Categoria: Estilo de Vida

Estilo de Vida Outros

E eu me tornei uma trailing spouse!

09 de Janeiro de 2018

Desde que eu me entendo por gente, minha mãe sempre trabalhou fora. Sempre foi motivo de orgulho para ela acordar as 5:00 da manhã, tomar café, se arrumar e partir para o ponto de ônibus sentido Moema. Passei minha infância/adolescência assistindo a minha mãe dia após dia, conquistar seu espaço no mercado de trabalho e com o seu esforço laboral, trazer para casa seu suado salário e dar uma vida digna para mim e meu irmão. Tudo indicava que eu estava seguindo o mesmo caminho, tinha um emprego estável que pagava bem em São Paulo, estava convicta de que me aposentaria lá e teria uma velhice confortável. INSS e aposentadoria privada engatilhada para complementar a renda. Até que este homem chegou na minha vida… e virou tudo de ponta cabeça.

Eu sempre tive muito orgulho da minha independência financeira e aos 25 anos já tinha uma moto, um carro e um apartamento comprado com meu ex marido. Para alguém que veio de um bairro periférico, filha de mãe solteira… eu já tinha de certa forma vencido na vida. Era só uma questão de administrar e cada vez mais guardar para o futuro e fazer uma viagem bacana por ano.

Quando começaram as conversas sobre abandonar minha carreira e seguir meu atual esposo mundo afora… sempre fomos adultos o suficiente para sentar e analisar todos os prós e contras. E levei 15 meses para finalmente decidir seguir o coração. Quando ele foi para o Paquistão e ficamos namorando a distância e nos encontrando a cada 4 meses… percebi que ou seguia ele até o fim do mundo, ou escolheria a minha carreira e seria frustrada num relacionamento futuro qualquer por puro medo.

Os primeiros meses como uma trailing spouse foram muito difíceis para me adaptar. Passei de uma mulher independente que comprava uma bolsa da Michael Kors de R$1500 para uma noiva que recebia mesada. Estipulamos um valor X por semana e lembro que a primeira vez que ele deixou dinheiro para mim e foi trabalhar me senti um lixo. Chorei o dia inteiro de vergonha. Lembro que levei pelo menos 3 meses para comentar com ele que precisava de alguma coisa. Chegou ao extremo de ele me ligar e eu não poder atender o telefone porque meu crédito tinha acabado e eu não queria pedir. Foi ridículo. Até que decidimos abrir uma conta para mim aqui e ele passou a transferir o dinheiro diretamente para lá, então eu uso o cartão, faço o que tenho que fazer e não vejo ele fazer os depósitos. Pode parecer ridículo… mas funcionou melhor após essa decisão.

Foram precisas várias conversas ao longo destes dois anos para eu entender que tenho um papel fundamental no nosso relacionamento e que ser dona de casa/trailing spouse que não trabalha, não significa que não tenha o meu valor. Durante o meu tempo na África, me tornei administradora da nossa casa em tempo integral, onde eu gerenciava 4 funcionários, controlava as compras da casa, administrava a folha de pagamento e os problemas do pessoal, e ainda tinha que ser a esposa a altura do representante estrangeiro em terras longínquas. Foram inúmeros eventos que tive de organizar por conta do trabalho dele na nossa casa. De certa forma, isso é um tipo de trabalho. Trocamos as senhas de sites como Walmart e Amazon e eu não precisava esperar ele chegar em casa para fazermos as compras da semana. Eu mesma sentava, pedia online e duas semanas depois nossa despensa estava abastecida. Ter independência novamente foi primordial para reestabelecer a minha segurança como mulher.

Além de tudo isso, eu precisava me sentir útil. Uma das piores coisas de ficar em casa é a sensação de que você não é mais interessante porque não tem conteúdo para conversar com o seu marido. Por conta dessa minha inquietação e necessidade de desafios eu voltei a estudar. Me matriculei na faculdade no Brasil e estou cursando Eventos na Anhembi Morumbi. Também faço uma especialização do meu curso de Maquiadora Profissional pela Make Up Academy da Renata Meins online e estava cursando francês três vezes por semana particular em casa com um professor no Togo. Fazia voluntariado com dois grupos diferentes em Lomé e de vez quando dava um pulo na academia. E comecei este blog, pois precisava manter a mente ativa. Por conta do blog conheci muita gente bacana da rede de blogueiros de viagem e fiz uma amigona para a vida (você Flávia).

 

As pessoas que olham de fora, pensam que a vida de quem é uma trailing spouse é só festa, cafés da manhã com outras spouses, viagens e afins. Não… não é. Temos um gap no currículo (o meu já está de dois anos) e quando voltamos para o mercado de trabalho temos que explicar para o empregador em potencial porque, apesar do nosso conhecimento e experiência estamos fora do mercado de trabalho. Manter-se ocupada é também benéfico para o currículo para o dia que você decidir voltar a trabalhar. Meus artigos neste humilde blog têm alcançado muitas pessoas no Linkedin desde que conectei ele com a rede de empregos e sempre recebo visitas no meu perfil de pessoas de vários ramos. Já até fiz freelas de tradução português/inglês inclusive para empresas de tecnologia do Vale do Silício por conta do meu perfil atualizado por lá.

Confesso que muito me incomodava em Lomé ser conhecida como a esposa da pessoa tal. É uma perda de identidade de uma certa maneira. Você deixa de ser uma profissional com vida própria para ser a mulher de alguém. Enquanto eu sei que várias mulheres no Togo (talvez até no Brasil) dariam uma perna para estarem no meu lugar, eu quero ser reconhecida por ser a Érica, uma profissional que fala 4 idiomas, que escreve um blog e que já fez voluntariado na África, não apenas como a esposa do Ezio (babe I love you and you know what I mean).

Colocar a nossa carreira em pausa é uma das maiores demonstrações de amor que podemos dar para os nossos spouses. É colocar a nossa necessidade em segundo plano por conta do objetivo do próximo, mas nada mais é do que também ser um jogador de um time. Porque se ambos não estiverem unidos no mesmo objetivo, não há casamento que aguente, e o que mais tem nesse nosso ramo são casamentos infelizes e histórias de adultérios de cair o queixo.

Sem contar que quando mudamos para um novo local, o spouse que tem a carreira esta ocupadíssimo com o seu novo trabalho enquanto você esta em casa miseravelmente tentando entender como funciona o novo país, as vezes sem internet ou televisão por semanas a fio, com apenas uma panela para cozinhar. E tem de organizar toda a mudança quando ela chega de navio após meses e meses a fio. Tem que fazer amizades do zero e tem de ser um poço de otimismo e amor para quando o spouse chegar em casa deprimido ou chateado, reafirmarmos que esta tudo bem e que conseguiremos passar por mais essa.

 

Essas mudanças podem ser muito solitárias, principalmente se você faz parte de um casal sem filhos (nosso caso). Passei vários dias sozinha por mais de 14 horas em casa no meio do nada no Togo porque tínhamos acabado de chegar e ele precisava se adaptar e catch up on stuff right away. Mas ninguém nunca disse que seria fácil.

No final das contas, o importante é encontrar a sua felicidade, é ser resiliente e auto suficiente para poder saber o que fazer com o seu tempo livre e não se sentir culpada por ter tempo livre. É descobrir prazer em pequenas coisas como ler um livro numa terça chuvosa após ter limpado a casa com o gato no seu colo. É não dar atenção ao que a sociedade espera de você, mas sim ao que faz você e a sua melhor metade feliz. Se no final das contas estiver funcionando para vocês, isso é o que importa.

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Por Érica Brasilino

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Elopement Wedding

05 de Janeiro de 2018

Quando decidi escrever sobre o nosso elopement wedding, comecei a pesquisar sites em português para saber se isso está na moda no Brasil.  Pelo visto não… tanto que é mais fácil encontrar artigos sobre destination weddings do que elopements. Mas o que seria exatamente um elopement wedding?

Merriam Webster Dictionary

To elope: Fugir para casar em segredo contra a vontade dos pais (passado)

To elope: Casamento íntimo onde apenas os noivos estão presentes (atualidade)

 

Porque cada vez mais os casais no exterior optam por este tipo de casamento?

Por mil e um motivos… cada casal tem o seu… o mais importante num elopement wedding é o amor e o comprometimento do casal. Dito isso, não significa que o seu dia não possa ser digno de um conto de fadas, ou o casamentos dos seus sonhos, muito pelo contrário… você pode se vestir como uma princesa se quiser… porém somente você, sua melhor metade, o juiz de paz e muito provavelmente um fotógrafo verão este grande dia. Tem momentos na vida que é tudo muito complicado e você só precisa ser prático… o Elopement Wedding pode ser a solução para vários dos seus problemas.

Nós já estávamos noivos desde 2014 e morando juntos desde o final de 2015. Nós dois já éramos divorciados então já sabíamos exatamente como funciona um casamento que não deu certo… e claro… nós dois não queremos passar por nada daquilo novamente. Hoje após quase 5 anos juntos e vivendo os últimos dois anos praticamente como marido e mulher, o casamento seria obviamente algo muito natural. Mesmo assim, ao ligarmos para informar as pessoas mais próximas que havíamos casado… foi no mínimo engraçado… minha mãe era a única que sabia que íamos casar no dia tal na hora tal. Ao ligarmos para a mãe dele, ela aceitou de uma maneira linda e disse que já éramos casados para ela. As irmãs dele, cada uma reagiu de uma maneira, e minhas melhores amigas… tenho histórias engraçadas para contar sobre a reação de cada uma delas (num próximo post quem sabe?).

No nosso caso, se fôssemos organizar um casamento tradicional… mesmo que fosse um casamento pequeno, quando começamos a tentar entender a logística que envolveria um casamento entre duas pessoas de dois países distintos… seria tudo muito complicado (sem contar estressante e caro). Se casássemos no Brasil, a família e os amigos dele daqui teriam que se deslocar para São Paulo, se casássemos aqui… minha família muito provavelmente não conseguiria vir completa e eu honestamente não gostaria de casar apenas com um lado da família envolvido. Na minha cabeça não é justo que apenas um dos lados possa compartilhar este momento conosco e não a minha avó ou o meu afilhado por exemplo. Como tudo estava ficando muito complicado e pra nós este dia tinha de ser prático e prazeroso… simplesmente optamos por elope.

Ao pesquisar sobre o tema, fiquei chocada em como isso é sério aqui nos EUA. No Pinterest há milhões de ideias para se copiar, desde a decoração do local onde você irá elope até as cores que você pode usar. Afinal não é porque serão apenas vocês dois que você não pode se sentir plena e feliz no seu grande dia. Como nós optamos por casar na estação de trem Union Station, escolhi um vestido lindinho da Antix Store (que eu secretamente já tinha comprado pensando no casamento no cartório). A oficiante do casamento foi contratada através da agencia DC Elopements, considerada uma das melhores dos EUA, eleita vários anos seguidos pelo The Knot (maior site de casamentos daqui) como uma das mais confiáveis. Ela foi de uma doçura e gentileza absurda conosco. Ao chegarmos na estação, ela já nos esperava no local combinado, fizemos os nossos votos e ela nos declarou marido e mulher. Quando as pessoas perceberam que era um casamento, já tinha acontecido (hahahaha).

A escolha do local no elopement wedding é um dos fatores chaves para este tipo de cerimônia. Por não ser um casamento tradicional, você pode casar onde quiser e onde a lei no país que você estiver permitir. Como estamos sempre com a casa nas costas indo de um país para outro por conta do emprego dele, a estação de trem simbolicamente representa nossa vida itinerante.

Quando pesquisei a respeito, a maioria das americanas diziam que estavam cansadas de fazerem a lista de convidados, ou experimentar bolos diferentes, ou escolher as cores da cerimônia. Eu lembro que mesmo com um pequeno casamento, a primeira vez que casei foi um perrengue danado. Realmente não ter que passar por tudo aquilo de novo, fez valer a pena o casamento a dois.

Ao finalizarmos a cerimônia, optamos por sentar na nossa pizzaria favorita e nos deliciamos com uma pizza maravilhosa de pepperoni. Afinal de contas… pizza sempre é sinônimo de uma refeição feliz. Por ser um casamento íntimo, você pode se dar ao luxo de ir almoçar ou jantar no Figueira Rubaiyat por exemplo se for o seu desejo.

Acredito que no final do dia o que conta, é você estar em paz com você e com a sua melhor metade, sem dívidas, sem conflitos, sem encheção de saco por conta da prima que foi convidada e a irmã dela não, e saber que fez a escolha certa. Mesmo que as famílias reclamem, os amigos não entendam… no final, quem realmente amar o casal, vai entender e depois vai encher vocês de carinho e afeto. Mas por favor, se não curtir a ideia… continuem fazendo festas maravilhosas de casamento, afinal bem casados são sempre muito bem vindos S2.

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Por Érica Brasilino

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Feliz 2018

02 de Janeiro de 2018

2017 finalmente se foi e temos um ano novo inteirinho pela frente. 365 novas páginas para escrevermos e desenharmos do jeito que quisermos. E você já sabe quais serão as suas metas para este novo ciclo?

Eu tenho como objetivo para este novo ano metas comuns e fáceis de atingir para qualquer pessoa, mas acho que a principal delas é reduzir o uso das redes sociais. Por milhões de motivos, cheguei a conclusão de que preciso de mais tempo útil para mim e minha família, do que tempo gasto no computador/celular ou no iPad. Não vou deletar meus perfis, até mesmo porque é através deles que eu divulgo os posts deste humilde blog, mas preciso urgentemente viver mais. Perder dois tios muito próximos ano passado me fez ter a noção de finitude que nos cerca… e quero poder realizar mais coisas concretas este ano.

Algumas das minhas metas para 2018 são:

  • Emagrecer (quero eliminar 4 quilos)
  • Ir para a academia pelo menos 3x por semana
  • Ler mais livros (mesmo tendo zilhões de coisas da faculdade para ler, mesmo que eu leve um ano para ler um livro, vou ter sempre um livro ao lado da cama)
  • Atualizar o blog pelo menos 1x por semana (gostaria de manter a frequência de duas vezes do ano passado, mas estou sendo mais realista)
  • Comer mais frutas
  • Não gastar energia com coisas que não sejam saudáveis para a minha mente e o meu espírito
  • Economizar $$$ (desde que voltei da África, não gasto como antigamente, mas ainda dou umas escapulidas… não sou de ferro… morar nos EUA é um convite para a gastação de dinheiro desenfreada)
  • Fazer mais trabalhos manuais
  • Beber mais água
  • Conhecer pelo menos um novo país este ano
  • Reduzir o uso do Facebook, começando por eliminar o App do meu celular

Estes são apenas alguns itens da minha lista de resoluções para 2018. E você já montou a sua? Espero que este post sirva de inspiração para ajudar você a pensar e analisar o que você gostaria de se comprometer a fazer. Do lado de cá, eu me comprometo a revisitar este post no final do ano e comparar se eu fiz o que prometi, e se você fizer o mesmo?

Um beijo e feliz ano novo com muito sucesso e realizações.

 

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Por Érica Brasilino

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Casar com um americano no Brasil ou nos Estados Unidos?

24 de novembro de 2017

O cupido te pegou e você tá morrendo de amores por um americano… veio o pedido de casamento e agora vem a dúvida… casar no Brasil ou nos Estados Unidos? No post de hoje vou explicar as diferenças para a realização do casamento civil no cartório em São Paulo ou na corte em Washington DC.

 

 

Brasil

Visitei o cartório do meu distrito em São Paulo e fui informada de todos os documentos necessários para casar. Sai de lá e fui para o bar mais próximo chorar lágrimas de sangue. Segue a lista:

 

– Primeiramente o estrangeiro deve ter entrado legalmente no Brasil. Sendo assim, apresentar ao cartório o passaporte do estrangeiro com o visto brasileiro válido e o carimbo de entrada

– Certidão de nascimento com a data de validade de seis meses. Para mim essa era uma das exigências mais ridículas de todas. Primeiro que a pessoa teria que entrar em contato com o local onde sua certidão foi emitida e pedir uma nova via. Meu marido é nascido em Cuba e cortou laços com o país de origem com 3 anos de idade. Impossível conseguir essa certidão.

– Declaração de Estado Civil. Essa declaração pode ser obtida no consulado americano mais próximo da sua cidade. Vulgarmente chamada de certidão de solteiro, ela é emitida na hora. Para agendar sua visita ao American Citizen Services em São Paulo, clique aqui.

– Declaração de Residência.

– CPF caso o estrangeiro seja residente do Brasil

– Taxa do cartório

– Presença obrigatória do estrangeiro para dar entrada na documentação. Caso não seja possível, tem de apresentar uma Procuração. Para informações de qual tipo de procuração, pergunte diretamente no cartório onde pretende casar como emitir a sua

– Caso o estrangeiro não fale português, é obrigatória a presença de um intérprete em cada uma das fases do processo

– Vale lembrar também que cada cartório é soberano sobre quais documentos o estrangeiro deve apresentar, o indicado é que a parte brasileira do casal vá até o cartório da sua comarca para assim como eu, chorar de desespero pela burrocracia

– Documentos estrangeiros para serem aceitos no Brasil precisam ser traduzidos para o português por um tradutor juramentado e na sequência devem ser autenticados no Consulado/Embaixada do Brasil mais próximo da cidade onde o estrangeiro reside no exterior. Para sanar suas dúvidas sobre o que é notarizar um documento, clique aqui.

– Após o casamento no Brasil, a certidão de casamento deve ser traduzida para o inglês por um tradutor juramentado que seja afiliado ao Consulado/Embaixada dos EUA no Brasil. Após traduzir a certidão, é necessário levar este documento para autenticar no cartório brasileiro e depois levar ele para ser autenticado no American Citizen Services do Consulado/Embaixada dos EUA mais próximo. Este trâmite se chama notarização consular. Sem este selo, sua certidão de casamento não é válida nos EUA.

 

Estados Unidos

Apesar de os estados americanos serem independentes e cada um ter o direito de exigir os documentos que bem entendem para o casamento civil, muitos deles são extremamente simples e você consegue inclusive casar no mesmo dia que dá entrada na papelada. Vou explicar como foi casar em Washington DC.

O casamento no Washington DC Court é o mais rápido, prático e indolor possível. Um dos dois noivos pode comparecer a corte com os seguintes documentos:

 

– Documentos de identificação com foto dos noivos. O estrangeiro deve apresentar o passaporte e o americano pode apresentar a carteira de habilitação

– Formulário de solicitação de casamento preenchida (clique aqui para obter o formulário).

– Pagamento da taxa de U$35 da licença de casamento

– Pagamento da taxa de U$10 pela certidão de casamento (documento oficial que será expedido após o casamento ser lavrado). *A diferença entre os dois documentos é que a licença de casamento você pode levar para qualquer officiant da comarca de DC realizar o ato para você, caso não queira casar na Corte.

– Se quiser casar na Corte, o agendamento é grátis e a agenda deles está sempre com um gap de aproximadamente 2-3 semanas, e a sala onde o casamento é celebrado cabe aproximadamente 15 pessoas.

– Se você preferir, você mesmo ou o seu noivo/a pode celebrar o seu casamento pagando uma taxa de U$25 para se tornar um temporary officiant.

– Após o casamento ser formalizado, deve-se levar a marriage license de volta a Corte para ela ser lavrada e assim receber a certidão de casamento original com assinatura e selo do juiz. Lembrando que a licença de casamento não expira se for emitida em Washington DC e você tem tempo de sobra para organizar o casamento. Porém, após a marriage license ser assinada e datada, você tem até 30 dias para retornar a licença para a Corte para a certidão original ser produzida.

– Após ter a certidão de casamento em mãos, lembre de traduzir a mesma com um tradutor juramentado para o português e leve a certidão até o Consulado/Embaixada do Brasil mais próximo da sua residência para a certidão ser lavrada e validada no Brasil. Eu utilizo os serviços da Day Translations aqui nos EUA e eles são fantásticos, profissionais e super rápidos. Como o trâmite para a certidão ser válida no Brasil é mais complicado, vou explicar ele num outro post.

 

Boa sorte qualquer que seja a sua decisão de casar no Brasil ou nos EUA, o importante é ser feliz.

 

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Por Érica Brasilino

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Relacionamento Intercultural

21 de novembro de 2017

Quem vê minhas fotos no Instagram com o meu marido, pensa que nossa vida são apenas flores. Não são. Como qualquer ser humano normal, temos nossas dificuldades e desentendimentos, e para temperar tudo isso ainda temos as nossas diferenças culturais. Ao mesmo tempo que relacionamentos com pessoas de outras nacionalidades sejam excitantes, como qualquer relacionamento temos nossas dificuldades de comunicação que se multiplicam quando digo uma coisa e ele entende outra.

Comecei a aprender inglês aos 9 anos de idade e quando conheci o Ezio, eu jurava que era a expert no idioma. Ledo engano. Tudo aquilo que você aprendeu no CCAA da vida cai por terra quando você precisa expressar raiva, ciúmes, medo, saudades e por aí vai. Não apenas o idioma pode ser um fator de dificuldade, mas também o contexto cultural onde você e a pessoa foram criados.

Meu marido é cubano/americano e sempre brinco que só casei com ele por conta do seu lado latino. É muito mais fácil para mim, expor os meus sentimentos em português do que em inglês. Não por falta de vocabulário, mas simplesmente porque sempre acho muito mais verdadeiro quando solto um “eu te amo” no meu idioma do que o famoso I love you. Da mesma maneira que eu sei que quando ele solta um “cunho” em espanhol, significa que ele esta realmente emputecido.

Ao longo dos nossos quase 5 anos juntos, já tivemos situações onde eu falei uma coisa e ele entendeu outra. Quando ele fala para mim por exemplo I adore you, em inglês o adore é muito mais forte que o love. Enquanto em português o eu te adoro pelo menos para mim não tem tanto impacto como o eu amo você. Outra diferença foi quando eu disse para ele uma vez que estava nervous e isso deixou ele muito preocupado. Porque o nervous tem uma conotação negativa aqui e no Brasil podemos estar nervosos simplesmente porque vamos fazer uma prova e sabemos que não iremos bem.

No nosso inicio de namoro, uma das coisas que mais me irritavam como brasileira, era essa questão de personal space. Eu nunca entendi direito essa coisa americana de “preciso de espaço”. Se eu pudesse, ficaria com ele todas as noites, grudadas e ele um dia me cortou na cara dura dizendo que precisava de espaço. Acho que por estar no Brasil, eu me senti muito mais confortável em virar para ele e dizer: “olha aqui querido… se você ficar fazendo esses joguinhos de espaço vou te dar um espaço enorme e a fila vai andar”.

Claro que o fato de o espanhol ser o primeiro idioma dele, torna tudo muito mais fácil. Nossa comunicação é uma mistura de três idiomas constantemente. Eu uso português praticamente o tempo inteiro, para ele aperfeiçoar o que ele já sabe e continuar praticando para poder se comunicar com os meus familiares e amigos. Quando temos de tratar algo importante e quero ter certeza de que não haverá erros, optamos pelo inglês. Além do meu inglês ser muito melhor do que o português dele, é muito mais rápido e eu não preciso ficar explicando o que quis dizer o tempo todo. O espanhol usamos com frequência porque eu preciso praticar para poder falar com a família dele. Meu portunhol dá para o gasto. Soltamos uma frase ou outra em francês, mas percebo que vamos acabar esquecendo o idioma porque aqui quase não usamos.

Outras situações apareceram ao longo do tempo. Por exemplo, americanos são super contra PDA (public display of affection) ou se você preferir demonstrações publicas de afeto. Eu tive de aprender ao longo dos anos a não abraçar e beijar ele na rua. Porém ele aprendeu a segurar a minha mão quando estamos em público ou num shopping. Ele sabe da minha necessidade de toque e eu entendo que não posso dar um beijão nele no meio da rua. É uma troca. Já percebi várias vezes que somos mais afetuosos um com o outro do que outros casais interculturais. Mas acho que não é nada relacionado com o tamanho do amor que um casal tem pelo outro, mas simplesmente pelo meu lado emocional/brasileiro gritar tão forte.

Mas nem só de problemas vive um casal intercultural. Uma das atitudes dele que me fizeram cair de amores é o fato de ele sempre abrir a porta do carro para mim. E hoje mesmo após muito tempo juntos, ele ainda o faz. Uma outra atitude que aos olhos de algumas pessoas pode soar banal, mas para mim faz toda a diferença, é o fato de ele me agradecer por ter feito o jantar, ou por ter limpado a casa, ou por ter ido ao mercado. O que na minha cabeça é algo que eu deva fazer por ser uma mulher casada e dona de casa que no momento não trabalha fora, para ele é motivo de agradecimento. Isso não tem preço.

Um outro acontecimento muito marcante na nossa diferença cultural é a troca de presentes em datas comemorativas. No inicio do namoro, eu dei para ele um relógio caríssimo da Victor Hugo. Devo ter gastado metade do meu salário mensal na ocasião num mega relógio de aniversário para ele. Meu marido sempre foi extremamente generoso comigo em presentes, viagens e afins e eu queria muito retribuir a altura. Lembro como se fosse hoje o dia que entreguei o presente para ele. A cara dele foi no chão, eu não conseguia entender se era raiva, vergonha, mas vi na cara dele que ele estava muito puto. A primeira coisa que ele me falou foi: “somente pela caixa de presente, imagino que você deve ter pago uma fortuna nele, quanto foi? “. Eu nunca me senti tão ultrajada em toda a minha vida. Eu achando que ele ia cair de amores pelo presente e ele me pergunta o valor do relógio. Disse que não falaria o valor porque não importava (realmente para mim, naquele momento não importava mesmo). Ele levantou do restaurante onde estávamos e dirigiu ate a loja mais próxima. Fomos calados do restaurante até a loja e ao chegar lá ele simplesmente queria devolver o relógio e queria que a loja reembolsasse o meu cartão. Eu não entendi nada até que ele me disse que ele deveria ser a pessoa a presentear generosamente e não o contrario uma vez que nossa diferença salarial era grande. Disse que apenas o meu amor, cuidado e carinho com ele eram o suficiente e que ficaria muito mais feliz com um cartão sincero ou um jantar feito por mim do que um relógio de 4 dígitos no pulso. Eu nunca na minha vida esperaria algo assim. Claro que ele foi informado que reembolsos no Brasil são quase impossíveis e que ou trocaríamos o relógio por outro item da loja para mim ou ele ficaria com o relógio. Ele ficou passado com o sistema brasileiro de devolução (inexistente) e hoje usa o relógio feliz e contente. O engraçado é que ele tem um carinho absurdo pelo presente e sempre usa em ocasiões especiais. Porém deixou claro que aquele seria o primeiro e ultimo presente que eu gastaria uma pequena fortuna.

Essas são apenas algumas das situações que passamos e que compartilho com vocês para explicar que um relacionamento intercultural é desafiador. Não é impossível, mas requer carinho, atenção, vontade de entender, abraçar e respeitar a cultura do outro. Eu cresci muito como pessoa e aprendi a me colocar no lugar dele e a ver as situações com outros olhos desde que comecei a namorar o meu esposo. No fim de tudo, o que vale é ser feliz.

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Por Érica Brasilino

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Como enviar dinheiro entre o Brasil e os EUA?

10 de novembro de 2017

Quem é meu amigo e acompanha o blog sabe que eu comentei neste post aqui que eu mantenho a minha conta aberta no Brasil e tenho vida financeira normalmente nos dois países. Hoje explico sobre como faço as transações entre as duas contas e como pago taxas menores por elas.

Para pagar contas no Brasil, todos os meses eu preciso transferir dinheiro do Chase daqui para o Citibank aí. Eu utilizo o Transferwise. Antes de usar, eu havia pesquisado sobre a Western Union, que é uma das instituições mais famosas no mundo, para o envio de dinheiro internacionalmente; já tinha conversado com o gerente da minha conta no Brasil e com a gerente da minha conta aqui e tudo era muito caro. Só para ter uma ideia, para enviar dinheiro do Brasil para cá, eu pagaria em média a partir de R$50 reais por operação, e o caminho inverso sairia por aproximadamente U$50 (valores de agosto de 2016). Sem contar que quanto maior o valor a transferir, maior a taxa de IOF e afins.

A salvação surgiu num post da minha amiga Cibelle que mora na Inglaterra. Por aquelas bandas ela estava usando o Transferwise e eu então decidi testar. Baixei o App e me cadastrei. Não vou mentir porque este post não é pago como 90% dos posts a respeito do App que li pela internet. Não foi fácil cadastrar. Na verdade, foi um perrengue absurdo. Tudo porque tive de entrar em contato com o Citibank e descobrir um tal de um número IBAN que seria o número da minha própria conta, porém para transações internacionais. Após quase meia hora com o atendente na linha que também nem sabia o que era o IBAN, tive de pedir para ele esperar enquanto eu testava as informações que ele me passou. O engraçado foi que os dados da conta americana foram super fáceis de inserir no App, claro que a burocracia/dor de cabeça ia rolar do lado do Brasil. Mas após uma longa tentativa, finalmente consegui cadastrar tudo. Fiz um teste e enviei 10 reais para os USA e 10 dólares para o Brasil. O App dizia que em até 5 dias o dinheiro chegaria, mas em todas as minhas transações o dinheiro chegou no dia seguinte. Claro que sempre transfiro com uma janela de tempo o suficiente para pagar contas sem atraso. Mas o sistema nunca falhou e as taxas são muito baixas.

Após inserir todos os dados, fica tudo salvo no App e todos os meses eu volto lá para transferir, e em menos de 3 minutos envio dinheiro entre os dois países por um valor decente e sem pagar taxas de IOF e ou conversão. Mas como isso é possível? Porque os caras que desenvolveram o App (os mesmos por trás do Skype) tiveram uma sacada genial. O dinheiro na verdade nunca sai do país. Eles encontram pessoas no sistema que precisem por exemplo receber dinheiro nos EUA quando eu preciso enviar para o Brasil. Dai eles cruzam essas informações e quando eu envio daqui para o BR, o meu dinheiro é enviado para a conta da Transferwise aqui e o mesmo acontece no BR com alguém que precise enviar para cá. Como o valor não cruza fronteiras, ele é apenas enviado entre bancos dentro do mesmo país. Não me pergunte como, deve rolar uma matemática absurda nesse esquema (hellloooo eu sou de humanas!!!), mas o que importa é que eu nunca paguei mais de U$5 para enviar dinheiro para o BR, e isso me deixa muito feliz.

P.S: As transações que faço todos os meses são entre USAxBR e ou BRxUSA. Envio da minha conta pessoal americana para a minha conta pessoal brasileira e vice e versa. Nunca enviei para outros países além dos Estados Unidos ou para terceiros. Uma vez que o dinheiro chega na minha conta no BR eu faço transferência/DOC se necessário ou pago contas normalmente pela internet banking. Caso você tenha alguma dúvida referente a pagamentos para terceiros e em outros países que não sejam os EUA, aconselho entrar em contato com a Transferwise diretamente. Também nunca efetuei pagamentos de boletos para mandar dinheiro, apesar de ser uma opção no site/app, então não tenho como explicar sobre como funciona essa parte do sistema.

 

 

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Como funciona uma mudança entre países para o corpo diplomático?

07 de novembro de 2017

Quem me conhece e me acompanha no Instagram viu que a exatamente uma semana recebemos nossa mudança do Togo. Saímos de lá em junho e agora após quase 5 meses finalmente nos reencontramos com os nossos pertences. Uma das delícias e/ou dissabores de ser uma pessoa nômade (no meu caso por conta do trabalho do meu marido), é não ter a certeza de nada em momento nenhum. Quando nos preparamos para o Togo, a princípio íamos ficar lá até agosto de 2019. Por uma dessas jogadas do destino, estamos de volta a Washington. Só que lidar com toda a logística de uma mudança internacional não é fácil.

Ao sairmos de um país onde estamos alocados, saímos apenas com o que podemos carregar de acordo com a nossa passagem aérea. No meu caso eu vim com duas malas de 23 quilos, uma mochila, a mala de transporte da Bella e mais uma mala para ela. E apenas isso. Como sabíamos que nossa mudança levaria muito tempo, tínhamos que ter em mente o que poderíamos precisar durantes estes meses. Aí é que está o grande problema. Você SEMPRE precisa de algo que não está com você… e sempre compra a mais, e de repente se vê com 5 itens de uma coisa que se você morasse numa casa normal sem mudar sempre, teria apenas 1.

Por não trabalhar, eu não precisei me preocupar com roupa social, então no meu caso foi muito mais fácil. Meu esposo por outro lado focou nos seus ternos, pois alguém nessa casa tem que fazer dinheiro. Agora imagine você, essa logística toda quando a família tem filhos. A loucura é totalmente dobrada.

Quando preparamos a casa para a mudança, devemos separar duas levas de transporte. Uma se chama UAB e a outra HHE. Tecnicamente o UAB são duas caixas enormes que chegam geralmente na sua casa ou onde você indicar dentro de 2 a 4 semanas após você chegar no seu novo destino. Como essa parte da mudança chega mais rápido e tem limitações do que pode/não pode transportar (porque viaja de avião), decidimos mandar o maior número de roupas e sapatos possíveis. Principalmente roupa de frio porque não tínhamos ideia de quanto tempo a mudança mesmo levaria para chegar e não queríamos gastar dinheiro novamente com roupa especial para o frio de -15C de Washington. Neste carregamento que foi entregue em agosto aproveitei para também colocar todos os meus itens de maquiagem. Maquiagem é caro demais e eu não queria que ela ficasse debaixo do sol Togolês por meses a fio até liberarem a carga do porto de Lomé. Afinal minhas makes são minhas prioridades (quando a Bella não esta envolvida CLARO).

Em agosto recebemos o UAB e desde então estávamos vivendo apenas com estes itens. Só que ao alugar uma casa nova, lembre que nem colheres nós tínhamos. Ao voltarmos para os Estados Unidos ficamos no limbo… precisamos comer, lavar, passar, cozinhar… e não temos nada. Quando alugamos uma casa/apartamento aqui, temos apenas o básico: fogão, geladeira, lavadora de louça, lava e seca roupas. O restante estava tudo em caixas entre o Togo e os EUA.  Compramos os itens mais vagabundos que você imaginar na vida… por pura necessidade… e algumas coisas decidimos não gastar dinheiro. Não apenas para economizar, mas também porque depois não teríamos espaço para guardar tudo o que compramos. Tivemos que comprar por exemplo ferro e tábua de passar roupa, uma TV mixuruca para assistir… um mini enxoval.

Enfim na terça passada finalmente entregaram a nossa vida inteira embalada em 190 caixas do HHE. Os carregadores chegaram e começaram aquela loucura. O apartamento que antes parecia enorme sem nada foi ficando cada vez menor. E de repente eles foram embora e deixaram para trás um rastro de zona generalizada para todos os lados. Na primeira noite dormimos com bicicletas no nosso quarto e pneus de carro na sala. O cansaço físico e emocional é tão grande que é muito comum as pessoas entrarem em colapso emocional. Eu estava tão perdida que eu não sabia por onde tentar começar a arrumar. Meu esposo teve de me sentar e tentar me acalmar porque entrei num colapso nervoso instantâneo. Ele foi fantástico ao arrumar o quarto de hospedes e categorizar fileiras de caixas separando por categorias como cozinha, quarto, banheiro. Eu não teria pensado melhor. Na quarta feira fomos cuidar das coisas grandes que não iam ficar dentro de casa como carro, moto, bicicletas e os pneus. Conseguimos emplacar o carro e a moto, fazer seguro, inspeção e estacionar. Depois foquei em arrumar o nosso quarto o máximo que eu pude. Porque pelo menos no final do dia precisávamos fechar a porta do quarto e deixar o caos do lado de fora e dormir num local tranquilo.

Hoje quase uma semana depois já levei mais de 10 caixas para doação no Goodwill, já abri metade das 190 caixas e o nosso quarto e a cozinha estão pelo menos 70% organizados. As caixas já estão todas dentro de um único cômodo e aos poucos voltou a parecer com uma casa novamente. Meu esposo viajou a trabalho e estou fazendo tudo sozinha desde sexta. Mas não posso tirar o credito dele de ter me acalmado e ter feito o máximo que ele pôde para me ajudar.

Não consigo imaginar fazer tudo isso com filhos. Eu tiro o meu chapéu para todos os diplomatas e expatriados pelo mundo afora que fazem toda essa mudança com 3, 4, 5 filhos e cachorros e gatos. Eu não daria conta.

Espero que até o mês que vem a casa já esteja totalmente arrumada. Não vou me estressar mais. Preciso focar nas minhas provas finais da faculdade daqui a 15 dias. E preciso de um break também. Desde junho quando saímos do Togo temos matado um leão por semana. Não foi fácil. Porém, já tenho ciência que em agosto de 2019, levantamos a lona e partimos para o próximo posto. E começara tudo outra vez.

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Por Érica Brasilino

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Estilo de Vida Outros

Mais um ano de vida!

12 de outubro de 2017

O tempo… implacável como sempre… não para nunca. E completei mais um ano de vida. Estes últimos doze meses não foram nada fáceis, foram porradas atrás de porradas, apunhaladas pelas costas, mudanças, mala nas costas, recomeços, novos começos e no fim… resiliência.

Minha vida por si só daria uma bela saga de livros com direito a vários volumes de sucesso. Minhas amigas mais próximas dizem que no dia que eu resolver lançar minhas memórias, vou ficar milionária.

Mas o post de hoje eu só quero agradecer. Quando completei 35 anos em outubro do ano passado a única coisa que eu queria era saúde e forças para enfrentar 36 meses de Togo pela frente. Estávamos na África a apenas um mês e eu jurava que íamos ficar lá ate agosto de 2019. Ledo engano…

Quanto aprendizado em 12 meses… um novo idioma… não fluente, mas o suficiente para não me sentir tão perdida se for para um país que fala francês amanhã (Monsieur Trudeau… ça va bien?), uma nova cultura… um novo continente… 4 novos países…

Aprendi mais uma vez com uma bela apunhalada pelas costas que quem sorri para você e você abraça como seu novo amigo de infância… se fala mal de todo mundo para você, vai com certeza lascar você com os outros. Isso é fato. Nunca, jamais, em hipótese alguma, abra as portas da sua casa para uma pessoa com apenas um mês de amizade. Fica a dica!

Ver meu noivo trabalhar feito um camelo, sábado, domingo, feriado e mal ficar em casa comigo me fez apreciar o pão nosso de cada dia. Eu poderia ter bancado a louca que faz escândalo porque estava no edi do mundo, sozinha, com a internet que mal funcionava, isolada e amargurada. Imagina que relacionamento terrível teríamos se ao invés de entender que ele estava trabalhando feito louco para dar conta do trabalho eu apenas reclamasse que ele não tinha tempo para mim? Eu mesma teria separado de mim!

Adotamos a Bella… mesmo meu digníssimo sabendo que todas as alergias do mundo acometem o nariz dele… ele topou trazer aquela pequena bola de pelos para casa, para eu ter companhia. Tem um ano que nossa casa vive cheia de pelos…, mas sou tão feliz por ter trazido ela para nossa vida. A bicha é chata para cacete, só vem perto da gente quando ela quer…, mas é minha companhia constante todos os dias (mesmo contra a vontade dela).

Fiz voluntariado, vi de perto uma pobreza que eu nunca na vida imaginei existir… imagina… isso aí só existe na National Geographic… e ela esta ali, esfregada na nossa cara, 24 horas por dia nas ruas da África… ajudamos 4 famílias diferentes a ter uma vida menos pior com salários dignos trabalhando na nossa casa. Fiz amigos brasileiros que estão lá doando a vida deles todos os dias por amor ao próximo. Aprendi que amigo de verdade vai na sua casa orar com você quando você liga meio depressivo (mas aceita que após a oração você abra uma cervejinha para desestressar).

Visitamos um dos locais mais exuberantes do planeta… foi difícil para cacete chegar lá… dirigimos 5 horas até Accra em Gana, voamos ate Joanesburgo, voamos até Mahebourgh no meio do oceano índico… mas valeu cada segundo das 24 horas para chegar nas Ilhas Maurício. E visitar um local que estava na sua lista e seu noivo nunca tinha ouvido falar na vida, mas topou ir só porque você queria ir… eu sou muito sortuda.

Visitei minha família por apenas 5 dias. Mas foram os 5 dias mais importantes do ano para minha mãe. Ver minha mãe voltar a acreditar no amor e ser pedida em casamento foi um dos momentos mais lindos do ano. Compartilhar com ela e o Adalberto aquele momento foi mágico. Gratidão por ver minha mãe feliz e finalmente com uma pessoa que a merece.

Voltar pra África e organizar uma mudança entre continentes sozinha. S.O.Z.I.N.H.A. Enfrentar leões enquanto sua melhor metade estava resolvendo o nosso futuro a distancia. Chorei, me desesperei, me descabelei, mas consegui, cuidei de tudo, dei tchau para os meus amigos mais próximos do Togo e vim de mala e cuia e com a Bella embaixo do braço de volta pra América. Ela miou, chorou, tentou escapar, esperneou, se assustou, tentou assustar pessoas… mas chegou aqui. Tudo bem que agora ela desenvolveu uma síndrome de pânico e todas as vezes que ela vê malas ela se esconde e não a achamos de jeito nenhum, mas esta aqui, linda e maravilhosa com a gente.

E por fim… casar… sim… quando eu ia imaginar que ia terminar o ano oficialmente como a senhora Veloso? Tínhamos planos de casar, mas só em 2019 quando saíssemos da África. Íamos fazer algo no meio do caminho para as duas famílias participarem… no fim das contas… casamos, numa tarde de segunda feira… num local escolhido a dedo para simbolizar a nossa vida itinerante. Foi simples, singelo, discreto, mas foi com amor do jeito que tinha que ser.

Perdi dois entes queridos muito próximos e não pude me despedir… aprendi na pele o que é morar no exterior e não poder dizer tchau para os seus familiares que partem. Não poder abraçar uma tia que sofre uma perda, não poder passar pelo luto com a sua família, receber um áudio de WhatsApp avisando algo que você não gostaria de escutar…, mas a vida segue… dia após dia…

Ganhei uma nova amiga… a Flávia… que mesmo longe é sempre tão presente. Foi um daqueles presentes que a vida joga no nosso colo assim de graça… depois de muito descer o cacete em você. Eu queria mesmo poder sentar com ela num fim de tarde ensolarado e ficar bêbada falando besteiras… por enquanto o WhatsApp dá conta do recado.

Estes últimos 12 meses foram insanos…, mas estou aqui, firme e aprendendo a cada dia a ser resiliente. Nunca essa palavra fez tanto sentido na minha vida como agora. Hoje é mais um 12 de outubro, mais um aniversario, mais um ano de vida. Para os próximos 12 meses só peço saúde para mim e para os meus. Nos programamos tanto e muitas vezes a vida é interrompida do nada. Só quero saúde, o resto a gente vai dando conta ao longo do caminho.

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Por Érica Brasilino

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Estilo de Vida Gatos Outros

Pet Sitter – Babá para animais

26 de setembro de 2017

Você tem animais de estimação? Já deixou de viajar porque não tinha com quem deixar o seu animalzinho? Ou sempre que vai se ausentar, precisa pedir favores para amigos e familiares para ter a certeza que seu bichinho será bem cuidado?

Minha Bella mais bela

Pois essa semana precisei me ausentar de casa por quase uma semana e estava desesperada com o que eu faria com a Bella. Como surgiu a oportunidade de vir para NY enquanto meu esposo trabalhava, fiquei no impasse de vir me divertir ou ficar em casa com a minha gatinha. Por morarmos longe dos nossos familiares e não estarmos mais na África onde tínhamos empregada, fiquei aterrorizada com a viagem iminente e a ideia da Bella ficar sozinha e desamparada em casa.

Após muito considerar… decidi contratar uma Pet Sitting Company que foi indicado por várias pessoas do trabalho do meu esposo. Eles têm um site onde você faz um cadastro e responde um questionário enorme sobre você, sua casa e seu animalzinho. Após o cadastro abre uma pagina com a agenda e você solicita o serviço para os dias e a faixa de horário que você achar mais conveniente. Após este cadastro inicial, a empresa entrou em contato comigo para confirmar os dados e disse que a sitter designada para o meu bairro entraria em contato após a confirmação do serviço para agendarmos uma “consultation” antes da minha viagem. No dia e horário combinados, conheci a Diana. Ela foi bem profissional e simpática e fez várias perguntas sobre a Bella, os hábitos dela, horários de refeição, onde guardamos a comida, quantas vezes deveria trocar a areia e etc… Após nossa entrevista com muito cuidado levei ela até o meu quarto onde a Bellinha estava escondida na minha cama embaixo do edredom. Ela é muito medrosa e quando ouve vozes de quem não conhece ela se esconde no mesmo momento. A Diana conseguiu ver a Bella por 3 minutos, o suficiente para minha gatinha cheirar a sitter e sumir.

Como viajei na terça, após várias pesquisas em blogs aqui da gringa, decidimos que a Bella poderia ficar dois dias sozinha em casa com água e comida e que iríamos agendar a sitter para um dia sim dois não. Então a princípio a Diana ficou agendada para a sexta. Como voltamos no sábado a noite, pelas minhas contas ficaria tudo bem. Mas como sou mega preocupada com o bem estar da minha gatinha, na quarta a noite contatei a Diana por SMS e perguntei se ela poderia antecipar a visita a minha casa. Ela prontamente reagendou para um dia antes do programado a visita e na quinta feira ela foi lá em casa.

Enfim, ela disse que a Bella tinha comido toda a ração molhada e tinha comido metade da ração seca. Ela também bebeu água e usou a areia dela normalmente. Fiquei aliviada. Minha maior preocupação era que ela parasse de comer por estresse ou por depressão por estar sozinha, mas aparentemente ela estava bem. Também tem o fato de ela ter ficado em casa no ambiente dela e não mudando de hotel em hotel por três semanas como fizemos em junho. Claro que o ideal seria ter um pet sitter disponível todos os dias durante a viagem, mas é um serviço relativamente caro. Vou deixar algumas dicas caso você considere contratar este tipo de serviço para a sua próxima viagem.

Contrate uma empresa/pessoa de confiança que venha com referências. Optei pela Fetch! Pet Care que atende muitas áreas dos EUA e honestamente estou muito satisfeita com o serviço deles. Eles estão super habituados a trabalhar com diplomatas uma vez que viajamos muito e muitos de nós temos animais de estimação. Foi uma indicação de vários outros colegas do corpo diplomático. A Fetch! oferece sitters que tem os antecedentes criminais checados e também é uma empresa com seguro, caso qualquer coisa aconteça é muito mais fácil processar eles ou acionar o seguro. Eles também enviam o contrato de prestação de serviços por e-mail onde todas as informações de segurança estão lá disponíveis caso surja alguma dúvida.

Um dos benefícios do pet sitter, é que o seu bichinho vai ficar na casa dele. Não terá o estresse de ir para um hotel e ficar com outros animais. No caso da Bella além de ela ainda não ser castrada, ela não teve contato com outros animais desde os 2 meses de vida. Ela ficaria mais estressada ou até doente. Sem contar que muitos hotéis para animais não aceitam os que não são castrados como ela.

Comunicação é primordial. Explique para o sitter quais são as necessidades do seu animalzinho, onde você guarda comida, areia, treats, brinquedos. Quantas vezes a areia deve ser trocada, onde estão os sacos de lixo para as fezes do animal, ele/ela toma alguma medicação? Onde fica esse remédio, qual a dosagem e quantas vezes por dia/semana? Além de mencionar tudo isso na entrevista/consulta, deixe anotado para o sitter essas informações em local visível. Se na correria da viajem, você esquecer, mande um SMS para o sitter relembrando ele/ela de tudo.

Certifique-se de que os valores acertados estejam de acordo com os serviços/dias prestados. Geralmente nos finais de semana, feriados ou após as oito da noite, a tarifa costuma ser maior. Tenha certeza do que você esta pagando antes do sitter comparecer a sua casa. Nós acertamos $20 cada visita de 15 minutos. Não precisamos de mais tempo que isso uma vez que a Bella NUNCA irá aparecer para interagir com a sitter. Na primeira visita a Diana achou ela escondida atrás da nossa cama e quando a Diana finalmente a encontrou, claro que a Bella fez que ia atacar. Ohh boy!

Para feriados e datas comemorativas, indico que você faça reserva com antecedência. Assim que souber sua data de viagem, já reserve. Natal e férias escolares são as datas mais concorridas para este tipo de serviço.

Lembre de deixar um contato de emergência com a sitter ou a empresa. Pode ser tanto o veterinário de confiança do seu bichinho como um parente próximo que more perto (amigo também serve).

Combine como será a entrega da chave para o serviço. Como temos serviço de concierge no nosso prédio, deixamos a chave com a recepção e eles ficaram responsáveis de guardar a chave em segurança para nós. Eles sabiam o dia e horário que a Diana ia passar lá em casa, como eu troquei os dias no meio da viagem, eu liguei na recepção do nosso prédio para dar novas instruções. Ela teve acesso sem maiores problemas.

Após arranjar o serviço, entrevistar a sitter e organizar a casa para a sua viagem, não esqueça de deixar comida, areia e medicação o suficiente para a sitter não ter que se preocupar.

Viaje com paz de espírito sabendo que o seu animalzinho, que faz parte da sua família esta em boas mãos e na casa dele.

E você como faz com o seu animalzinho quando precisa viajar?

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Por Érica Brasilino

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Estilo de Vida EUA New York Outros Viagens Washington

Viagem de ônibus entre Washington DC (Union Station) e NYC (Port Authority)

22 de setembro de 2017

Essa semana minha melhor metade está trabalhando em NYC e aproveitei para visitar a cidade enquanto ele esta por aqui. Como vim a NYC mês passado de trem, decidi que este mês iria testar o serviço de ônibus entre as duas cidades. Meu marido não gostou muito da ideia, mas consegui convencer ele. Comprei passagem de ida pela Greyhound e paguei apenas U$10. São aproximadamente R$35. O valor é muito atrativo e hoje vou explicar como funciona utilizar este sistema.

Em Washington DC a estação rodoviária fica no segundo andar da Union Station. O complexo da estação serve o serviço de metrô, ônibus e trens da Amtrak. Ao comprar pela internet você pode imprimir o ticket em casa. Eles pedem que o passageiro chegue com 30 minutos de antecedência para o horário de saída do ônibus. Cheguei a estação com uma hora e meia de antecedência de embarque pois como a Union Station também é um mini shopping, já vim preparada para almoçar e fazer tudo com calma. Na hora de embarcar você deve ir ao segundo andar da estação onde também está localizado o guichê da Greyhound. No site diz que se você tiver o ticket impresso, é só embarcar. Não caia neste conto. É uma boa passar por lá para poder imprimir uma identificação para a sua mala que vai no bagageiro (na parte inferior do ônibus).

Na sequência você vai passar por um funcionário da rodoviária que irá te indicar qual fila você deve pegar. Ao passar por essa área, notei que há uma sala de espera climatizada com televisor bem na entrada da área de embarque dos ônibus do lado direito. Mas como eu estava curiosa pelo sistema rodoviário americano, decidi não entrar nessa sala de espera.

Um funcionário antes do embarque passa avaliando as malas dos passageiros e indicando se eles precisam identificar ou não a bagagem. Como viajei com uma mala pequena de mão mais uma mochila, ele disse que não tinha necessidade dessa identificação, até mesmo porque meu ônibus não ia parar em nenhuma outra cidade antes de chegar em NY (sorte a minha, porque a essa altura a fila já estava enorme e se eu tivesse que pegar ela de novo, não pegaria um bom local no ônibus).

Ao embarcar vi um grupo de senhoras africanas tentando embarcar preferencialmente e vi quando uma senhora americana na mesma faixa etária delas reclamou que quem mora aqui tem que se adaptar as regras daqui e não trazer as regras do seu local de origem para os EUA, e deveria aceitar que não tem embarque prioritário. Ficamos todos com cara de paisagem na fila por conta da torta de climão…

Quando o embarque começou, o funcionário recolheu as passagens e indicou que cada passageiro colocasse a sua própria mala no bagageiro do ônibus. Babado e confusão. Vi mulheres com malas pesadíssimas sem nenhuma ajuda por parte dos funcionários da rodoviária. Mais ou menos assim… trouxe muito peso? Problema seu. O último problema que percebi foi um casal alemão que ao embarcar por último não encontrou dois assentos disponíveis para eles. Um dos funcionários pediu para eles descerem do ônibus e pegarem o próximo das 2 da tarde. Fiquei com a sensação de que a empresa foi desorganizada ao vender os tickets e aparentemente não tem muito controle de quantas tickets foram vendidos. E se não tivesse o ônibus da duas da tarde… como seria?

No ônibus o sistema de climatização estava a todo vapor, então se decidir fazer uma viagem dessas, aconselho a levar um casaquinho mesmo no verão. Há tomadas nas poltronas em frente aos assentos e pelo menos onde eu estava sentada, não estava funcionando. O bagageiro acima das poltronas é minúsculo, se você viajar com uma mochila muito cheia, essa terá que ir no seu pé no assento a sua frente.

O motorista ao iniciar a viagem fez um briefing e falou sobre o horário estimado de chegada ao destino, portão programado para a chegada, explicou sobre a existência de banheiro no fundo do ônibus e sobre o wi-fi. Eles juravam que tinha serviço de wi-fi a bordo, tentei por diversas vezes conectar e nada. Depois de umas cinco tentativas desisti.

Meu colega de banco era uma das pessoas mais desagradáveis com quem eu tive o desprazer de viajar na minha existência. Mesmo após o motorista pedir que as pessoas utilizassem os equipamentos eletrônicos com fones de ouvido, o babaca fingiu não ter entendido. Na metade da viagem a minha vontade era de esfregar o celular na cara dele… tive de praticar a paciência até a hora que a bateria do celular dele acabou e ele dormiu.

No geral a viagem em si foi confortável, o ônibus da Greyhound entrega o que promete: assentos confortáveis e uma viagem relativamente segura entre o ponto A e B. Pelo valor acho que valeu a pena. O que você deve considerar na verdade é se vale a pena por apenas U$11 viajar ao lado de um público diferente do público do trem. Percebi que as pessoas que fazem o trajeto no trem são mais business people e consequentemente muito mais educadas. Tanto que mesmo a classe econômica do trem é muito diferente do ônibus. Viajei com muitos turistas fazendo mochilão entre as duas cidades, muitos imigrantes da África e da América Central e do Sul. Estes foram os mais mal-educados na viagem. É uma pena dizer isso, mas foi essa a grande diferença que notei entre quem viaja de trem e quem viaja de ônibus por aqui.

O trajeto entre NYC e DC de ônibus leva 4:20hrs e de trem varia entre 2:30hrs e 3:20hrs dependendo de quanto você esta disposto a pagar. Minha volta a DC esta programada de trem. Honestamente não pretendo mais utilizar ônibus de viagem entre cidades por aqui. É uma economia que pra mim, não valeu a pena, por U$39 a mais eu poderia ter ido de trem, no vagão silencioso  e com internet rápida disponível. Never again!!!

E você já fez alguma viagem de ônibus pelo exterior? Como foi?

 

 

 

 

 

 

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Estilo de Vida Outros

Genius Bar – Apple

20 de setembro de 2017

Genius Bar é uma estação localizada dentro das lojas Apple onde os Geniuses (funcionários altamente treinados pela Apple) ajudam os usuários dos produtos Apple (fonte Wikipedia).

Você sabia que é possível efetuar pequenos reparos nos seus eletrônicos Apple e melhorar o funcionamento deles? Quando voltamos para os EUA em junho, um dos primeiros itens da minha to do list era agendar um atendimento no Genius Bar e levar meus eletrônicos para um check up.

Meu MacBook Air que já está completando 4 anos de vida, começou a esquentar mais do que o normal enquanto morávamos no Togo. Ao esquentar, o ventilador interno na parte do teclado começou a fazer um barulho horrível que dava a impressão de que o computador ia levantar vôo a qualquer minuto. Ao levar na Apple para darem uma olhada, os técnicos fizeram vários testes no sistema ali na minha frente. Depois, levaram meu note pro fundo da loja e após uns 20 minutos, constataram que o computador por dentro estava totalmente coberto de areia!!!!! Me perguntaram várias vezes se eu morava de frente pro mar e se levava o notebook pra praia… até que eu comentei que morava no oeste da África. Fui informada que durante os meses do Harmattan (o vento que bate no Saara e voa por todo o continente) os equipamentos eletrônicos, mesmo dentro de casa recebem uma quantidade muito grande de areia, que entra e se aloja por baixo das teclas e assim impedem a passagem de ar e consequentemente esquentam o equipamento fazendo com que o mesmo acione a ventoinha com mais potencia e claro, mais barulho. Eles abriram meu computador, sugaram toda a areia e voilá. Meu MacBook esta novo em folha. DE GRAÇA.

Meu iPad mini também estava bem lentinho e uma técnica me indicou reinicializar ele, reinstalar tudo do zero. Ela mesma efetuou o back up de tudo na iCloud e me devolveu o iPad zerado, como seu eu tivesse acabado de comprar ele. Também DE GRAÇA.

E por fim meu iPhone (6S) estava com problema no alto falante, algumas vezes o som não tocava. Se eu recebesse uma mensagem de áudio por exemplo, tinha vezes que não reproduzia o som, a não ser que inserisse o fone de ouvido. Para ouvir pelo próprio auto falante era preciso reinicializar o aparelho. Ali na minha frente outro técnico fez alguns testes que nós simples mortais não sabemos a combinação de códigos para fazer e após 15 minutos meu iPhone foi devolvido e segundo o técnico, não me daria mais problemas. Adivinha… DE GRAÇA.

Para conseguir estes atendimentos gratuitos da Apple, você tem que ser o dono do aparelho e ter uma conta ativa na Apple Store (aquela conta que você configura com o seu email para poder fazer atualizações e/ou baixar conteúdos). Você clica neste link aqui e agenda o seu horário na Apple Store mais próxima. Não sei em outras cidades, mas sei que tem no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Verdade seja dita, dos três equipamentos que levei, o único que não resolveu 100% foi meu MacBook Air. Uma vez por mês ainda da uma super aquecida e a ventoinha trabalha a todo vapor. Mas meu computador esta entrando no que a Apple chama de tempo de validade para um notebook (eles estimam que após 5 anos de uso é hora de trocar de equipamento). O iPhone esta novo em folha e o iPad também esta bem mais rápido.

Eu sou applemaníaca, até comento isso no meu perfil no blog, então como uma cliente fiel da marca, confesso que fico surpresa com a atenção que os funcionários da loja tratam os clientes com aparelhos em uso já a bastante tempo. E pra mim este é o maior diferencial da Apple, não ser tratada como dispensável porque já tenho um aparelho. Muitas vezes ao entrar numa loja para trocar, reembolsar, ou qualquer outro motivo que não seja uma compra, você já sente na pele a indiferença dos vendedores, que pensam que você esta ali para encher o saco e não aumentar a cota de venda deles. Eu agendei três equipamentos simultaneamente para reparos na Apple Store e fui atendida por três funcionários diferentes, cada um especialista em um dos equipamentos e TODOS com um sorriso no rosto. Não tem satisfação maior para um usuário/cliente/entusiasta de uma marca/produto do que ser bem tratado. Se há aparelhos la fora melhores que a Apple?Claro que tem, talvez não melhores mas no pareo em termos de qualidade, porém não pretendo deixar de usar Apple tão cedo, pois o pós venda deles é o melhor do mercado hoje em dia.

 

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Por Érica Brasilino

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Documentação de Viagem Estilo de Vida Outros

Quando a viagem para o exterior pode se tornar uma dor de cabeça

12 de setembro de 2017

Este final de semana acompanhamos estarrecidos a força do furação Irma que desolou ilhas no Caribe e deixou mais de 6 milhões de pessoas na Flórida alagadas e sem energia elétrica. Milhões ainda estão fora do estado e o governador ontem a noite implorou que essas pessoas evitem voltar para casa, pois nem estradas estão preparadas para receber eles de volta como os serviços públicos ainda vão levar dias para voltarem ao normal.

E no meio de todo este caos tem os turistas. Se passar por uma situação dessas é uma dor de cabeça sem fim para quem mora aqui, imagina para quem está apenas de passagem.

Quando viajamos ao exterior, temos que tomar precauções, muitas vezes juntamos dinheiro por muito tempo para a viagem dos sonhos mas imprevistos acontecem. Desde uma pedra na vesícula no interior da Itália até óbito repentino (sim acontece com mais frequência do que você pode imaginar), podem tirar o sono dos familiares que ficaram no seu país de origem e muitas vezes sem dinheiro para poder trasladar o corpo do turista de volta ao Brasil. Mas como tentar resolver em partes este tipo de dor de cabeça quando viajamos?

Seguro Viagem

O primeiro e mais importante item de um viajante (profissional ou não) é o seguro viagem. A maioria dos cartões de crédito internacionais no Brasil oferecem o seguro de viagem caso o titular do cartão e a pessoa que irá utilizar a passagem sejam a mesma pessoa. Se o cartão oferecer, peça ao atendente que envie para o seu e-mail a apólice do seguro viagem e tenha a cópia impressa com você. Mesmo na era da tecnologia, cópias impressas ainda são mais aceitas em situações de emergência no exterior do que versões eletrônicas. Se o seu cartão não oferecer o seguro, recomendo que você entre em contato com o seu agente de seguros para que ele indique a melhor opção para você. O seguro viagem cobre desde custas médico hospitalares até traslado do corpo casa haja óbito. Acredite, em caso de falecimento no exterior, você estará ajudando e muito a sua família se por ventura algo aconteça. Acompanhei de perto dois casos de falecimento de brasileiros (um nos EUA o outro em Belize) e o trauma causado aos familiares que não tinham dinheiro para as custas  de transporte foram enormes.

Cópias de Documentos

Após cuidar do seguro viagem, indico que você faça cópias dos seus documentos. Passaporte, RG, CPF entre outros. Caso você tenha seu passaporte furtado ou simplesmente perca ele, você deverá contactar a missão diplomática brasileira mais próxima do seu destino de viagem e agendar um atendimento de emergência. Principalmente se você estiver fazendo aquelas viagens que pretende cruzar várias fronteiras, como na Europa.

Contatos no Exterior

E por falar em contactar a missão diplomática no exterior… sempre leve com você os telefones e endereços mais importantes. Neste caso o da missão diplomática brasileira mais próximo (consulado ou embaixada do Brasil), telefones dos cartões de crédito no exterior (muitos cartões como o AMEX oferecem uma linha telefônica que português no exterior), telefone e endereço do hotel onde vai ficar hospedado, telefone e nomes de contatos de emergência no exterior. Estes dados não devem estar apenas no seu celular, é importante manter uma cópia escrita na carteira ou na bolsa. Caso aconteça algo com você e por ventura você perca a consciência, é importante que um terceiro tenha acesso a estas informações para te auxiliar.

Informar roteiro de viagem para alguém de confiança

Uma das medidas mais importante em todas as viagens que faço, é enviar um e-mail para a minha mãe com todos os dados da minha viagem. Ela nunca abre estes e-mails… porque geralmente nós fazemos 13 cidades em 21 dias e passamos por 8 hotéis diferentes. Minha mãe não consegue entender nossa necessidade de pé na estrada. Porém ela tem lá o nosso roteiro com todas as informações detalhadas, onde estaremos a cada dia, telefone dos hotéis que pretendemos ficar, países onde faremos escalas e afins. Já atendi um caso no passado no meu antigo empregador que um brasileiro veio a óbito no Japão mas morava na Austrália. Quando descobriram o corpo, a mãe atônita jurava que não era o filho dela porque ele morava em outro país. Please… sempre informe alguém sobre o seu paradeiro.

Deixo abaixo a cartilha elaborada pelo Itamaraty explicando como obter um seguro de viagem e também o link deles com orientações gerais para quem vai viajar ao exterior. Vale a pena dar uma olhada.

Assistência de Viagem

Orientações Gerais Itamaraty

Claro que existem outras medidas de segurança, mas essas são as mais importantes quando viajamos para o exterior. Você cumpre algumas dessas medidas ou nunca parou para pensar sobre elas?

 

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Por Érica Brasilino

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