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Viajando com Gatos de Avião

27 de junho de 2017

Só de pensar em escrever este post eu já fico cansada. Estafada na verdade. Eu sempre quis uma vida leve e sem dores de cabeça… porém fui inventar de adotar uma gata. A vida no Togo era solitária demais, e eu precisava de uma companhia em casa. A Bella chegou na nossa casa com 1 mês e meio de vida e logo se tornou o xodó. Tanto que até o homem da casa que morre de ites e alergias se rendeu de amores por ela. Eu não podia simplesmente deixar a Bella para trás ao voltar para a América.

A minha Bella mais bela

Decidido que ela iria com a gente… começou toda a loucura para entender como funciona o processo. Não é fácil, mas também não é um monstro de sete cabeças. Confesso que por várias vezes pensei: “Mas porque raios eu inventei de ter uma gata?” de tão confuso que tudo parece. Li e reli milhões de blogs gringos, brasileiros, sites de cias aéreas, sites de clínicas veterinárias para saber o que fazer. Deu certo e no post de hoje vou explicar o passo a passo desse complicado e monstruoso processo burocrático.

Primeiro descubra se o país de destino admite gatos. Li sobre várias restrições em várias partes do mundo. Cada país é soberano sobre aceitar o seu amor peludo ou não. O que anima é que gatos são mais aceitos mundo afora do que cachorros e/ou aves. Ponto para os bichanos.

Os EUA é o país mais brando para a importação de pets. Se você pensa em mudar um dia para cá, saiba que até a data de hoje o seu gato/cachorro é muito bem vindo.

Após pesquisar sobre o país tive de definir com qual cia aérea voar. Ai é que começou a grande dor de cabeça. Dependendo do vôo que você comprar… voce tem de se preocupar se o mesmo terá escala e se o país da escala é pet friendly. Já aviso que a União Européia é o destino mais chato para animais tanto em trânsito como para destino final. Após descobrir este detalhe eliminei as possibilidades de vôo que fariam escala por lá. Por este motivo optamos pela única opção viável… um vôo direto Lomé – Newark.

Após decidir o vôo chegou a hora de preparar a documentação exigida pela cia aérea e pelo Departamento de Agricultura americano. Para gatos é obrigatório o microchip, coisa que a Bella não tinha e tivemos de inserir às pressas. A brincadeira em CFAs (moeda da África) ficou em XOF 55 000 algo como R$350. Após o microchip outro item obrigatório é a comprovação da vacina de Raiva. Como a dela está em dia não precisei me preocupar. Também foi exigido um Passaporte. Eu nunca tinha ouvido falar na vida que animais de estimação tivessem passaporte… pois têm. Por sorte a Bella já tinha um e eu nem sabia disso. É a caderneta com todas as informações sobre ela que foi dada pelo veterinário lá no Togo, desde quando a adotamos. Pura sorte!!! Por fim é necessário uma carta do veterinário, emitida no máximo de dez dias a 1 dia antes do embarque. Nessa carta constam todas as informações referentes ao animal como nome, sexo, nome dos donos, endereço de estadia no local de destino e o médico precisa atestar que o animal está saudável e livre de qualquer doença infecto-contagiosa. Essa carta me custou XOF 15 000 (R$87).

Documentação

Após toda a documentação estar em dia você precisa definir se seu filho de quatro patas irá viajar como carga ou na cabine com você. Optamos por levar a Bella na cabine. Eu estava apavorada demais em ter ela longe de mim e com medo de ao chegar no destino final me entregarem um gato morto ou a notificação de que ela havia se perdido no meio do caminho.

Ao decidir que ela iria na cabine o procedimento foi comprar o tiquete e ligar logo em seguida na cia aérea para informar que ela ia viajar comigo. Essa ligação deve ser realizada no máximo até 3 dias antes do embarque. Claro que como tudo na minha vida acontece com emoção… eu comprei o tiquete apenas 2 dias antes de embarcar. E a Ethiopian Airlines tanto no Brasil como no Togo por telefone me deu a maior dor de cabeça. Eles não queriam deixar de jeito nenhum a Bella embarcar usando a desculpa de que eu não estava seguindo à risca a determinação deles. Tive de ir até o aeroporto em Lomé e simplesmente contar toda a minha vida, como a Bella era importante pra mim e lógico explicar que estava indo embora do Togo. Explicar isso para alguém de uma cultura que não liga a mínima para animais de estimação é até ridículo. Todos me olhavam com cara de “o que essa insana ta falando???”. Como eu tenho um santo que não dorme muito forte, eles autorizaram a ida da Bella no vôo. Após autorizarem, tive de pagar uma taxa de XOF 117 000 (R$670) e ela finalmente foi liberada para embarcar comigo. Fui informada das dimensões obrigatórias da bolsa de transporte. Este item é extremamente importante. Se você optar que o animal viaje com você na cabine deve seguir a risca esta informação. Eu já tinha comprado uma bolsa para ela na Amazon neste link aqui. Cada cia tem as dimensões distintas para o espaço embaixo da poltrona a sua frente, então aconselho que você leve a fita métrica com você a pet store quando for comprar a sua. Além disso a bolsa deve ser maleável (aqui no exterior) e o animal e bolsa não podem ultrapassar 8 quilos. Soube que algumas cias limitam para 7 quilos já outras por aí podem chegar até 10 quilos. Não há um consenso. Verifique antes com eles todas as informações uma vez que muda de empresa para empresa. Lembre-se que eles limitam de 2 a no máximo 3 animais na cabine e pode acontecer de no seu vôo já não ter mais espaço para o seu pet quando você comprar o bilhete, neste caso você deverá seguir outros trâmites para enviar o bichinho como carga.

Mala de mão para a Bella

No dia de embarcar eu rezei para todos os santos me ajudarem com o processo. Lembre de não alimentar o seu bichinho de quatro a seis horas antes de voar. Parece desumano mas isso evita que ele vomite, tenha ânsia, enjôos, náuseas e faca fezes na malinha de transporte durante o deslocamento. Eu estava sozinha e foi uma briga colocar ela dentro da bolsa de transporte. Por mais que ela já estivesse usando a mesma a 3 semanas para dormir para se habituar com o espaço, cheiros e afins… parece que naquele dia desceu um santo nela e ela percebeu que ia ficar um dia inteiro lá dentro. Foi um mega drama. Como a Bella nunca tinha saído de casa na vida… tudo a assustou. O caminho de casa ao aeroporto foi um drama. Ela se debateu tanto que parecia que estava tendo convulsões. Eu só chorava. Por sorte minha grande amiga Deusa estava comigo e como um anjo acalmou a Bella. Fizemos o check in – meu e dela – e neste momento é quando você apresenta todos os documentos que precisou providenciar para o seu pet. Por sorte ou intervenção divina de repente ela ficou quieta. O drama foi passar pela segurança… no aeroporto em Lomé passamos por duas revistas e em ambas eles queriam retirar ela da bolsa. Eu com o meu francês mea boca expliquei que se ela saisse… nenhum de nós nunca mais conseguiríamos pegar ela. Mostrei minhas mãos com marcas de unhadas dela e eles todos entraram em pânico. Pelo menos no Togo a grande maioria dos locais não tem afinidades com gatos e muitos comem ou praticam rituais de vudu. Ouvi várias piadinhas durante a revista no aeroporto sobre o absurdo que era eu pagar tudo aquilo para levar um gato, ou toda a dor de cabeça que eu estava passando por um animal “besta”. Ouvi também guardas que pediram para eu dar ela para eles comerem e teve um outro que me disse que ao invés de gastar dinheiro pra levar ela para os EUA eu deveria levar ele… só Jesus na causa.

Entrei na aeronave, posicionei a Bella embaixo do assento à minha frente e rezei. Essa gata surtou na subida… acho que por conta da diferença de pressão… ela fez um escândalo. Miou, chorou, se debateu, tentou sair da mala… tive de conversar com ela para ela se acalmar. Durante o vôo (de 10 horas e meia) ela tentou escapar umas 3 vezes… sempre conversava com ela e enfiava a mão na mala para poder acalma-la. E a descida foi o mesmo drama… uma hora ela se debateu tanto que eu achei que ela fosse morre de ataque cardíaco… fiquei bem penalizada pelo desespero dela…

Ao chegar aos EUA o processo foi TÃO simples que deu até gosto. Passamos pela imigração onde carimbaram meu passaporte e fui na sequência pegar as malas. Ela super quieta prestando atenção a tudo e a todos. Na saída tive de pegar uma outra fila para ser inspecionada pelo Departamento de Agricultura. Como no cartão de chegada (o I-94) eu tinha mencionado que tinha uma gatinha eu fui direcionada a essa fila. Nunca, jamais, em hipótese alguma minta neste formulário. Gatinhos/Cachorros/Aves apreendidos irregularmente são enviados para destruction (morte). Você não quer isso!!!!! Entreguei pro oficial todos os documentos que eu providenciei no Togo e ele gentilmente me falou que como era uma gata eu podia passar tranquilamente por fora do Raio X e ir para a saída. Curiosa como sempre, perguntei o porque e ele me explicou que cachorros são mais suscetíveis a transmitir doenças infecto contagiosas do que gatos. Mais um ponto para a Bella.

Ao sair do aero meu mozão aguardava por nós e fomos pegar o carro pois ainda tínhamos 4 horas de estrada entre Newark e Washington. Enquanto ele arrumava as malas no carro coloquei treats que trouxe comigo na malinha de mão da Bella e ela comeu. Fiquei surpresa que apesar de todo o estresse ela ainda tivesse animo para beliscar alguma coisa. A essa hora já estávamos a 17 horas em deslocamento e a coitadinha estava presa por todo este tempo. A agua ela nem tocou. A viagem de carro foi bem mais sossegada. Acho que como éramos apenas nós dois e ela ouvia com mais clareza a nossa voz e não houveram movimentos bruscos… ela ficou mais calma do que no avião.

Ao chegar ao hotel abri a porta da malinha dela e ela claro sumiu. Hoje enquanto escrevo este post (sexta 23/6) já tem 5 dias que chegamos aqui e ela aos poucos está melhorando. Já sai de debaixo do sofá para comer, beber água e usar o banheirinho dela (á noite quando já estamos deitados) e pula a noite toda em cima de nós dois enquanto dormimos. Porém ela ainda não se adaptou aos barulhos da cidade grande. Tudo a assusta com muita facilidade e ela tem passado os dias embaixo do sofá o mais reclusa possível. Hoje por um milagre de Deus ela saiu das trevas do sofá e brincou por uma hora com os brinquedinhos que comprei aqui após chegarmos. Trouxe dois comigo que ela brincava no Togo mas ela nem ligou pra eles.

Por enquanto essa tem sido a adaptação da Bella… como estamos em um hotel tem sido complicado… os barulhos de abre e fecha de portas nos quartos ao lado a assusta muito e quando algum funcionário do hotel tem que entrar aqui pra ela é um caos. Como temos uma vida itinerante ela vai um dia se habituar com isso. Não vou abrir mão dela… já a  trouxe do Togo pra cá e evitei que ela virasse comida ou artigo de macumba. Sem contar todo o dinheiro já gasto com ela e toda a carga emocional também já investida nestes 8 meses.

Vou deixar alguns links abaixo que vocês podem ler com mais calma sobre como transportar gatinhos/cachorros para os EUA e também de avião pelo Brasil. Espero que este artigo apesar de grande sirva de ajuda para vocês.

Até o próximo post  =0)

http://pt.wikihow.com/Transportar-Gatos-por-Avião

http://www.aeroportoguarulhos.net/dicas-de-viagem/como-levar-animais-de-estimacao-em-viagens-de-aviao

https://www.voegol.com.br/pt/servicos/transporte-de-animais-no-aviao

https://www.latam.com/pt_br/informacao-para-sua-viagem/como-viajar-com-cachorro-e-gato/

http://exame.abril.com.br/seu-dinheiro/quanto-custa-viajar-de-aviao-com-seu-cachorro-ou-gato/

https://www.state.gov/m/fsi/tc/c10442.htm

https://www.cdc.gov/importation/traveling-with-pets.html

http://www.freshfromflorida.com/Divisions-Offices/Animal-Industry/Consumer-Resources/Animal-Movement/Dog-and-Cat-Movement-Requirements

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Por Érica Brasilino

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1 Comentário

  • […] gente, não vou mentir. Inclusive como comentei no post sobre como voar com gatinhos (disponível aqui) eu comprei em São Paulo pois não tinha no Togo e a viagem aconteceu de última hora. Paguei […]