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United States Holocaust Memorial Museum – Museu do Holocausto

12 de julho de 2016

Para mim este museu é um must visit de DC. Se você não tem muito tempo na cidade e só pode fazer um único museu… eu aconselho com toda a certeza do mundo visitar o Museu do Holocausto. Porque? Simplesmente para lembrar como a humanidade consegue ser maldosa, escrota, perversa, doentia, vingativa, repugnante e qualquer outro adjetivo asqueroso que você queira colocar aqui neste parágrafo nunca será o suficiente para descrever o que foi o Holocausto.

O Museu do Holocausto está ao lado do Bureau of Engraving and Printing (Casa da Moeda) que eu falei no post anterior e pode ser encontrado clicando aqui. Se você vier para DC em alta temporada, deve ir ao quiosque localizado em frente ao Museu e ao Bureau na Raoul Wallenburg Place e retirar ingressos para o mesmo dia. Lembre-se quanto mais cedo chegar ao quiosque mais cedo será sua visita. Se você preferir por U$1 clicando aqui você consegue comprar seu ticket para o dia e horário desejado antecipadamente. O museu funciona de segunda a sexta feira das 10am as 5:20pm. Eu aconselho vir com tempo pois ele é enorme e você poderá ver com calma as exibições. De acordo com informações no site do próprio museu as pessoas levam em média entre 1 a 3 horas lá dentro. Eu fiquei 5 horas.

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Credito: Érica Brasilino

Eu já tive a oportunidade de visitar o Museu do Holocausto quatro vezes. Ele é composto por uma exibição fixa que é exatamente a que precisa de tickets para visitar e tem as temporárias que ficam no andar de baixo do museu. A primeira vez que visitei em 2014 fiquei tão atônita com a exposição permanente e sai de lá tão chocada que não tive cabeça para fazer o restante do museu. Este ano visitei novamente e dei ênfase a exposição temporária que este ano se chama They Were Neighbors (Eles eram vizinhos).

Quando você entra no Museu e vai pegar a fila de acordo com o seu horário do ticket para a exposição permanente, você tem biombos nas paredes com milhões de passaportes com histórias de pessoas que vivenciaram o Holocausto. Você pode pegar um (está dividido em homens e mulheres). Confesso que sempre pego um de cada. Nestes passaportes tem a foto e informações pessoais de pessoas reais. Cada página conta o que foi acontecendo com aquelas pessoas com o passar dos anos e a cada andar que você visita no museu (são 3 andares inteiros) ele indica para você ir virando a página e ver o Holocausto através da experiência de vida daquela pessoa e o que aconteceu com ela.

Você entra num elevador e um funcionário do museu te transporta para a Alemanha nazista. Ele te dá orientações e pede para que você fique em silêncio pois não é apenas um museu e sim um memorial aos quase 11 milhões de mortos. Sim você leu certo, 11 milhões de seres humanos foram brutalmente assassinados durante o período mais negro da história mundial.

Quando o elevador abre as portas… você é transportado para um local que você jamais pensou ter existido…

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Credito: Érica Brasilino

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Credito: http://www.ushmm.org

A exposição começa do último andar e você vem descendo pelo prédio. O terceiro andar é completamente voltado ao ideal nazista de uma nação perfeita. Como Adolf Hitler utilizou sua boa oratória para impregnar no cérebro dos jovens alemães que apenas os brancos de olhos azuis seriam a verdadeira raça ariana e os merecedores de viver numa Alemanha expurga de todo o mal (que na cabeça dele eram os negros, judeus, ciganos, pessoas com deformidades físicas, psicológicas e afins). Ao entrar nessa parte inicial é um choque absurdo. Você esquece o mundo lá fora e ouve aqueles discursos inflamados de Hitler e imagens chocantes de jovens loiros, altos e perfeitos sorrindo como se estivessem diante do Messias. É explicado em detalhes como Hittler chegou ao poder pelo Partido Nazista em 1933 e a explosão da Segunda Guerra Mundial em Setembro de 1939.

Descendo para o segundo andar entramos na parte da exposição que fala sobre o desenrolar do Holocausto e a evolução do nazismo com a criação dos guetos onde os judeus foram confinados em bairros inteiros enquanto o governo alemão tomava posse de suas casas e riquezas para continuar financiando a máquina de guerra. Também nessa parte da exposição temos uma clara ideia de como era realizado o transporte dos presos até os campos de concentração, a vida nos campos, o trabalho braçal ao qual eles eram forçados e a eliminação de presos através de fuzilamentos ou câmara de gás.

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Credito: http://www.ushmm.org

Descendo para o primeiro e último andar chegamos ao final da guerra com a liberação dos presos que sobreviveram ao Holocausto e a vitória dos aliados contra os nazistas. Tem também lembranças do que foi encontrado no país que ficou aos pedaços após a guerra.

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Credito: Érica Brasilino

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Credito: Érica Brasilino

 

Na saída da exposição fixa há um cinema onde há relatos de pessoas que sobreviveram ao Holocausto. Fiquei muito tempo lá dentro… sentei e chorei assistindo relato atrás de relato do que aquelas pessoas viveram. E não chorei sozinha. Vi homens, mulheres, adultos e adolescentes com lágrimas nos olhos assistindo pessoas reais contando coisas que mantiveram gravadas na memória até hoje. É impossível visitar este museu sem sair de lá tocado. É impossível não comparar o que aconteceu lá com o que vemos todos os dias na TV ou na Internet por vários lugares do mundo até hoje. 

Quando sair dessa área da exposição permanente não esqueça de visitar no último andar a exposição temporária. Não sei de quanto em quanto tempo eles mudam mas hoje como já mencionei acima há a exposição They Were Neighbors que fala sobre os judeus que foram denunciados a Gestapo (a polícia alemã) por seus próprios vizinhos, amigos, colegas de trabalho, namorados, em troca de algum cargo no governo Hitler ou unicamente por inveja dos bens que aquelas famílias tinham, e quem os entregava acabava recebendo algum dinheiro do governo ou a oportunidade de continuar com o negócio dessas famílias. Chocante e absurdo. No andar da entrada/saída sempre tem algum convidado especial sentadinho perto do guichê de informações. Este ano tive o imenso prazer de conhecer uma gentil senhora alemã/americana que sobreviveu ao Holocausto. Vi que ela estava conversando com um casal e como sou curiosa cheguei perto e fiquei ouvindo ela narrar a história de vida dela. Quando as lágrimas começaram a escorrer pelo rosto dela eu chorei junto. O casal agradeceu a conversa e se foi. Ela me chamou mais pra perto perguntou meu nome e me contou mais algumas coisas sobre a vinda dela para os EUA após o fim da guerra. No final eu perguntei se podia abraçar ela pois no meu país temos o hábito de abraçar pessoas que desejamos o bem. Ela abriu um sorriso enorme e perguntou de onde eu era e disse que o abraço de uma brasileira sempre seria bem vindo.

Neste andar também tem uma exposição sobre o Holocausto para as crianças caso você esteja viajando com crianças pequenas e queira explicar ludicamente para o seu filho/a sobre o ocorrido.

Enfim… desculpem me pelo post longo… mas acredito que este museu é sensacional. Eu sai de lá diferente da pessoa que entrou. E acredito que esta tenha sido uma das melhores experiências que eu tive aqui em DC.

Como diz o cartaz que tem na entrada do museu: “Da próxima vez que você ver injustiça, da próxima vez que você presenciar o ódio, da próxima vez que você ouvir falar de genocídio PENSE SOBRE O QUE VOCÊ VIU”

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Credito: Google

Se você visitou o museu compartilhe comigo nos comentários o que você achou do que viu por lá.

Até o próximo post =)

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Por Érica Brasilino

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