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Estilo de Vida

PCS Season From Hell

21 de agosto de 2019

PCS: Permanent Change of Station 

Se você me conhece, sabe que eu sou casada com um americano que tem um trabalho que nos obriga a mudar de cidade a cada 2 anos… se em algum momento desde que você me conheceu, você por algum motivo sentiu inveja da minha vida por conta disso, é porque você não tem ideia da grande zona que é a minha existência ano sim, ano não.

A época menos amada do ano para os diplomatas, militares e seus familiares chegou… o PCS Season… e o nosso este ano… foi do capeta. Por isso sumi… sumi porque estava surtada lidando com nossa mudança de posto. Meus últimos dois meses foram difíceis, estressantes, cansativos… estamos numa zona de emoções, estresse e tudo o mais que você puder imaginar desde o início de julho. 

Desde 14 de maio quando postei pela última vez eu não conseguia mais me concentrar no blog. A preparação para uma mudança do nosso porte é absurda. Começa com listas enormes do que levar com a gente nas malas, o que precisaríamos de mais urgente de casa que pudesse ser levado no carro, depois fizemos listas para duas mudanças distintas uma chamada de UAB e outra de HHE.

Ainda no meio de toda essa zona você tem de pensar em coisas práticas como avisar os correios sobre sua mudança de endereço para redirecionar as correspondências, ir ao médico pela última vez solicitar cópias do relatório médico para levar para o novo médico na cidade de destino, ir ao veterinário saber o que deve ser feito para a mudança da Bella (caso você não saiba, Isabella Veloso é a minha filha felina adotiva que trouxemos do Togo, no oeste da África antes que ela virasse artigo de vudu ou comida). E no meio disso tudo ainda estava procurando emprego, trabalhando minhas últimas semanas na Apple, organizando despedidas dos amigos de DC. Não parei um minuto desde a metade de maio até agora.

Agora inclusive estou sentada em um hotel em Miami, onde estamos hospedados desde que chegamos na cidade enquanto providenciamos um lar para chamar de nosso.

Mas o que é UAB e HHE????

UAB são duas caixas gigantes de 200 pounds cada que são enviadas via aéreo e devem chegar em no máximo um mês onde você estiver no mundo. No nosso caso como mudamos de DC para Miami, nosso UAB levou 6 dias. Nessas caixas não podem ir nada de líquido e você pode enviar o que você colocaria numa mala para viajar de avião. Depois de muito pesquisar a comunidade de diplomatas que faço parte e ler todos os arquivos antigos, decidi que deveria focar em itens de cozinha. Enviei liquidificador, Air Fryer, um jogo de facas decente, vários tamanhos de Tupperware, Instant Pot e alguns livros que eu queria ler. Quase não enviei item pessoal porque consegui montar malas práticas com roupas e sapatos que usaria mais antes de receber minha mudança e essas peças vieram no meu carro.

HHE é a mudança em si, ou seja, tudo o mais que você não conseguirá carregar com você. E nessa brincadeira entra também motos, bicicletas, carro.  No nosso caso como decidimos dirigir nossos carros para Miami, pudemos trazer bastante coisas conosco, principalmente no meu carro por ser um utilitário enorme.

Ver sua vida inteira ser embalada em dois dias é assustador. Não é a primeira vez que passamos por isso, mas nunca é uma situação aprazível. Ter desconhecidos embalando seus bens mais preciosos e abrindo gaveta por gaveta da sua casa e expondo sua intimidade é horrível. Claro que dias antes nós já tínhamos feito uma varredura e escondemos itens mais íntimos que ninguém precisava ter acesso. Não queria os caras pegando minhas calcinhas fio dental sabe… 

Nessa mudança, uma das coisas que mais irritaram foi a tiazinha encarregada de empacotar meu quarto que fez vários comentários desnecessários sobre a quantidade de sapatos que eu tenho. Como se eu precisasse de alguém para apontar na cara do meu marido que eu gasto demais com sapatos. Abafa o caso!!!

Depois que tudo foi empacotado, dormimos 3 noites no colchão inflável enquanto organizávamos os últimos itens da mudança. Dei tchau para os amigos, comemos nos nossos restaurantes favoritos pela última vez e pusemos o pé na estrada. Foram três dias intensos de dirigir entre DC e Miami. 

A gata louca (apelido carinhoso que demos para a Bella) foi um capítulo a parte na novela da minha vida. Durante os três dias na estrada foi um anjo, mas na última manhã… essa gata foi possuída pelo espírito do capiroto e fez um buraco embaixo do forro da cama do hotel! Tivemos que fazer um rasgo embaixo da cama para pegar ela, mas quem disse que ela deixava? Foram precisos 20 minutos de uma correria sem fim onde o Ezio teve de pegar ela com uma toalha e dar uns sacodes nela para enfiar o corpo dela dentro da caixa de transporte. Eu claro já estava aos prantos sem saber se íamos conseguir trazer ela viva pra Miami. Que estresse meus senhores.

Quando você viaja com pets pelos EUA, jamais espere um hotel limpíssimo, isso é praticamente impossível. Os melhores hotéis não aceitam pet e ponto final. Neste momento estamos num hotel mequetrefe em Doral num dos bairros novos e caros de Miami. Estamos super perto de tudo mas odiamos o hotel. Até pensamos em mudar de hotel uma vez que nossa estadia é mais longa (60 dias), mas o UAB já foi entregue e já estamos instalados… Bella já se habituou e eu falei pro Ezio que somente sairei daqui para ir para a nossa casa. O que não tem remédio, remediado está.

Eu tiro o meu chapéu para milhares de esposas/os de diplomatas e militares pelo mundo afora que aceitam entrar nessa vida cigana. As pessoas juram que nossa vida é puro glamour. Claro que tem seus pontos altos, mas os pontos baixos são inúmeros também.

Deixar Alexandria e DC foi dolorido. Eu aprendi a amar aquela região dos EUA como eu amo São Paulo. Fiz amigos maravilhosos por lá que eu não vejo a hora de poder receber eles aqui em casa (e sei que terei morada por lá caso eu tenha que sair correndo de algum furacão descabelada aqui da Flórida). Mas pela primeira vez em quase duas décadas meu marido finalmente voltou a morar perto da família dele. Não tem preço ver a felicidade dele de poder sentar num dia da semana para tomar café com a mãe dele. Eu entendo mais do que ninguém como é dar valor a coisas pequenas como essa.

Eu também voltei a trabalhar em horário comercial de segunda a sexta, então todo aquele tempo livre que eu tinha desde que sai de SP em 2015 acabou. Mas não estou reclamando, conheci gente nova, estou trabalhando novamente com o que amo (imigração e vistos) e posso finalmente ser independente financeiramente de novo. Pra mim, ser uma trailing spouse nunca foi problema, sempre amei acompanhar o E pelo mundo afora, o problema sempre foi pedir dinheiro para ele. Ele sempre foi sensacional e sempre me deu de tudo e me proporciona uma vida confortável, mas pedir dinheiro não é nada aprazível (não pra quem foi criada por uma mãe solteira que me ensinou a ser independente desde sempre).

Sumi, mas voltei gente, tenho muito post ainda pra publicar… tem tanto lugar bacana no mundo ainda que eu conheço e não postei por aqui. 

Espero que vocês me perdoem pelo meu pequeno sumiço.

Ate o próximo post =0)

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Por Érica Brasilino

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