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Planejando uma viagem de última hora

12 de janeiro de 2018

2017 foi o ano que tivemos que mudar tudo o que planejamos aos 45 minutos do segundo tempo no jogo da vida. Desde nossa volta repentina do Togo para os EUA antes do previsto, passando pelo nosso casamento que ia acontecer em agosto na Costa do Dendê na Bahia (rolou em setembro em Washington), sem contar outros perrengues que não valem a pena serem mencionados por aqui… foi o ano da resiliência. Claro que nossa última viagem do ano, não ia ser diferente.

A ideia era passar um mês no Brasil em novembro. Como eu ia voar para fazer provas na faculdade, íamos aproveitar para esta ser a nossa grande viagem do ano. Já tínhamos reservado hotéis, comprado passagens, reservado passeios. Meu marido ia finalmente voltar ao Brasil após 3 anos, minha família estava animada e excitada para nos abraçar após o nosso casamento. Estava tudo pronto quando fui informada que não podia deixar os EUA. Abafa o caso… chorei, gritei, esperneei, de nada adiantou… Além de ter de cancelar tudo, perder dinheiro com alguns hotéis e com a TAM, meu marido não podia simplesmente cancelar as férias dele. Nos vimos com 21 dias nas mãos já aprovados para poder fazer o que quiséssemos e eu totalmente devastada e depressiva sem cabeça para organizar mais nada. Eu já tinha gastado toda a minha energia montando um mega roteiro pelo nordeste brasileiro, como pensar em outro local faltando apenas 14 dias para viajar?

Sentei sem vontade na frente do computador e tive de decidir para onde iríamos. Só tinha uma condição: no roteiro que eu ia montar, tinha que incluir o Death Valley. Meu esposo colocou na cabeça que queria passar uns dias isolados dirigindo por estradas onde não teria nenhum outro vestígio de civilização além de nós…  Corri na Barnes and Nobles e comprei o guia USA National Parks da Lonely Planet e foi aí que tudo mudou. Após dois dias eu já tinha um esboço em mente. Íamos fazer uma road trip pela Califórnia passando pelo Death Valley, Yosemite e de lá íamos descer a Pacific Coastal Highway até Los Angeles. O problema foi que quanto mais nós líamos o guia… mais parques queríamos incluir no roteiro… e muito provavelmente os 21 dias não seriam suficiente para ver tudo o que tínhamos em mente. Depois de muito pesar a respeito, colocamos num papel os locais que queríamos ver em ordem de importância, jogamos no Google Maps e partir daí decidimos comprar apenas as passagens de ida e volta entre Washington D.C e Los Angeles e alugar o carro. Todo o restante da viagem ia ser no esquema decidir o que fazer ao acordar. Foi a primeira vez que viajamos assim e foi uma agradável surpresa. Eu sou a rainha das listas e no nosso roteiro geralmente coloco até a hora que vamos acordar… viajar sem nada definido foi libertador.

Roteiro

 

Então a partir do próximo post, vou dividir com vocês a nossa viagem épica por 6 dos maiores parques nacionais dos Estados Unidos localizados em 4 estados distintos. Vou compartilhar dicas sobre o Arizona, a Califórnia, Nevada e o Utah. O que ver, fazer, onde dormir, onde não dormir, onde comer e como chegar aos locais sensacionais que encontramos pelo caminho nessa viagem que nem pensávamos em fazer a dois meses atrás e acabou se tornando uma das nossas viagens mais legais.

 

Até o próximo post 🙂

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Por Érica Brasilino

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Estilo de Vida Livros Togo

Quanto do idioma local é necessário para sobreviver no exterior?

18 de novembro de 2016

Este ano comecei a estudar francês porque estava de mudança para um país francôfonico (falante de língua francesa). Finalizei os dois livros básicos na Aliança Francesa em Washington D.C. Como já falo outros 3 idiomas achei que seria extremamente fácil aprender o quarto… ledo engano

Sou nativa em português, fluente em inglês e intermediária em espanhol. Foi aí que todos os meus problemas começaram… como meu conhecimento de espanhol não é fluente e ainda sofro com conjugações de alguns verbos… meu cérebro acha que francês e espanhol é tudo a mesma coisa…

Minha turma de francês na Aliança Francesa era um mix cultural. Uma completa torre de babel. Éramos um mix de brasileiros, colombianos, espanhóis, americanos, indianos e alemães. A única que precisava de francês realmente num período muito curto de tempo era eu…

O português, o espanhol e o francês tem várias palavras em comum, então durante a explicação da matéria eu percebia claramente que os falantes de espanhol e português na sala tinham uma certa vantagem. Os americanos que não falavam nenhum outro idioma sofriam horrores. A alemã então coitada… parecia que estava indo para a forca… Percebi que quando eu não conseguia formar uma frase em francês meu cérebro automaticamente apertava a tecla espanhol e lá estava eu dando respostas como “Yo también…” quando na verdade eu tinha que responder “Moi aussie…” uma zona linguística!!!

Dai chegou a prova de fogo e me mudei de mala e cuia para Lomé no Togo. Cheguei no aeroporto e além de ser a única mulher a desembarcar sozinha, ninguém falava inglês. Lá estava eu com minha mochila nas costas, passaporte e caderneta de vacinação na mão prestando atenção no que as pessoas estavam fazendo á minha frente para poder usar a boa e velha mímica. Decorei minha frase favorita “Je ne parle pas français, je suis Érica, je suis brésiliene.”. Descobri que a última palavra me abre sorrisos amistosos em todos os lugares aqui.

Passei pela imigração e cá estou eu já a dois meses. Num país que 100% da população fala seu idioma tribal local e metade fala um francês muito diferente do que eu estava aprendendo em sala de aula. Eu me viro. Ando com meu Google Tradutor no celular para cima e para baixo, aponto imagens na tela do celular, dou risada de mim mesma com meu francês rudimentar e me jogo no mundo. O mais importante sempre é você tentar começar a sua comunicação no idioma local com um sorriso e dizer a verdade. Eu sempre falo bom dia, meu nome é Érica, desculpe não falo francês, pergunto se alguém fala inglês (tudo isso em francês) e geralmente encontro alguém com inglês básico pronto pra ajudar. E vou me virando. Eles ficam muito felizes quando eu tento me comunicar no idioma deles. Sempre me ensinam, me corrigem e dão risada comigo dos meus erros. Meu vocabulário tem crescido horrores. Pergunto para as pessoas que falam inglês tudo o que posso sobre a cultura local, costumes, comidas, política. Sou extremamente curiosa sobre tudo aqui.

Acredito que o fato de eu ser comunicativa também ajuda muito. O segredo é não ter medo de se comunicar. Já comprei até cloro para a piscina com um senhor que não falava um A em inglês.

Meus dois livros básicos na Aliança não foram em vão… Aprendi os dias da semana, meses do ano, contar (importantíssimo para poder lidar com números gente!!!!). Tenho um professor de francês duas vezes por semana que ficou chocado quando eu disse para ele que eu precisava de lição de casa pois era uma pessoa extremamente visual e precisava praticar repetições principalmente de gramática. E segue a vida. Como moraremos ate 2019 por aqui meu plano é sair daqui com o inglês de intermediário para avançado. I hope so.

Muitas vezes é frustrante saber 3 idiomas e aqui ter a sensação de que eu não sei nada na verdade. Porém é um desafio. E a vida só tem graça quando você se desafia.

Vou deixar uma dica de leitura caso você pense em viajar para um país que fale francês. Se você não tiver ideia do que “u la la” significa acabei de ler o Guia de Conversação – Francês para Leigos. Ele tem frases prontas para situações do dia a dia, principalmente numa viagem. Além de ser escrito em português ele utiliza a nossa fonética para explicar como pronunciar as palavras em francês. Barato e super prático, você pode encontrar este livro na Saraiva do Morumbi Shopping (fica a dica).

O importante no final do dia é comemorar as pequenas vitórias, perceber como o seu vocabulário aumenta com o passar do tempo e não ser muito duro consigo mesmo. Eu levei oito anos no total para aprender espanhol fluentemente e até hoje continuo aprendendo com o meu marido todos os dias. Sei que uma hora o francês virá naturalmente.

 

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Por Érica Brasilino

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