de comprar o pass de acesso. Neste caso vale pesquisar antes da sua viagem para saber se alguma sala no aeroporto por onde você vai passar tem essa opção.

Vale a pena pagar para acessar a sala VIP?

Você precisa analisar o tempo que você vai passar no aeroporto para decidir se vale a pena pagar. Nossa conexão em Doha para a Tailândia foi de 4 horas, que eu já considero tempo demais para ficar sentado no portão de embarque desconfortável. Nosso cartão Chase que eu mencionei no ultimo post presenteou o Ezio com o cartão do Priority Pass, então nós dois acessamos a sala VIP gratuitamente (a sala VIP vai cobrar a taxa de uso do lounge da administradora do cartão e nós não seremos cobrados por isso pois é um dos benefícios do Chase Saphire). Na volta para casa, tivemos uma escala de 7 horas em Doha. Chegamos na sala VIP meia noite e meia e nosso voo era as 8 da manhã seguinte. O lounge salvou a nossa vida. Nós jantamos, dormimos, tomamos café da manhã e eu ainda tomei banho. Claro que não tinha camas disponíveis, mas foi muito melhor do que esperar 7 horas no portão de embarque. O Ezio inclusive trabalhou no lounge utilizando a área de office deles. Neste caso mesmo se não tivéssemos o cartão da Priority Pass, teria valido a pena pagar pelo serviço porque senão teríamos gastado muito mais dinheiro com táxi para deslocar do aeroporto até o hotel, pernoite no hotel e outro táxi do hotel para o aeroporto para descansar menos de 7 horas. Após pesquisar informações para este post, descobri que há inclusive salas VIP com camas e quartos separados em alguns aeroportos mundo afora. É muito benefício para voos longos minha gente, pesquisem a respeito.

O que vou encontrar numa sala VIP?

Primeiramente comida que vai variar de acordo com o país e/ou cidade onde você estiver. O que é muito interessante porque se você por exemplo estiver apenas de passagem por aquele país, poderá ter uma experiência da culinária local sem sair do aeroporto. Em Doha pudemos experimentar doces típicos do Qatar no Al Maha Lounge, o que foi bem legal e sem custo extra. A comida oferecida nos lounges segue o horário de café da manhã, almoço e jantar e caso você não esteja com fome para uma refeição completa, sempre há opções de petiscos para todos os gostos. Há também uma seleção muito boa de bebidas alcoólicas e não alcoólicas. A área de alimentação segue o estilo buffet, mas na grande maioria conta com alguns garçons disponíveis para que eles controlem a quantidade de bebidas alcoólicas ingeridas pelos passageiros. A vantagem de esperar na sala VIP é o conforto oferecido de poder sentar num local mais exclusivo com menos bagunça comparada a área de embarque. Nessa área você também conta com monitores onde você pode acompanhar informações sobre o seu voo para não perder a hora do seu embarque e eventuais mudanças de portão.

Meus cartões de crédito não oferecem este benefício, há outra maneira de acessar?

Sim!!! Pelo Priority Pass você consegue acessar salas VIP em mais de 120 países. O bacana do Priority Pass é que não importa qual companhia aérea você está voando ou qual a categoria do seu voo, se você for membro é possível acessar o lounge. A associação tem um custo anual a partir de U$99 (para a associação mais básica) e você pode comparar todos os valores clicando aqui.

Espero que você tenha aprendido um pouquinho sobre salas VIP e se necessário e possível possa usufruir desse serviço, caso você já tenha usado em algum aeroporto, compartilha comigo a sua experiência e o que você mais gostou ou não curtiu de maneira nenhuma mundo afora.

Até o próximo post =0)

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Por Érica Brasilino

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Compras Estilo de Vida Outros Resenha de Produtos Viagens

Qual o melhor cartão de crédito para milhas?

25 de abril de 2019

Nossa última viagem de férias agora no início de abril foi para a Tailândia e o destino foi decidido por conta das milhas. A ideia inicial era irmos para Portugal fazer uma road trip pelo país de 3 semanas, inclusive eu já estava trabalhando no roteiro dessa viagem a 4 meses. Quando finalmente sentamos para emitir os bilhetes percebemos que nossas milhas seriam suficientes apenas para as passagens de uma pessoa e a outra teríamos que pagar U$1500 pelo mesmo trecho. Por curiosidade pesquisamos então o valor da passagem para Lisboa saindo de São Paulo e para a nossa surpresa o voo GRU-LIS estava R$1200 e o voo MIA-LIS U$650. Para piorar a situação ambos os trechos eram voos diretos enquanto saindo de DC teríamos escalas ridículas em Bruxelas, Paris ou Filadélfia. Detestamos fazer escalas desnecessárias então abortamos a operação Portugal. Por mais que estivesse nos nossos planos a muito tempo, não ganhamos dinheiro em árvore para gastar sem pensar.

Começamos então a jogar destinos aleatórios no sistema e para nossa surpresa nossas milhas emitiriam passagens de ida e volta para duas pessoas para Tóquio, Roma e Maldivas. Foi então que após uma rápida pesquisa no Youtube num domingo de folga batemos o martelo e decidimos ir para a Tailândia. Em 2015 quando o Ezio morava no Paquistão ele passou uma semana em Bangkok e Pataya e tinha muita curiosidade em conhecer as ilhas mais ao sul do país e como eu nunca tinha pisado na Ásia seria uma ótima oportunidade. Conseguimos fechar passagens por U$200 para cada um (taxas de embarque nos 4 aeroportos) e seguimos felizes para o Sudeste Asiático. 

Após comentar num post do Instagram sobre as milhas e sobre os lounges que usamos durante o trajeto de ida e volta, aprendi que tanto eu como meus amigos (principalmente os que estão no Brasil) temos pouquíssimo ou quase nenhum conhecimento sobre o fantástico mundo das milhas. Então no post de hoje decidi compartilhar com vocês o que aprendi ao pesquisar sobre o assunto. Vou comentar tanto sobre o cartão que usamos aqui nos EUA para milhas e vou mencionar os melhores no Brasil.

Estados Unidos

Chase Saphire Reserve

Descobrimos este cartão assim que voltamos aos Estados Unidos quase dois anos atrás. TUDO o que compramos passamos no cartão para poder gerar milhas. Se você pagar contas em restaurantes e gastar com viagens (hotéis, passagens, passeios em agências de viagens) você gera 3x mais pontos. Claro que existe um custo… pagamos U$450 por ano para ter este cartão o que seria uma taxa de U$37,50 por mês e U$75 para cada cartão adicional. Porém nestes dois anos que temos, já viajamos de graça (tickets de ida e volta para nós dois) para Utah, Brasil, República Dominicana com escala de 4 dias em Miami e pagamos U$200 nos tickets (de cada um) para a Tailândia. Vale muito o investimento da taxa anual do cartão.

Ao gastar U$4000 nos primeiros três meses a Chase te dá um bônus de 50000 milhas de presente. Levando em consideração que pagamos t.u.d.o com o cartão, ficou fácil de gastar este valor em 90 dias. Todos os anos no aniversário da abertura da conta com a Chase você ganha U$300 de annual travel credit como reembolso do que foi gasto com viagens ao longo dos últimos 12 meses. O cartão também possibilita upgrades de assento, uso de lounges no mundo inteiro (através do Priority Pass) e não há taxa de uso no exterior para moeda estrangeira (alguns cartões cobram por exemplo 3% do valor da compra no exterior como uma penalidade por você utilizar seu cartão de crédito fora do seu país de domicilio).

As passagens devem ser emitidas diretamente no site Chase Ultimate Travel.

Brasil

Após pesquisar para poder entender o mundo das milhas no Brasil, percebi que não sabemos muito disso por aí porque existe uma briga infinita entre os bancos onde cada banco tem seus benefícios e para piorar, para você ter acesso a tal cartão você tem de ser correntista daquele banco e movimentar um valor x por mês (tanto na conta corrente como no próprio extrato do cartão de crédito), o que dependendo do cartão não é acessível a todos os mortais. Vejo que o mundo das milhas no Brasil é mais para a elite do que para o cidadão comum. O que é uma pena porque se fosse mais acessível você teria um número muito maior de pessoas viajando e gerando emprego e dinheiro para o turismo brasileiro… enfim papo para um outro post.

Porto Seguro Visa Infinite

Anuidade R$1320 ou 12x de R$110. Há maneiras de diminuir ou isentar o valor da anuidade de acordo com os seus gastos mensais, no site do cartão há explicações bem detalhadas sobre. Você pode solicitar até 4 cartões adicionais gratuitamente.

Programa de fidelidade Porto Seguro onde suas milhas geradas pelo uso do cartão podem ser trocadas por produtos, serviços Porto Seguro e milhas aéreas. Os pontos valem por 24 meses então tem de ficar atento para não perder as milhas. O maior benefício deste cartão ao meu ver é poder usar mais de 1000 salas VIP ao redor do mundo com direito a acompanhante. Se você tem seu próprio negócio e movimenta valores altos no cartão e tem como objetivo ter um cartão que facilite tanto a compra de passagens como o uso de lounges, este cartão é o mais indicado. Apesar de ser um cartão para uma determinada classe de clientes, aconselho que você pesquise a respeito, quem sabe ele seja viável por conta do seu trabalho ou até do seu negócio. Se você já tiver um cartão Gold de qualquer outra instituição com limite de R$30.000,00 eles aceitam analisar a sua solicitação. Envie e-mail para cartao.infinite@portoseguro.com.br e a analise de acordo com usuários do cartão não demora mais do que cinco dias.

Mastercard Black

Não importa qual banco você tem conta corrente, neste caso os benefícios serão oferecidos pela Mastercard. E tratando de viagens segue a lista de benefícios que um portador deste cartão terá acesso:

– Despesas Médicas

– Evacuação de Emergência (nunca pensamos sobre isso, mas se o país destino sofrer um ataque terrorista ou após um tsunami, se você sobreviver e quiser sair do país essa assistência será primordial)

– Repatriação de Restos Mortais (custa em média U$20.000,00 repatriar um corpo para o Brasil, sua família tem este valor caso o impensável aconteça?)

– Retorno de criança e idoso

– Viagem de Familiar em situação de emergência (caso você precise operar de emergência no exterior e precise da ajuda de um familiar)

– Transporte VIP de/para o aeroporto

– Cobertura de até R$100.000,00 no caso de evacuação médica de emergência (se você tiver de voar num avião hospital por exemplo de volta ao Brasil)

– Certificado de Schengen (este item merece um post futuro somente sobre ele)

– Sala VIP Mastercard Black em Guarulhos

– Concierge (você sabe para que serve o serviço de concierge do seu cartão?)

Cobertura válida em todos os países do mundo 24 horas por dia, 365 dias por ano, 7 dias por semana.

Se você se interessar pelo Black, aconselho entrar em contato com a central do seu banco pois cada banco cobra um valor de anuidade que pode ser isento ou não. Este seria um dos cartões mais acessíveis e com melhores benefícios depois do Visa Infinite.

Eu poderia ficar horas aqui falando sobre cartões e seus benefícios, mas vou deixar como referencia o link do site Melhores Destinos que acabou de ser atualizado este mês sobre o assunto. Tem cada cartão que você imaginar no Brasil explicando item por item e comparativo entre eles. Meu post foi apenas uma introdução, como você já percebeu há inúmeras variáveis no momento de pedir o cartão certo para você de acordo com o seu perfil e vida financeira. Espero poder ter dado uma pequena contribuição sobre o mundo das milhas através de cartões de crédito. Independente do cartão que você escolher, use com sabedoria e moderação (vai por mim… eu SEI o que é gastar como louca).

Até o próximo post =0)

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Por Érica Brasilino

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Outros

Três anos do blog!

11 de abril de 2019

Oi gente,

E hoje este espaço completa três anos!!! Meu Deus tanta coisa aconteceu de abril de 2016 até hoje. Criei o blog quando estávamos em Lomé no Togo e eu tinha muito tempo em mãos e quase nada para fazer como uma trailing spouse. Ser expatriada e esposa de diplomata num país onde eu não dominava o idioma me tornou criativa. Tive de me reinventar para não surtar e não me sentir inútil. Por conta desse espaço conheci tanta gente bacana que trouxe para a minha vida fora do virtual, respondo inúmeras perguntas sobre casamento com americano (sendo que o blog nem é sobre imigração porém este é o artigo número um acessado por aqui) e conheci outros blogs sensacionais (e perfis do Instagram também).

Já tive vontade de deletar o blog inúmeras vezes, agora morando nos EUA e de volta ao mercado de trabalho fica tão complicado manter ele atualizado na frequência de antes… e não é por falta de assunto não, tenho mais de 35 ideias anotadas no meu bloco de notas para posts. Me sinto tão exaurida por trabalhar com o público que quando chego em casa quero sentar e ver uma besteira qualquer no Youtube pois minha cabeça está cansada demais para escrever. Mas sempre que alguém me pergunta sobre DC ou algum outro destino que já fomos é sempre gratificante poder mandar o link para a pessoa e falar para ela dar uma espiada por aqui pois já mencionei a respeito… por conta disso sigo escrevendo quando dá. Neste momento mesmo estou no avião sobrevoando o Oceano Índico indo em direção ao nosso destino das férias deste ano e resolvi escrever

Escrever se tornou uma grande paixão e para poder ter um blog a pesquisa é fundamental. Você não pode em pleno 2019 escrever algo que não seja verdade. Não é apenas a sua reputação online que esta em jogo mas também sua carreira profissional, principalmente quando você usa o blog como parte do seu portfólio no seu currículo profissional. Manter um blog por tanto tempo principalmente durante a minha estadia no Togo sem um emprego fixo foi primordial durante a minha contratação no meu atual empregador. Mostrar para o meu manager que eu mantive minha cabeça funcionando intelectualmente e fazendo trabalhos voluntários foi essencial. Se você que lê este blog é como eu e não curte YouTube como uma plataforma de criação (nada contra eles, eu mesmo sou consumidora voraz de vídeos por lá, só não me vejo produzindo conteúdo em vídeo) e adora escrever, pense em criar um blog sobre um assunto que você goste. Sempre é muito prazeroso dissertar sobre o que entendemos e gostamos.

Já recebi inúmeras propostas para profissionalizar o blog, transformar o conteúdo em canal, post pago… mas não é a minha pegada. Por conta do trabalho do Ezio não posso me tornar uma pessoa “famosa” na internet. Respeito o nosso ganha pão e sei que nosso estilo de vida é possível por conta do trabalho dele, então por respeito a carreira que ele construiu eu mantenho o meu espaço pequeno mas com leitores de qualidade que estão aqui porque precisam de informações específicas sobre algo que eu já presenciei e posso compartilhar a respeito.


Obrigada pela audiência nestes três anos, tem sido uma incrível jornada e um prazer dividir alguns detalhes dessa minha louca vida com vocês.

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Estilo de Vida Outros Saindo do Brasil

A difícil decisão de partir

28 de novembro de 2018

Há exatamente três anos atrás eu abandonei tudo no Brasil por conta de um amor. Eu tinha um ótimo emprego, amigos, família, já tinha comprado um apartamento, carro, fazia uma viagem bacana por ano, mas me apaixonei loucamente e decidi seguir meu coração.

Eu nunca tinha pensado em sair do Brasil, muito pelo contrário sempre tive muito orgulho de ser brasileira e sempre me senti confortável na minha São Paulo. Por mais que eu já tivesse visitado alguns países eu sempre soube onde era o meu lugar no mundo.

A minha amada São Paulo

 

Pedir demissão não foi nada fácil… o dia que redigi a carta de demissão eu chorei horrores sentada na cozinha da minha mãe. O que eu estava fazendo? Jogando fora nove anos de empresa e tudo o que eu conhecia por um amor que eu tinha vivido por menos de dois anos no dia a dia e estava vivendo ele a quinze meses à distância. Minha mãe que acompanhou meus meses de tristeza longe do Ezio enquanto ele trabalhava em Islamabad disse: “vá ser feliz, se não der certo você sempre terá um lar para onde voltar, você fala outros idiomas e fome não vai passar se precisar voltar ao Brasil”. Imagino o quanto deve ter doído nela falar isso para mim, mas sem dúvida se não fosse a postura e o apoio dela, eu não teria seguido o meu destino.

O dia que fui embora foi o mais difícil da minha vida. Dar tchau pro meu irmão e pra minha mãe, beijar meu afilhado e dizer até um dia doeu no fundo da minha alma. Foram as piores 9 horas de vôo da minha história. Nunca contei pra ninguém, mas as comissárias tiveram de me dar um calmante para eu dormir. Eu não sabia o que o futuro me reservava, sabia que era filha de uma mãe solteira que tinha lutado muito para pagar o pouco de educação que eu tinha e que eu estava abrindo mão de viver o dia a dia com a minha família para viver um amor no exterior.

O dia de dar tchau 🙁

 

Cheguei em Washington D.C e esperei por longas oito horas o vôo do Ezio que estava vindo de Islamabad no Paquistão. Assisti vários capítulos da Além do Tempo (novela) pela internet até que um etíope funcionário do aeroporto veio perguntar se estava tudo bem. Ele viu que eu tinha desembarcado as 7 da manhã quando ele chegou para trabalhar e eram 2 da tarde, ele estava indo para casa e estava preocupado se alguém tinha esquecido de me pegar no aeroporto. Eu jamais vou esquecer a bondade dele. Expliquei que meu noivo ia chegar num vôo vindo de outra parte do mundo e eu estava bem.

As 4 da tarde o vôo do Ezio chegou e pro meu desespero todo mundo naquele vôo era careca. Quando ele finalmente apareceu e nos abraçamos após 3 meses sem nos ver (tínhamos nos encontrado em setembro na Espanha, onde passamos 21 dias juntos) eu chorei tudo o que estava preso na minha garganta. Estava aliviada que o tour dele longe tinha acabado, mas estava muito melancólica por ter deixado minha família para trás.

Primeiro dia da minha vida nova 28/11/2015

 

O resto é história: passamos oito meses em treinamento de francês em Washington antes de ir para o Togo, passamos um ano em Lomé e estamos de volta em DC a 17 meses. Não temos ideia de onde será o nosso próximo posto em julho do ano que vem. Adotamos a Isabella, visitamos lugares incríveis pelo mundo, casamos e formamos uma família. Temos nossos problemas como qualquer casal, mas estamos juntos a quase 6 anos entre altos e baixos.

Sinto falta do Brasil todos os dias: da minha gente, do idioma, da comida, da minha cultura, das minhas amigas, da minha mãe e do meu irmão, da minha família. Mas o WhatsApp tá aí e faço o possível para sempre estar em contato com eles. Perdi dois tios queridos e não pude me despedir. Isso é morar fora… muita gente tem uma ideia fantasiosa do que é ser imigrante e morar num outro país. Em falar 24 horas por dia um idioma que não é o seu, mas é o que tem pra hoje. Tem dias que meu cérebro da tilt e dou graças a Deus por ter dois colegas de trabalho brasileiros que me entendem e posso xingar o mundo e eles me entenderão. Tenho a Gabi, a Flávia, a Aline, a Juliana, a Chris, a Mirella e a Cascia que me aguentam quando estou surtada (mesmo a distancia). Sem essa rede de apoio ser imigrante não seria fácil.

As mulheres maravilhosas da minha vida (faltam algumas ai)

 

Se eu faria tudo de novo? Não tenha dúvidas!!!

Se eu voltaria a morar no Brasil? Hoje respondo com certeza que não. Sei que o amor da minha mãe e meu irmão é incondicional e minhas amigas continuarão minhas amigas não importa onde estou. Mas o meu lar é aqui (ou em qualquer outro país que eu tenha que mudar) ao lado do meu marido e da minha gata.

Morar na África me mostrou como sou abençoada nas pequenas coisas, me ensinou a acreditar em Deus em qualquer momento. Me deu a Isabella de presente quando eu nunca nem pensava em adotar um bichinho. E se existe reencarnação acredito piamente que a Isabella foi minha filha em outras vidas. Ela preenche o meu coração de maneiras que eu jamais imaginei ser possível.

Minha Bella mais bela

 

Ser imigrante é um misto de sabores e dissabores, é um contentamento descontente, é um aprendizado constante, ininterrupto e diário. É conquistar o mundo a cada dia, é perceber que não somos nada neste mundo e que viemos aqui para evoluir devagar e sempre.

O ser que virou minha vida de ponta cabeça

 

E no fim… é perceber que o nome do meu blog define exatamente quem sou hoje… uma louca pelo mundo.

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Por Érica Brasilino

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Outros

Oi Gente

22 de julho de 2018

Vim tirar o pó do blog… dois meses de hiatos por aqui.

Estes últimos meses foram insanos, tive de pausar o blog para poder estudar as matérias da faculdade do segundo semestre do ano passado pois tinha que fazer provas para fechar essas matérias e também tive de finalizar as matérias do primeiro semestre deste ano. No total foram 9 provas finais!!!! E como coisa pouca é bobagem… tive de fazer um projeto integrado enorme valendo nota de fechamento, não sei como eu não surtei.

Para completar… no dia 1º de maio recebi minha autorização de trabalho e viagem (o famoso EAD Combo Card). Finalmente pude começar a procurar emprego por aqui. No mesmo dia disparei inúmeros CVs e fui chamada para fazer algumas entrevistas. Nisso o tempo que eu tinha livre para blogar acabou totalmente voltado para a faculdade e o envio de currículos e o blog ficou aqui á deriva. Não posso reclamar… afinal voltei para o mercado de trabalho apenas dois meses após enviar os CVs, para quem estava num período sabático de quase três anos, minha recolocação profissional foi em tempo recorde.

Finalmente pude ver minha família após um longo ano de saudades. Viajei para São Paulo para realizar as provas da faculdade e aproveitei para apertar todo mundo.  Aproveitamos  para visitar o sul da Bahia e levamos minha mãe na sua primeira viagem de avião (consegui!!!) e passamos uns dias no Nordeste. Meu marido finalmente pode conhecer onde o Brasil nasceu. Foi muito bom poder compartilhar a história do meu país com ele.

Volto a blogar essa semana falando sobre a Argentina! Fiquem ligados 🙂

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Estilo de Vida Outros

E eu me tornei uma trailing spouse!

09 de janeiro de 2018

Desde que eu me entendo por gente, minha mãe sempre trabalhou fora. Sempre foi motivo de orgulho para ela acordar as 5:00 da manhã, tomar café, se arrumar e partir para o ponto de ônibus sentido Moema. Passei minha infância/adolescência assistindo a minha mãe dia após dia, conquistar seu espaço no mercado de trabalho e com o seu esforço laboral, trazer para casa seu suado salário e dar uma vida digna para mim e meu irmão. Tudo indicava que eu estava seguindo o mesmo caminho, tinha um emprego estável que pagava bem em São Paulo, estava convicta de que me aposentaria lá e teria uma velhice confortável. INSS e aposentadoria privada engatilhada para complementar a renda. Até que este homem chegou na minha vida… e virou tudo de ponta cabeça.

Eu sempre tive muito orgulho da minha independência financeira e aos 25 anos já tinha uma moto, um carro e um apartamento comprado com meu ex marido. Para alguém que veio de um bairro periférico, filha de mãe solteira… eu já tinha de certa forma vencido na vida. Era só uma questão de administrar e cada vez mais guardar para o futuro e fazer uma viagem bacana por ano.

Quando começaram as conversas sobre abandonar minha carreira e seguir meu atual esposo mundo afora… sempre fomos adultos o suficiente para sentar e analisar todos os prós e contras. E levei 15 meses para finalmente decidir seguir o coração. Quando ele foi para o Paquistão e ficamos namorando a distância e nos encontrando a cada 4 meses… percebi que ou seguia ele até o fim do mundo, ou escolheria a minha carreira e seria frustrada num relacionamento futuro qualquer por puro medo.

Os primeiros meses como uma trailing spouse foram muito difíceis para me adaptar. Passei de uma mulher independente que comprava uma bolsa da Michael Kors de R$1500 para uma noiva que recebia mesada. Estipulamos um valor X por semana e lembro que a primeira vez que ele deixou dinheiro para mim e foi trabalhar me senti um lixo. Chorei o dia inteiro de vergonha. Lembro que levei pelo menos 3 meses para comentar com ele que precisava de alguma coisa. Chegou ao extremo de ele me ligar e eu não poder atender o telefone porque meu crédito tinha acabado e eu não queria pedir. Foi ridículo. Até que decidimos abrir uma conta para mim aqui e ele passou a transferir o dinheiro diretamente para lá, então eu uso o cartão, faço o que tenho que fazer e não vejo ele fazer os depósitos. Pode parecer ridículo… mas funcionou melhor após essa decisão.

Foram precisas várias conversas ao longo destes dois anos para eu entender que tenho um papel fundamental no nosso relacionamento e que ser dona de casa/trailing spouse que não trabalha, não significa que não tenha o meu valor. Durante o meu tempo na África, me tornei administradora da nossa casa em tempo integral, onde eu gerenciava 4 funcionários, controlava as compras da casa, administrava a folha de pagamento e os problemas do pessoal, e ainda tinha que ser a esposa a altura do representante estrangeiro em terras longínquas. Foram inúmeros eventos que tive de organizar por conta do trabalho dele na nossa casa. De certa forma, isso é um tipo de trabalho. Trocamos as senhas de sites como Walmart e Amazon e eu não precisava esperar ele chegar em casa para fazermos as compras da semana. Eu mesma sentava, pedia online e duas semanas depois nossa despensa estava abastecida. Ter independência novamente foi primordial para reestabelecer a minha segurança como mulher.

Além de tudo isso, eu precisava me sentir útil. Uma das piores coisas de ficar em casa é a sensação de que você não é mais interessante porque não tem conteúdo para conversar com o seu marido. Por conta dessa minha inquietação e necessidade de desafios eu voltei a estudar. Me matriculei na faculdade no Brasil e estou cursando Eventos na Anhembi Morumbi. Também faço uma especialização do meu curso de Maquiadora Profissional pela Make Up Academy da Renata Meins online e estava cursando francês três vezes por semana particular em casa com um professor no Togo. Fazia voluntariado com dois grupos diferentes em Lomé e de vez quando dava um pulo na academia. E comecei este blog, pois precisava manter a mente ativa. Por conta do blog conheci muita gente bacana da rede de blogueiros de viagem e fiz uma amigona para a vida (você Flávia).

 

As pessoas que olham de fora, pensam que a vida de quem é uma trailing spouse é só festa, cafés da manhã com outras spouses, viagens e afins. Não… não é. Temos um gap no currículo (o meu já está de dois anos) e quando voltamos para o mercado de trabalho temos que explicar para o empregador em potencial porque, apesar do nosso conhecimento e experiência estamos fora do mercado de trabalho. Manter-se ocupada é também benéfico para o currículo para o dia que você decidir voltar a trabalhar. Meus artigos neste humilde blog têm alcançado muitas pessoas no Linkedin desde que conectei ele com a rede de empregos e sempre recebo visitas no meu perfil de pessoas de vários ramos. Já até fiz freelas de tradução português/inglês inclusive para empresas de tecnologia do Vale do Silício por conta do meu perfil atualizado por lá.

Confesso que muito me incomodava em Lomé ser conhecida como a esposa da pessoa tal. É uma perda de identidade de uma certa maneira. Você deixa de ser uma profissional com vida própria para ser a mulher de alguém. Enquanto eu sei que várias mulheres no Togo (talvez até no Brasil) dariam uma perna para estarem no meu lugar, eu quero ser reconhecida por ser a Érica, uma profissional que fala 4 idiomas, que escreve um blog e que já fez voluntariado na África, não apenas como a esposa do Ezio (babe I love you and you know what I mean).

Colocar a nossa carreira em pausa é uma das maiores demonstrações de amor que podemos dar para os nossos spouses. É colocar a nossa necessidade em segundo plano por conta do objetivo do próximo, mas nada mais é do que também ser um jogador de um time. Porque se ambos não estiverem unidos no mesmo objetivo, não há casamento que aguente, e o que mais tem nesse nosso ramo são casamentos infelizes e histórias de adultérios de cair o queixo.

Sem contar que quando mudamos para um novo local, o spouse que tem a carreira esta ocupadíssimo com o seu novo trabalho enquanto você esta em casa miseravelmente tentando entender como funciona o novo país, as vezes sem internet ou televisão por semanas a fio, com apenas uma panela para cozinhar. E tem de organizar toda a mudança quando ela chega de navio após meses e meses a fio. Tem que fazer amizades do zero e tem de ser um poço de otimismo e amor para quando o spouse chegar em casa deprimido ou chateado, reafirmarmos que esta tudo bem e que conseguiremos passar por mais essa.

 

Essas mudanças podem ser muito solitárias, principalmente se você faz parte de um casal sem filhos (nosso caso). Passei vários dias sozinha por mais de 14 horas em casa no meio do nada no Togo porque tínhamos acabado de chegar e ele precisava se adaptar e catch up on stuff right away. Mas ninguém nunca disse que seria fácil.

No final das contas, o importante é encontrar a sua felicidade, é ser resiliente e auto suficiente para poder saber o que fazer com o seu tempo livre e não se sentir culpada por ter tempo livre. É descobrir prazer em pequenas coisas como ler um livro numa terça chuvosa após ter limpado a casa com o gato no seu colo. É não dar atenção ao que a sociedade espera de você, mas sim ao que faz você e a sua melhor metade feliz. Se no final das contas estiver funcionando para vocês, isso é o que importa.

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Por Érica Brasilino

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Elopement Wedding

05 de janeiro de 2018

Quando decidi escrever sobre o nosso elopement wedding, comecei a pesquisar sites em português para saber se isso está na moda no Brasil.  Pelo visto não… tanto que é mais fácil encontrar artigos sobre destination weddings do que elopements. Mas o que seria exatamente um elopement wedding?

Merriam Webster Dictionary

To elope: Fugir para casar em segredo contra a vontade dos pais (passado)

To elope: Casamento íntimo onde apenas os noivos estão presentes (atualidade)

 

Porque cada vez mais os casais no exterior optam por este tipo de casamento?

Por mil e um motivos… cada casal tem o seu… o mais importante num elopement wedding é o amor e o comprometimento do casal. Dito isso, não significa que o seu dia não possa ser digno de um conto de fadas, ou o casamentos dos seus sonhos, muito pelo contrário… você pode se vestir como uma princesa se quiser… porém somente você, sua melhor metade, o juiz de paz e muito provavelmente um fotógrafo verão este grande dia. Tem momentos na vida que é tudo muito complicado e você só precisa ser prático… o Elopement Wedding pode ser a solução para vários dos seus problemas.

Nós já estávamos noivos desde 2014 e morando juntos desde o final de 2015. Nós dois já éramos divorciados então já sabíamos exatamente como funciona um casamento que não deu certo… e claro… nós dois não queremos passar por nada daquilo novamente. Hoje após quase 5 anos juntos e vivendo os últimos dois anos praticamente como marido e mulher, o casamento seria obviamente algo muito natural. Mesmo assim, ao ligarmos para informar as pessoas mais próximas que havíamos casado… foi no mínimo engraçado… minha mãe era a única que sabia que íamos casar no dia tal na hora tal. Ao ligarmos para a mãe dele, ela aceitou de uma maneira linda e disse que já éramos casados para ela. As irmãs dele, cada uma reagiu de uma maneira, e minhas melhores amigas… tenho histórias engraçadas para contar sobre a reação de cada uma delas (num próximo post quem sabe?).

No nosso caso, se fôssemos organizar um casamento tradicional… mesmo que fosse um casamento pequeno, quando começamos a tentar entender a logística que envolveria um casamento entre duas pessoas de dois países distintos… seria tudo muito complicado (sem contar estressante e caro). Se casássemos no Brasil, a família e os amigos dele daqui teriam que se deslocar para São Paulo, se casássemos aqui… minha família muito provavelmente não conseguiria vir completa e eu honestamente não gostaria de casar apenas com um lado da família envolvido. Na minha cabeça não é justo que apenas um dos lados possa compartilhar este momento conosco e não a minha avó ou o meu afilhado por exemplo. Como tudo estava ficando muito complicado e pra nós este dia tinha de ser prático e prazeroso… simplesmente optamos por elope.

Ao pesquisar sobre o tema, fiquei chocada em como isso é sério aqui nos EUA. No Pinterest há milhões de ideias para se copiar, desde a decoração do local onde você irá elope até as cores que você pode usar. Afinal não é porque serão apenas vocês dois que você não pode se sentir plena e feliz no seu grande dia. Como nós optamos por casar na estação de trem Union Station, escolhi um vestido lindinho da Antix Store (que eu secretamente já tinha comprado pensando no casamento no cartório). A oficiante do casamento foi contratada através da agencia DC Elopements, considerada uma das melhores dos EUA, eleita vários anos seguidos pelo The Knot (maior site de casamentos daqui) como uma das mais confiáveis. Ela foi de uma doçura e gentileza absurda conosco. Ao chegarmos na estação, ela já nos esperava no local combinado, fizemos os nossos votos e ela nos declarou marido e mulher. Quando as pessoas perceberam que era um casamento, já tinha acontecido (hahahaha).

A escolha do local no elopement wedding é um dos fatores chaves para este tipo de cerimônia. Por não ser um casamento tradicional, você pode casar onde quiser e onde a lei no país que você estiver permitir. Como estamos sempre com a casa nas costas indo de um país para outro por conta do emprego dele, a estação de trem simbolicamente representa nossa vida itinerante.

Quando pesquisei a respeito, a maioria das americanas diziam que estavam cansadas de fazerem a lista de convidados, ou experimentar bolos diferentes, ou escolher as cores da cerimônia. Eu lembro que mesmo com um pequeno casamento, a primeira vez que casei foi um perrengue danado. Realmente não ter que passar por tudo aquilo de novo, fez valer a pena o casamento a dois.

Ao finalizarmos a cerimônia, optamos por sentar na nossa pizzaria favorita e nos deliciamos com uma pizza maravilhosa de pepperoni. Afinal de contas… pizza sempre é sinônimo de uma refeição feliz. Por ser um casamento íntimo, você pode se dar ao luxo de ir almoçar ou jantar no Figueira Rubaiyat por exemplo se for o seu desejo.

Acredito que no final do dia o que conta, é você estar em paz com você e com a sua melhor metade, sem dívidas, sem conflitos, sem encheção de saco por conta da prima que foi convidada e a irmã dela não, e saber que fez a escolha certa. Mesmo que as famílias reclamem, os amigos não entendam… no final, quem realmente amar o casal, vai entender e depois vai encher vocês de carinho e afeto. Mas por favor, se não curtir a ideia… continuem fazendo festas maravilhosas de casamento, afinal bem casados são sempre muito bem vindos S2.

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Por Érica Brasilino

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Férias

28 de novembro de 2017

Postagem rápida para informar que estou oficialmente de férias!!!

Após uma montanha russa de emoções que começou sua subida íngreme em junho deste ano e correu desembestada quase sem parar até semana passada… estamos de férias. Não é o destino original que planejamos (uma road trip pela Bahia) mas é o que deu pra organizar nos últimos 15 dias. Nossa vida aqui é sempre assim, planejamos A mas acabamos por fazer o B, SEMPRE.

Volto de férias uns dias antes do Natal (simmmmmm, teremos quase um mês de ócio), então planejo voltar a postar em janeiro após as festas de final de ano. Digamos que será um mês meio sabático para renovar as energias deste ano que foi tão intenso.

Então é isso… um Feliz Natal e um ótimo 2018, com muita luz, saúde, amor, paz, realizações, harmonia e sucesso para todos nós.

Quem quiser acompanhar a nossa viagem idealizada e planejada em apenas duas semanas, me segue no Instagram, vou atualizar lá durante nossa próxima aventura por este mundo afora.

Nos vemos no ano que vem S2

Érica

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Por Érica Brasilino

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Casar com um americano no Brasil ou nos Estados Unidos?

24 de novembro de 2017

***Antes de continuar a leitura deste post, esclareço que não tenho conhecimento jurídico sobre imigração para os Estados Unidos da América. Este blog é de cunho pessoal e relata a minha experiência com essa situação descrita no post. Caso você tenha dúvidas mais detalhadas sobre a sua situação pessoal, aconselho a procurar um advogado de imigração aqui nos EUA e/ou a Embaixada dos EUA no Brasil; Embaixada do Brasil aqui nos EUA ou o USCIS que é o departamento responsável em aprovar ou não as petições e solicitações de  imigração de estrangeiros para cá. Eu não tenho nenhum vínculo com órgãos governamentais e não tenho autoridade para instruir ninguém quanto a este assunto.*** 

 

 

 

O cupido te pegou e você tá morrendo de amores por um americano… veio o pedido de casamento e agora vem a dúvida… casar no Brasil ou nos Estados Unidos? No post de hoje vou explicar as diferenças para a realização do casamento civil no cartório em São Paulo ou na corte em Washington DC.

 

 

Brasil

Visitei o cartório do meu distrito em São Paulo e fui informada de todos os documentos necessários para casar. Sai de lá e fui para o bar mais próximo chorar lágrimas de sangue. Segue a lista:

 

– Primeiramente o estrangeiro deve ter entrado legalmente no Brasil. Sendo assim, apresentar ao cartório o passaporte do estrangeiro com o visto brasileiro válido e o carimbo de entrada

– Certidão de nascimento com a data de validade de seis meses. Para mim essa era uma das exigências mais ridículas de todas. Primeiro que a pessoa teria que entrar em contato com o local onde sua certidão foi emitida e pedir uma nova via. Meu marido é nascido em Cuba e cortou laços com o país de origem com 3 anos de idade. Impossível conseguir essa certidão.

– Declaração de Estado Civil. Essa declaração pode ser obtida no consulado americano mais próximo da sua cidade. Vulgarmente chamada de certidão de solteiro, ela é emitida na hora. Para agendar sua visita ao American Citizen Services em São Paulo, clique aqui.

– Declaração de Residência.

– CPF caso o estrangeiro seja residente do Brasil

– Taxa do cartório

– Presença obrigatória do estrangeiro para dar entrada na documentação. Caso não seja possível, tem de apresentar uma Procuração. Para informações de qual tipo de procuração, pergunte diretamente no cartório onde pretende casar como emitir a sua

– Caso o estrangeiro não fale português, é obrigatória a presença de um intérprete em cada uma das fases do processo

– Vale lembrar também que cada cartório é soberano sobre quais documentos o estrangeiro deve apresentar, o indicado é que a parte brasileira do casal vá até o cartório da sua comarca para assim como eu, chorar de desespero pela burrocracia

– Documentos estrangeiros para serem aceitos no Brasil precisam ser traduzidos para o português por um tradutor juramentado e na sequência devem ser autenticados no Consulado/Embaixada do Brasil mais próximo da cidade onde o estrangeiro reside no exterior. Para sanar suas dúvidas sobre o que é notarizar um documento, clique aqui.

– Após o casamento no Brasil, a certidão de casamento deve ser traduzida para o inglês por um tradutor juramentado que seja afiliado ao Consulado/Embaixada dos EUA no Brasil. Após traduzir a certidão, é necessário levar este documento para autenticar no cartório brasileiro e depois levar ele para ser autenticado no American Citizen Services do Consulado/Embaixada dos EUA mais próximo. Este trâmite se chama notarização consular. Sem este selo, sua certidão de casamento não é válida nos EUA.

 

Estados Unidos

Apesar de os estados americanos serem independentes e cada um ter o direito de exigir os documentos que bem entendem para o casamento civil, muitos deles são extremamente simples e você consegue inclusive casar no mesmo dia que dá entrada na papelada. Vou explicar como foi casar em Washington DC.

O casamento no Washington DC Court é o mais rápido, prático e indolor possível. Um dos dois noivos pode comparecer a corte com os seguintes documentos:

 

– Documentos de identificação com foto dos noivos. O estrangeiro deve apresentar o passaporte e o americano pode apresentar a carteira de habilitação

– Formulário de solicitação de casamento preenchida (clique aqui para obter o formulário).

– Pagamento da taxa de U$35 da licença de casamento

– Pagamento da taxa de U$10 pela certidão de casamento (documento oficial que será expedido após o casamento ser lavrado). *A diferença entre os dois documentos é que a licença de casamento você pode levar para qualquer officiant da comarca de DC realizar o ato para você, caso não queira casar na Corte.

– Se quiser casar na Corte, o agendamento é grátis e a agenda deles está sempre com um gap de aproximadamente 2-3 semanas, e a sala onde o casamento é celebrado cabe aproximadamente 15 pessoas.

– Se você preferir, você mesmo ou o seu noivo/a pode celebrar o seu casamento pagando uma taxa de U$25 para se tornar um temporary officiant.

– Após o casamento ser formalizado, deve-se levar a marriage license de volta a Corte para ela ser lavrada e assim receber a certidão de casamento original com assinatura e selo do juiz. Lembrando que a licença de casamento não expira se for emitida em Washington DC e você tem tempo de sobra para organizar o casamento. Porém, após a marriage license ser assinada e datada, você tem até 30 dias para retornar a licença para a Corte para a certidão original ser produzida.

– Após ter a certidão de casamento em mãos, lembre de traduzir a mesma com um tradutor juramentado para o português e leve a certidão até o Consulado/Embaixada do Brasil mais próximo da sua residência para a certidão ser lavrada e validada no Brasil. Eu utilizo os serviços da Day Translations aqui nos EUA e eles são fantásticos, profissionais e super rápidos. Como o trâmite para a certidão ser válida no Brasil é mais complicado, vou explicar ele num outro post.

 

Boa sorte qualquer que seja a sua decisão de casar no Brasil ou nos EUA, o importante é ser feliz.

 

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Por Érica Brasilino

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Relacionamento Intercultural

21 de novembro de 2017

Quem vê minhas fotos no Instagram com o meu marido, pensa que nossa vida são apenas flores. Não são. Como qualquer ser humano normal, temos nossas dificuldades e desentendimentos, e para temperar tudo isso ainda temos as nossas diferenças culturais. Ao mesmo tempo que relacionamentos com pessoas de outras nacionalidades sejam excitantes, como qualquer relacionamento temos nossas dificuldades de comunicação que se multiplicam quando digo uma coisa e ele entende outra.

Comecei a aprender inglês aos 9 anos de idade e quando conheci o Ezio, eu jurava que era a expert no idioma. Ledo engano. Tudo aquilo que você aprendeu no CCAA da vida cai por terra quando você precisa expressar raiva, ciúmes, medo, saudades e por aí vai. Não apenas o idioma pode ser um fator de dificuldade, mas também o contexto cultural onde você e a pessoa foram criados.

Meu marido é cubano/americano e sempre brinco que só casei com ele por conta do seu lado latino. É muito mais fácil para mim, expor os meus sentimentos em português do que em inglês. Não por falta de vocabulário, mas simplesmente porque sempre acho muito mais verdadeiro quando solto um “eu te amo” no meu idioma do que o famoso I love you. Da mesma maneira que eu sei que quando ele solta um “cunho” em espanhol, significa que ele esta realmente emputecido.

Ao longo dos nossos quase 5 anos juntos, já tivemos situações onde eu falei uma coisa e ele entendeu outra. Quando ele fala para mim por exemplo I adore you, em inglês o adore é muito mais forte que o love. Enquanto em português o eu te adoro pelo menos para mim não tem tanto impacto como o eu amo você. Outra diferença foi quando eu disse para ele uma vez que estava nervous e isso deixou ele muito preocupado. Porque o nervous tem uma conotação negativa aqui e no Brasil podemos estar nervosos simplesmente porque vamos fazer uma prova e sabemos que não iremos bem.

No nosso inicio de namoro, uma das coisas que mais me irritavam como brasileira, era essa questão de personal space. Eu nunca entendi direito essa coisa americana de “preciso de espaço”. Se eu pudesse, ficaria com ele todas as noites, grudadas e ele um dia me cortou na cara dura dizendo que precisava de espaço. Acho que por estar no Brasil, eu me senti muito mais confortável em virar para ele e dizer: “olha aqui querido… se você ficar fazendo esses joguinhos de espaço vou te dar um espaço enorme e a fila vai andar”.

Claro que o fato de o espanhol ser o primeiro idioma dele, torna tudo muito mais fácil. Nossa comunicação é uma mistura de três idiomas constantemente. Eu uso português praticamente o tempo inteiro, para ele aperfeiçoar o que ele já sabe e continuar praticando para poder se comunicar com os meus familiares e amigos. Quando temos de tratar algo importante e quero ter certeza de que não haverá erros, optamos pelo inglês. Além do meu inglês ser muito melhor do que o português dele, é muito mais rápido e eu não preciso ficar explicando o que quis dizer o tempo todo. O espanhol usamos com frequência porque eu preciso praticar para poder falar com a família dele. Meu portunhol dá para o gasto. Soltamos uma frase ou outra em francês, mas percebo que vamos acabar esquecendo o idioma porque aqui quase não usamos.

Outras situações apareceram ao longo do tempo. Por exemplo, americanos são super contra PDA (public display of affection) ou se você preferir demonstrações publicas de afeto. Eu tive de aprender ao longo dos anos a não abraçar e beijar ele na rua. Porém ele aprendeu a segurar a minha mão quando estamos em público ou num shopping. Ele sabe da minha necessidade de toque e eu entendo que não posso dar um beijão nele no meio da rua. É uma troca. Já percebi várias vezes que somos mais afetuosos um com o outro do que outros casais interculturais. Mas acho que não é nada relacionado com o tamanho do amor que um casal tem pelo outro, mas simplesmente pelo meu lado emocional/brasileiro gritar tão forte.

Mas nem só de problemas vive um casal intercultural. Uma das atitudes dele que me fizeram cair de amores é o fato de ele sempre abrir a porta do carro para mim. E hoje mesmo após muito tempo juntos, ele ainda o faz. Uma outra atitude que aos olhos de algumas pessoas pode soar banal, mas para mim faz toda a diferença, é o fato de ele me agradecer por ter feito o jantar, ou por ter limpado a casa, ou por ter ido ao mercado. O que na minha cabeça é algo que eu deva fazer por ser uma mulher casada e dona de casa que no momento não trabalha fora, para ele é motivo de agradecimento. Isso não tem preço.

Um outro acontecimento muito marcante na nossa diferença cultural é a troca de presentes em datas comemorativas. No inicio do namoro, eu dei para ele um relógio caríssimo da Victor Hugo. Devo ter gastado metade do meu salário mensal na ocasião num mega relógio de aniversário para ele. Meu marido sempre foi extremamente generoso comigo em presentes, viagens e afins e eu queria muito retribuir a altura. Lembro como se fosse hoje o dia que entreguei o presente para ele. A cara dele foi no chão, eu não conseguia entender se era raiva, vergonha, mas vi na cara dele que ele estava muito puto. A primeira coisa que ele me falou foi: “somente pela caixa de presente, imagino que você deve ter pago uma fortuna nele, quanto foi? “. Eu nunca me senti tão ultrajada em toda a minha vida. Eu achando que ele ia cair de amores pelo presente e ele me pergunta o valor do relógio. Disse que não falaria o valor porque não importava (realmente para mim, naquele momento não importava mesmo). Ele levantou do restaurante onde estávamos e dirigiu ate a loja mais próxima. Fomos calados do restaurante até a loja e ao chegar lá ele simplesmente queria devolver o relógio e queria que a loja reembolsasse o meu cartão. Eu não entendi nada até que ele me disse que ele deveria ser a pessoa a presentear generosamente e não o contrario uma vez que nossa diferença salarial era grande. Disse que apenas o meu amor, cuidado e carinho com ele eram o suficiente e que ficaria muito mais feliz com um cartão sincero ou um jantar feito por mim do que um relógio de 4 dígitos no pulso. Eu nunca na minha vida esperaria algo assim. Claro que ele foi informado que reembolsos no Brasil são quase impossíveis e que ou trocaríamos o relógio por outro item da loja para mim ou ele ficaria com o relógio. Ele ficou passado com o sistema brasileiro de devolução (inexistente) e hoje usa o relógio feliz e contente. O engraçado é que ele tem um carinho absurdo pelo presente e sempre usa em ocasiões especiais. Porém deixou claro que aquele seria o primeiro e ultimo presente que eu gastaria uma pequena fortuna.

Essas são apenas algumas das situações que passamos e que compartilho com vocês para explicar que um relacionamento intercultural é desafiador. Não é impossível, mas requer carinho, atenção, vontade de entender, abraçar e respeitar a cultura do outro. Eu cresci muito como pessoa e aprendi a me colocar no lugar dele e a ver as situações com outros olhos desde que comecei a namorar o meu esposo. No fim de tudo, o que vale é ser feliz.

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Mais um ano de vida!

12 de outubro de 2017

O tempo… implacável como sempre… não para nunca. E completei mais um ano de vida. Estes últimos doze meses não foram nada fáceis, foram porradas atrás de porradas, apunhaladas pelas costas, mudanças, mala nas costas, recomeços, novos começos e no fim… resiliência.

Minha vida por si só daria uma bela saga de livros com direito a vários volumes de sucesso. Minhas amigas mais próximas dizem que no dia que eu resolver lançar minhas memórias, vou ficar milionária.

Mas o post de hoje eu só quero agradecer. Quando completei 35 anos em outubro do ano passado a única coisa que eu queria era saúde e forças para enfrentar 36 meses de Togo pela frente. Estávamos na África a apenas um mês e eu jurava que íamos ficar lá ate agosto de 2019. Ledo engano…

Quanto aprendizado em 12 meses… um novo idioma… não fluente, mas o suficiente para não me sentir tão perdida se for para um país que fala francês amanhã (Monsieur Trudeau… ça va bien?), uma nova cultura… um novo continente… 4 novos países…

Aprendi mais uma vez com uma bela apunhalada pelas costas que quem sorri para você e você abraça como seu novo amigo de infância… se fala mal de todo mundo para você, vai com certeza lascar você com os outros. Isso é fato. Nunca, jamais, em hipótese alguma, abra as portas da sua casa para uma pessoa com apenas um mês de amizade. Fica a dica!

Ver meu noivo trabalhar feito um camelo, sábado, domingo, feriado e mal ficar em casa comigo me fez apreciar o pão nosso de cada dia. Eu poderia ter bancado a louca que faz escândalo porque estava no edi do mundo, sozinha, com a internet que mal funcionava, isolada e amargurada. Imagina que relacionamento terrível teríamos se ao invés de entender que ele estava trabalhando feito louco para dar conta do trabalho eu apenas reclamasse que ele não tinha tempo para mim? Eu mesma teria separado de mim!

Adotamos a Bella… mesmo meu digníssimo sabendo que todas as alergias do mundo acometem o nariz dele… ele topou trazer aquela pequena bola de pelos para casa, para eu ter companhia. Tem um ano que nossa casa vive cheia de pelos…, mas sou tão feliz por ter trazido ela para nossa vida. A bicha é chata para cacete, só vem perto da gente quando ela quer…, mas é minha companhia constante todos os dias (mesmo contra a vontade dela).

Fiz voluntariado, vi de perto uma pobreza que eu nunca na vida imaginei existir… imagina… isso aí só existe na National Geographic… e ela esta ali, esfregada na nossa cara, 24 horas por dia nas ruas da África… ajudamos 4 famílias diferentes a ter uma vida menos pior com salários dignos trabalhando na nossa casa. Fiz amigos brasileiros que estão lá doando a vida deles todos os dias por amor ao próximo. Aprendi que amigo de verdade vai na sua casa orar com você quando você liga meio depressivo (mas aceita que após a oração você abra uma cervejinha para desestressar).

Visitamos um dos locais mais exuberantes do planeta… foi difícil para cacete chegar lá… dirigimos 5 horas até Accra em Gana, voamos ate Joanesburgo, voamos até Mahebourgh no meio do oceano índico… mas valeu cada segundo das 24 horas para chegar nas Ilhas Maurício. E visitar um local que estava na sua lista e seu noivo nunca tinha ouvido falar na vida, mas topou ir só porque você queria ir… eu sou muito sortuda.

Visitei minha família por apenas 5 dias. Mas foram os 5 dias mais importantes do ano para minha mãe. Ver minha mãe voltar a acreditar no amor e ser pedida em casamento foi um dos momentos mais lindos do ano. Compartilhar com ela e o Adalberto aquele momento foi mágico. Gratidão por ver minha mãe feliz e finalmente com uma pessoa que a merece.

Voltar pra África e organizar uma mudança entre continentes sozinha. S.O.Z.I.N.H.A. Enfrentar leões enquanto sua melhor metade estava resolvendo o nosso futuro a distancia. Chorei, me desesperei, me descabelei, mas consegui, cuidei de tudo, dei tchau para os meus amigos mais próximos do Togo e vim de mala e cuia e com a Bella embaixo do braço de volta pra América. Ela miou, chorou, tentou escapar, esperneou, se assustou, tentou assustar pessoas… mas chegou aqui. Tudo bem que agora ela desenvolveu uma síndrome de pânico e todas as vezes que ela vê malas ela se esconde e não a achamos de jeito nenhum, mas esta aqui, linda e maravilhosa com a gente.

E por fim… casar… sim… quando eu ia imaginar que ia terminar o ano oficialmente como a senhora Veloso? Tínhamos planos de casar, mas só em 2019 quando saíssemos da África. Íamos fazer algo no meio do caminho para as duas famílias participarem… no fim das contas… casamos, numa tarde de segunda feira… num local escolhido a dedo para simbolizar a nossa vida itinerante. Foi simples, singelo, discreto, mas foi com amor do jeito que tinha que ser.

Perdi dois entes queridos muito próximos e não pude me despedir… aprendi na pele o que é morar no exterior e não poder dizer tchau para os seus familiares que partem. Não poder abraçar uma tia que sofre uma perda, não poder passar pelo luto com a sua família, receber um áudio de WhatsApp avisando algo que você não gostaria de escutar…, mas a vida segue… dia após dia…

Ganhei uma nova amiga… a Flávia… que mesmo longe é sempre tão presente. Foi um daqueles presentes que a vida joga no nosso colo assim de graça… depois de muito descer o cacete em você. Eu queria mesmo poder sentar com ela num fim de tarde ensolarado e ficar bêbada falando besteiras… por enquanto o WhatsApp dá conta do recado.

Estes últimos 12 meses foram insanos…, mas estou aqui, firme e aprendendo a cada dia a ser resiliente. Nunca essa palavra fez tanto sentido na minha vida como agora. Hoje é mais um 12 de outubro, mais um aniversario, mais um ano de vida. Para os próximos 12 meses só peço saúde para mim e para os meus. Nos programamos tanto e muitas vezes a vida é interrompida do nada. Só quero saúde, o resto a gente vai dando conta ao longo do caminho.

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Por Érica Brasilino

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