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Férias

28 de novembro de 2017

Postagem rápida para informar que estou oficialmente de férias!!!

Após uma montanha russa de emoções que começou sua subida íngreme em junho deste ano e correu desembestada quase sem parar até semana passada… estamos de férias. Não é o destino original que planejamos (uma road trip pela Bahia) mas é o que deu pra organizar nos últimos 15 dias. Nossa vida aqui é sempre assim, planejamos A mas acabamos por fazer o B, SEMPRE.

Volto de férias uns dias antes do Natal (simmmmmm, teremos quase um mês de ócio), então planejo voltar a postar em janeiro após as festas de final de ano. Digamos que será um mês meio sabático para renovar as energias deste ano que foi tão intenso.

Então é isso… um Feliz Natal e um ótimo 2018, com muita luz, saúde, amor, paz, realizações, harmonia e sucesso para todos nós.

Quem quiser acompanhar a nossa viagem idealizada e planejada em apenas duas semanas, me segue no Instagram, vou atualizar lá durante nossa próxima aventura por este mundo afora.

Nos vemos no ano que vem S2

Érica

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Por Érica Brasilino

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Estilo de Vida Outros

Casar com um americano no Brasil ou nos Estados Unidos?

24 de novembro de 2017

O cupido te pegou e você tá morrendo de amores por um americano… veio o pedido de casamento e agora vem a dúvida… casar no Brasil ou nos Estados Unidos? No post de hoje vou explicar as diferenças para a realização do casamento civil no cartório em São Paulo ou na corte em Washington DC.

 

 

Brasil

Visitei o cartório do meu distrito em São Paulo e fui informada de todos os documentos necessários para casar. Sai de lá e fui para o bar mais próximo chorar lágrimas de sangue. Segue a lista:

 

– Primeiramente o estrangeiro deve ter entrado legalmente no Brasil. Sendo assim, apresentar ao cartório o passaporte do estrangeiro com o visto brasileiro válido e o carimbo de entrada

– Certidão de nascimento com a data de validade de seis meses. Para mim essa era uma das exigências mais ridículas de todas. Primeiro que a pessoa teria que entrar em contato com o local onde sua certidão foi emitida e pedir uma nova via. Meu marido é nascido em Cuba e cortou laços com o país de origem com 3 anos de idade. Impossível conseguir essa certidão.

– Declaração de Estado Civil. Essa declaração pode ser obtida no consulado americano mais próximo da sua cidade. Vulgarmente chamada de certidão de solteiro, ela é emitida na hora. Para agendar sua visita ao American Citizen Services em São Paulo, clique aqui.

– Declaração de Residência.

– CPF caso o estrangeiro seja residente do Brasil

– Taxa do cartório

– Presença obrigatória do estrangeiro para dar entrada na documentação. Caso não seja possível, tem de apresentar uma Procuração. Para informações de qual tipo de procuração, pergunte diretamente no cartório onde pretende casar como emitir a sua

– Caso o estrangeiro não fale português, é obrigatória a presença de um intérprete em cada uma das fases do processo

– Vale lembrar também que cada cartório é soberano sobre quais documentos o estrangeiro deve apresentar, o indicado é que a parte brasileira do casal vá até o cartório da sua comarca para assim como eu, chorar de desespero pela burrocracia

– Documentos estrangeiros para serem aceitos no Brasil precisam ser traduzidos para o português por um tradutor juramentado e na sequência devem ser autenticados no Consulado/Embaixada do Brasil mais próximo da cidade onde o estrangeiro reside no exterior. Para sanar suas dúvidas sobre o que é notarizar um documento, clique aqui.

– Após o casamento no Brasil, a certidão de casamento deve ser traduzida para o inglês por um tradutor juramentado que seja afiliado ao Consulado/Embaixada dos EUA no Brasil. Após traduzir a certidão, é necessário levar este documento para autenticar no cartório brasileiro e depois levar ele para ser autenticado no American Citizen Services do Consulado/Embaixada dos EUA mais próximo. Este trâmite se chama notarização consular. Sem este selo, sua certidão de casamento não é válida nos EUA.

 

Estados Unidos

Apesar de os estados americanos serem independentes e cada um ter o direito de exigir os documentos que bem entendem para o casamento civil, muitos deles são extremamente simples e você consegue inclusive casar no mesmo dia que dá entrada na papelada. Vou explicar como foi casar em Washington DC.

O casamento no Washington DC Court é o mais rápido, prático e indolor possível. Um dos dois noivos pode comparecer a corte com os seguintes documentos:

 

– Documentos de identificação com foto dos noivos. O estrangeiro deve apresentar o passaporte e o americano pode apresentar a carteira de habilitação

– Formulário de solicitação de casamento preenchida (clique aqui para obter o formulário).

– Pagamento da taxa de U$35 da licença de casamento

– Pagamento da taxa de U$10 pela certidão de casamento (documento oficial que será expedido após o casamento ser lavrado). *A diferença entre os dois documentos é que a licença de casamento você pode levar para qualquer officiant da comarca de DC realizar o ato para você, caso não queira casar na Corte.

– Se quiser casar na Corte, o agendamento é grátis e a agenda deles está sempre com um gap de aproximadamente 2-3 semanas, e a sala onde o casamento é celebrado cabe aproximadamente 15 pessoas.

– Se você preferir, você mesmo ou o seu noivo/a pode celebrar o seu casamento pagando uma taxa de U$25 para se tornar um temporary officiant.

– Após o casamento ser formalizado, deve-se levar a marriage license de volta a Corte para ela ser lavrada e assim receber a certidão de casamento original com assinatura e selo do juiz. Lembrando que a licença de casamento não expira se for emitida em Washington DC e você tem tempo de sobra para organizar o casamento. Porém, após a marriage license ser assinada e datada, você tem até 30 dias para retornar a licença para a Corte para a certidão original ser produzida.

– Após ter a certidão de casamento em mãos, lembre de traduzir a mesma com um tradutor juramentado para o português e leve a certidão até o Consulado/Embaixada do Brasil mais próximo da sua residência para a certidão ser lavrada e validada no Brasil. Eu utilizo os serviços da Day Translations aqui nos EUA e eles são fantásticos, profissionais e super rápidos. Como o trâmite para a certidão ser válida no Brasil é mais complicado, vou explicar ele num outro post.

 

Boa sorte qualquer que seja a sua decisão de casar no Brasil ou nos EUA, o importante é ser feliz.

 

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Por Érica Brasilino

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Estilo de Vida Outros

Relacionamento Intercultural

21 de novembro de 2017

Quem vê minhas fotos no Instagram com o meu marido, pensa que nossa vida são apenas flores. Não são. Como qualquer ser humano normal, temos nossas dificuldades e desentendimentos, e para temperar tudo isso ainda temos as nossas diferenças culturais. Ao mesmo tempo que relacionamentos com pessoas de outras nacionalidades sejam excitantes, como qualquer relacionamento temos nossas dificuldades de comunicação que se multiplicam quando digo uma coisa e ele entende outra.

Comecei a aprender inglês aos 9 anos de idade e quando conheci o Ezio, eu jurava que era a expert no idioma. Ledo engano. Tudo aquilo que você aprendeu no CCAA da vida cai por terra quando você precisa expressar raiva, ciúmes, medo, saudades e por aí vai. Não apenas o idioma pode ser um fator de dificuldade, mas também o contexto cultural onde você e a pessoa foram criados.

Meu marido é cubano/americano e sempre brinco que só casei com ele por conta do seu lado latino. É muito mais fácil para mim, expor os meus sentimentos em português do que em inglês. Não por falta de vocabulário, mas simplesmente porque sempre acho muito mais verdadeiro quando solto um “eu te amo” no meu idioma do que o famoso I love you. Da mesma maneira que eu sei que quando ele solta um “cunho” em espanhol, significa que ele esta realmente emputecido.

Ao longo dos nossos quase 5 anos juntos, já tivemos situações onde eu falei uma coisa e ele entendeu outra. Quando ele fala para mim por exemplo I adore you, em inglês o adore é muito mais forte que o love. Enquanto em português o eu te adoro pelo menos para mim não tem tanto impacto como o eu amo você. Outra diferença foi quando eu disse para ele uma vez que estava nervous e isso deixou ele muito preocupado. Porque o nervous tem uma conotação negativa aqui e no Brasil podemos estar nervosos simplesmente porque vamos fazer uma prova e sabemos que não iremos bem.

No nosso inicio de namoro, uma das coisas que mais me irritavam como brasileira, era essa questão de personal space. Eu nunca entendi direito essa coisa americana de “preciso de espaço”. Se eu pudesse, ficaria com ele todas as noites, grudadas e ele um dia me cortou na cara dura dizendo que precisava de espaço. Acho que por estar no Brasil, eu me senti muito mais confortável em virar para ele e dizer: “olha aqui querido… se você ficar fazendo esses joguinhos de espaço vou te dar um espaço enorme e a fila vai andar”.

Claro que o fato de o espanhol ser o primeiro idioma dele, torna tudo muito mais fácil. Nossa comunicação é uma mistura de três idiomas constantemente. Eu uso português praticamente o tempo inteiro, para ele aperfeiçoar o que ele já sabe e continuar praticando para poder se comunicar com os meus familiares e amigos. Quando temos de tratar algo importante e quero ter certeza de que não haverá erros, optamos pelo inglês. Além do meu inglês ser muito melhor do que o português dele, é muito mais rápido e eu não preciso ficar explicando o que quis dizer o tempo todo. O espanhol usamos com frequência porque eu preciso praticar para poder falar com a família dele. Meu portunhol dá para o gasto. Soltamos uma frase ou outra em francês, mas percebo que vamos acabar esquecendo o idioma porque aqui quase não usamos.

Outras situações apareceram ao longo do tempo. Por exemplo, americanos são super contra PDA (public display of affection) ou se você preferir demonstrações publicas de afeto. Eu tive de aprender ao longo dos anos a não abraçar e beijar ele na rua. Porém ele aprendeu a segurar a minha mão quando estamos em público ou num shopping. Ele sabe da minha necessidade de toque e eu entendo que não posso dar um beijão nele no meio da rua. É uma troca. Já percebi várias vezes que somos mais afetuosos um com o outro do que outros casais interculturais. Mas acho que não é nada relacionado com o tamanho do amor que um casal tem pelo outro, mas simplesmente pelo meu lado emocional/brasileiro gritar tão forte.

Mas nem só de problemas vive um casal intercultural. Uma das atitudes dele que me fizeram cair de amores é o fato de ele sempre abrir a porta do carro para mim. E hoje mesmo após muito tempo juntos, ele ainda o faz. Uma outra atitude que aos olhos de algumas pessoas pode soar banal, mas para mim faz toda a diferença, é o fato de ele me agradecer por ter feito o jantar, ou por ter limpado a casa, ou por ter ido ao mercado. O que na minha cabeça é algo que eu deva fazer por ser uma mulher casada e dona de casa que no momento não trabalha fora, para ele é motivo de agradecimento. Isso não tem preço.

Um outro acontecimento muito marcante na nossa diferença cultural é a troca de presentes em datas comemorativas. No inicio do namoro, eu dei para ele um relógio caríssimo da Victor Hugo. Devo ter gastado metade do meu salário mensal na ocasião num mega relógio de aniversário para ele. Meu marido sempre foi extremamente generoso comigo em presentes, viagens e afins e eu queria muito retribuir a altura. Lembro como se fosse hoje o dia que entreguei o presente para ele. A cara dele foi no chão, eu não conseguia entender se era raiva, vergonha, mas vi na cara dele que ele estava muito puto. A primeira coisa que ele me falou foi: “somente pela caixa de presente, imagino que você deve ter pago uma fortuna nele, quanto foi? “. Eu nunca me senti tão ultrajada em toda a minha vida. Eu achando que ele ia cair de amores pelo presente e ele me pergunta o valor do relógio. Disse que não falaria o valor porque não importava (realmente para mim, naquele momento não importava mesmo). Ele levantou do restaurante onde estávamos e dirigiu ate a loja mais próxima. Fomos calados do restaurante até a loja e ao chegar lá ele simplesmente queria devolver o relógio e queria que a loja reembolsasse o meu cartão. Eu não entendi nada até que ele me disse que ele deveria ser a pessoa a presentear generosamente e não o contrario uma vez que nossa diferença salarial era grande. Disse que apenas o meu amor, cuidado e carinho com ele eram o suficiente e que ficaria muito mais feliz com um cartão sincero ou um jantar feito por mim do que um relógio de 4 dígitos no pulso. Eu nunca na minha vida esperaria algo assim. Claro que ele foi informado que reembolsos no Brasil são quase impossíveis e que ou trocaríamos o relógio por outro item da loja para mim ou ele ficaria com o relógio. Ele ficou passado com o sistema brasileiro de devolução (inexistente) e hoje usa o relógio feliz e contente. O engraçado é que ele tem um carinho absurdo pelo presente e sempre usa em ocasiões especiais. Porém deixou claro que aquele seria o primeiro e ultimo presente que eu gastaria uma pequena fortuna.

Essas são apenas algumas das situações que passamos e que compartilho com vocês para explicar que um relacionamento intercultural é desafiador. Não é impossível, mas requer carinho, atenção, vontade de entender, abraçar e respeitar a cultura do outro. Eu cresci muito como pessoa e aprendi a me colocar no lugar dele e a ver as situações com outros olhos desde que comecei a namorar o meu esposo. No fim de tudo, o que vale é ser feliz.

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Por Érica Brasilino

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Como enviar dinheiro entre o Brasil e os EUA?

10 de novembro de 2017

Quem é meu amigo e acompanha o blog sabe que eu comentei neste post aqui que eu mantenho a minha conta aberta no Brasil e tenho vida financeira normalmente nos dois países. Hoje explico sobre como faço as transações entre as duas contas e como pago taxas menores por elas.

Para pagar contas no Brasil, todos os meses eu preciso transferir dinheiro do Chase daqui para o Citibank aí. Eu utilizo o Transferwise. Antes de usar, eu havia pesquisado sobre a Western Union, que é uma das instituições mais famosas no mundo, para o envio de dinheiro internacionalmente; já tinha conversado com o gerente da minha conta no Brasil e com a gerente da minha conta aqui e tudo era muito caro. Só para ter uma ideia, para enviar dinheiro do Brasil para cá, eu pagaria em média a partir de R$50 reais por operação, e o caminho inverso sairia por aproximadamente U$50 (valores de agosto de 2016). Sem contar que quanto maior o valor a transferir, maior a taxa de IOF e afins.

A salvação surgiu num post da minha amiga Cibelle que mora na Inglaterra. Por aquelas bandas ela estava usando o Transferwise e eu então decidi testar. Baixei o App e me cadastrei. Não vou mentir porque este post não é pago como 90% dos posts a respeito do App que li pela internet. Não foi fácil cadastrar. Na verdade, foi um perrengue absurdo. Tudo porque tive de entrar em contato com o Citibank e descobrir um tal de um número IBAN que seria o número da minha própria conta, porém para transações internacionais. Após quase meia hora com o atendente na linha que também nem sabia o que era o IBAN, tive de pedir para ele esperar enquanto eu testava as informações que ele me passou. O engraçado foi que os dados da conta americana foram super fáceis de inserir no App, claro que a burocracia/dor de cabeça ia rolar do lado do Brasil. Mas após uma longa tentativa, finalmente consegui cadastrar tudo. Fiz um teste e enviei 10 reais para os USA e 10 dólares para o Brasil. O App dizia que em até 5 dias o dinheiro chegaria, mas em todas as minhas transações o dinheiro chegou no dia seguinte. Claro que sempre transfiro com uma janela de tempo o suficiente para pagar contas sem atraso. Mas o sistema nunca falhou e as taxas são muito baixas.

Após inserir todos os dados, fica tudo salvo no App e todos os meses eu volto lá para transferir, e em menos de 3 minutos envio dinheiro entre os dois países por um valor decente e sem pagar taxas de IOF e ou conversão. Mas como isso é possível? Porque os caras que desenvolveram o App (os mesmos por trás do Skype) tiveram uma sacada genial. O dinheiro na verdade nunca sai do país. Eles encontram pessoas no sistema que precisem por exemplo receber dinheiro nos EUA quando eu preciso enviar para o Brasil. Dai eles cruzam essas informações e quando eu envio daqui para o BR, o meu dinheiro é enviado para a conta da Transferwise aqui e o mesmo acontece no BR com alguém que precise enviar para cá. Como o valor não cruza fronteiras, ele é apenas enviado entre bancos dentro do mesmo país. Não me pergunte como, deve rolar uma matemática absurda nesse esquema (hellloooo eu sou de humanas!!!), mas o que importa é que eu nunca paguei mais de U$5 para enviar dinheiro para o BR, e isso me deixa muito feliz.

P.S: As transações que faço todos os meses são entre USAxBR e ou BRxUSA. Envio da minha conta pessoal americana para a minha conta pessoal brasileira e vice e versa. Nunca enviei para outros países além dos Estados Unidos ou para terceiros. Uma vez que o dinheiro chega na minha conta no BR eu faço transferência/DOC se necessário ou pago contas normalmente pela internet banking. Caso você tenha alguma dúvida referente a pagamentos para terceiros e em outros países que não sejam os EUA, aconselho entrar em contato com a Transferwise diretamente. Também nunca efetuei pagamentos de boletos para mandar dinheiro, apesar de ser uma opção no site/app, então não tenho como explicar sobre como funciona essa parte do sistema.

 

 

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Como funciona uma mudança entre países para o corpo diplomático?

07 de novembro de 2017

Quem me conhece e me acompanha no Instagram viu que a exatamente uma semana recebemos nossa mudança do Togo. Saímos de lá em junho e agora após quase 5 meses finalmente nos reencontramos com os nossos pertences. Uma das delícias e/ou dissabores de ser uma pessoa nômade (no meu caso por conta do trabalho do meu marido), é não ter a certeza de nada em momento nenhum. Quando nos preparamos para o Togo, a princípio íamos ficar lá até agosto de 2019. Por uma dessas jogadas do destino, estamos de volta a Washington. Só que lidar com toda a logística de uma mudança internacional não é fácil.

Ao sairmos de um país onde estamos alocados, saímos apenas com o que podemos carregar de acordo com a nossa passagem aérea. No meu caso eu vim com duas malas de 23 quilos, uma mochila, a mala de transporte da Bella e mais uma mala para ela. E apenas isso. Como sabíamos que nossa mudança levaria muito tempo, tínhamos que ter em mente o que poderíamos precisar durantes estes meses. Aí é que está o grande problema. Você SEMPRE precisa de algo que não está com você… e sempre compra a mais, e de repente se vê com 5 itens de uma coisa que se você morasse numa casa normal sem mudar sempre, teria apenas 1.

Por não trabalhar, eu não precisei me preocupar com roupa social, então no meu caso foi muito mais fácil. Meu esposo por outro lado focou nos seus ternos, pois alguém nessa casa tem que fazer dinheiro. Agora imagine você, essa logística toda quando a família tem filhos. A loucura é totalmente dobrada.

Quando preparamos a casa para a mudança, devemos separar duas levas de transporte. Uma se chama UAB e a outra HHE. Tecnicamente o UAB são duas caixas enormes que chegam geralmente na sua casa ou onde você indicar dentro de 2 a 4 semanas após você chegar no seu novo destino. Como essa parte da mudança chega mais rápido e tem limitações do que pode/não pode transportar (porque viaja de avião), decidimos mandar o maior número de roupas e sapatos possíveis. Principalmente roupa de frio porque não tínhamos ideia de quanto tempo a mudança mesmo levaria para chegar e não queríamos gastar dinheiro novamente com roupa especial para o frio de -15C de Washington. Neste carregamento que foi entregue em agosto aproveitei para também colocar todos os meus itens de maquiagem. Maquiagem é caro demais e eu não queria que ela ficasse debaixo do sol Togolês por meses a fio até liberarem a carga do porto de Lomé. Afinal minhas makes são minhas prioridades (quando a Bella não esta envolvida CLARO).

Em agosto recebemos o UAB e desde então estávamos vivendo apenas com estes itens. Só que ao alugar uma casa nova, lembre que nem colheres nós tínhamos. Ao voltarmos para os Estados Unidos ficamos no limbo… precisamos comer, lavar, passar, cozinhar… e não temos nada. Quando alugamos uma casa/apartamento aqui, temos apenas o básico: fogão, geladeira, lavadora de louça, lava e seca roupas. O restante estava tudo em caixas entre o Togo e os EUA.  Compramos os itens mais vagabundos que você imaginar na vida… por pura necessidade… e algumas coisas decidimos não gastar dinheiro. Não apenas para economizar, mas também porque depois não teríamos espaço para guardar tudo o que compramos. Tivemos que comprar por exemplo ferro e tábua de passar roupa, uma TV mixuruca para assistir… um mini enxoval.

Enfim na terça passada finalmente entregaram a nossa vida inteira embalada em 190 caixas do HHE. Os carregadores chegaram e começaram aquela loucura. O apartamento que antes parecia enorme sem nada foi ficando cada vez menor. E de repente eles foram embora e deixaram para trás um rastro de zona generalizada para todos os lados. Na primeira noite dormimos com bicicletas no nosso quarto e pneus de carro na sala. O cansaço físico e emocional é tão grande que é muito comum as pessoas entrarem em colapso emocional. Eu estava tão perdida que eu não sabia por onde tentar começar a arrumar. Meu esposo teve de me sentar e tentar me acalmar porque entrei num colapso nervoso instantâneo. Ele foi fantástico ao arrumar o quarto de hospedes e categorizar fileiras de caixas separando por categorias como cozinha, quarto, banheiro. Eu não teria pensado melhor. Na quarta feira fomos cuidar das coisas grandes que não iam ficar dentro de casa como carro, moto, bicicletas e os pneus. Conseguimos emplacar o carro e a moto, fazer seguro, inspeção e estacionar. Depois foquei em arrumar o nosso quarto o máximo que eu pude. Porque pelo menos no final do dia precisávamos fechar a porta do quarto e deixar o caos do lado de fora e dormir num local tranquilo.

Hoje quase uma semana depois já levei mais de 10 caixas para doação no Goodwill, já abri metade das 190 caixas e o nosso quarto e a cozinha estão pelo menos 70% organizados. As caixas já estão todas dentro de um único cômodo e aos poucos voltou a parecer com uma casa novamente. Meu esposo viajou a trabalho e estou fazendo tudo sozinha desde sexta. Mas não posso tirar o credito dele de ter me acalmado e ter feito o máximo que ele pôde para me ajudar.

Não consigo imaginar fazer tudo isso com filhos. Eu tiro o meu chapéu para todos os diplomatas e expatriados pelo mundo afora que fazem toda essa mudança com 3, 4, 5 filhos e cachorros e gatos. Eu não daria conta.

Espero que até o mês que vem a casa já esteja totalmente arrumada. Não vou me estressar mais. Preciso focar nas minhas provas finais da faculdade daqui a 15 dias. E preciso de um break também. Desde junho quando saímos do Togo temos matado um leão por semana. Não foi fácil. Porém, já tenho ciência que em agosto de 2019, levantamos a lona e partimos para o próximo posto. E começara tudo outra vez.

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